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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O técnico e o político



Nelson Soares dos Santos[1]

Tenho lido e ouvido nos jornais de Goiás e do Brasil que no interior do Estado existem dois tipos de quadros que colaboram na gestão do Estado e do Espaço Público – O Técnico e o Político. Tal tese ganha força no momento de formar o quadro de primeiro, segundo e terceiro escalão no início dos mandatos governamentais e quando começa a se especular mudanças na equipe por um determinado Governante. Procurarei aqui elencar algumas reflexões que contrariam o discurso corrente na esperança de contribuir para a melhoria dos mandatos de governantes de qualquer partido.

O que é “Ser Técnico” e “Ser Político”

Primeiramente tornou-se senso comum de que existe pessoas que são apenas técnicos e outros que são políticos. O interessante  é que aqueles que são taxados como “políticos” carregam na testa a carta de “incompetentes”, pois, foram indicados por políticos e por isso julgados como não sendo capazes para ocupar o espaço por mérito.

Na verdade as coisas são definidas no imaginário de quem utiliza da tese da seguinte forma: O técnico é aquela pessoa com currículo, qualificação na área, experiência e capacidade para resolver de forma profissional os problemas da pasta; o político, em contraposição ao técnico, passa a ser aquela pessoa que não tem as qualificações que o técnico tem, mas por que indicado por uma grande força política passa ocupar o cargo ou função.

Diante desta definição ocorre o primeiro grande equívoco, o de criminalizar a política quando na verdade deveria criminalizar a ação de alguns políticos, pois ora, se um político indica alguém que não tem competência para realizar alguma coisa, por si só, já se cometeu um ato criminoso. O segundo equívoco é querer demonstrar que os “Técnicos” não são  “ Políticos” e portanto não são capazes de agir politicamente ou mesmo de forma politiqueira e com politicagem. Por estes equívocos muitos governos estão pagando um alto preço ao contratar pessoas supostamente “técnicas” e, no entanto vinculados a outros partidos políticos. Isso é feito quase sempre com o interesse de dividir o partido adversário ou no mínimo enfraquece-lo. Exemplos recentes são Henrique Meirelles no Governo Lula e Adriana Acorrsi no atual mandato de Marconi. No primeiro caso o PSDB perdeu um grande quadro que perdeu a si mesmo enquanto político, e, no segundo perdeu o governo Marconi que por pouco teve de administrar desgastes pelo retorno do quadro “técnico” ao ninho “político”.

Na verdade não é difícil demonstrar que não existe ninguém com competência técnica que não tenha vocação política por que por si só a competência técnica significa tomada de posição, escolha diante dos rumos que a sociedade deve seguir. Um individuo competente e  altamente qualificado é aquele que por conhecer a conjuntura na qual vive a humanidade e por ter ampla cultura fez uma escolha de um rumo a seguir e de como governar sua vida, sua carreira; e tomar decisões acertadas diante do curso da história. Sendo assim, o que sobra para o chamado “político” é tão somente o lado sombrio, do politiqueiro, da politicagem do campo da política que não é possível mais permitir estar presente em sociedades democráticas e civilizadas.

O Técnico, e o que deve se esperar de um gestor Público.

O caso de políticos que ocupam espaços na gestão pública na “cota pessoal” do governador ou mesmo aqueles que se julgam acima dos partidos políticos dos quais fazem parte por sua alta competência técnica devem se lembrar de que vivemos em uma democracia, e nas democracias modernas não há ninguém que não esteja obrigado a exercer as qualidades da democracia política. Saber ouvir, ser educado, agir com honestidade intelectual e agregar em torno de si os melhores para bem governar o Estado e cumprir junto ao eleitor o projeto empenhado é obrigação de todos.

E isso se diz por que a própria democracia moderna é definida por ser o espaço da gerência dos conflitos e das contradições, e, mais ainda, o poder, mesmo do governante eleito é temporário, só sendo definitivo o poder de escolher que está nas mãos do eleitor. Diante disso não é difícil concluir que não pode existir técnico que não seja político no sentido dado a palavra política pela democracia moderna. O técnico que não consegue ser um líder político em seu partido, que não consegue agregar em torno de si pessoas com compromisso político de definição dos rumos da sociedade é o caminho do fracasso para qualquer governante na atual etapa da história humana.

Competência Técnica e Compromisso Político.

A conclusão é que se queremos exercer mandatos nas democracias modernas para ajudar a dirimir conflitos, vencer as cries e proporcionar dias melhores para o nosso povo, todo  gestor público deve ter competência técnica e compromisso político.

A competência técnica deve ser aqui entendida como uma cultura geral e ampla, capacidade de liderar, tomar decisões, força de vontade e espírito de justiça aliada, se necessário, a uma sólida formação profissional na área a ser gerida. O compromisso político deve ser entendido como uma comunhão de crenças e ideais com o projeto apresentado ao eleitor pelo mandatário eleito. Compromisso político que deve significar um profundo esforço para compreender e agir com justiça diante de aliados e adversários. É por tudo isso que fico arrepiado quando ouço dizer que determinados quadros são técnicos e outros são políticos.

 



[1] Nelson Soares dos Santos é Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário, Secretário Geral do PPS metropolitano, Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira em Goiás, Membro da Executiva Estadual do PPS em Goiás e Secretário de Formação Política. Embora apoie o Governador Marconi desde seu primeiro mandato nunca ocupou cargo técnico ou político, pelo contrário foi forçado a pedir demissão da Secretária Estadual de Educação de Goiás por perseguição política na gestão de Raquel Teixeira.

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