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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Marina Silva e a Religião : Da Independência a verdadeira república.


Nelson Soares dos Santos[1]

Eu ainda me lembro do Professor de História falando na sala de aula das três questões que fizeram precipitar a Proclamação da República – A questão Militar, a Questão Religiosa e a Questão Escravocrata. Claro que na profundidade dos fatos as coisas são sempre mais complexas, mas é interessante que mais de um século depois estas mesmas questões ganham relevância no debate eleitoral.  O surgimento de uma candidata evangélica parece ter feito ressurgir as outras questões; e, a verdade é que a sociedade brasileira ainda não superou nenhuma delas.
Como em 1889, os barões do café andam ansiosos com a possibilidade da vitória de Marina Silva. Digo, os Barões do Café, não me referindo a banqueiros ou a quem produz na terra, mas aquela tecnoburocracia estatal que aprendeu a viver da corrupção e do desvio do dinheiro público. Na iminência de se ter uma presidente evangélica o preconceito religioso volta a cena. Agora não apenas com ares inquisitoriais, mas também por meio de boatos de todos os tipos, por meio  do que chamo de um “autoritarismo difuso” que tenta fazer os mais incautos acreditar que uma vez presidente Marina Silva vai aderir ao fundamentalismo religioso tão presente em todas as religiões na sua práxis de governar.  É tão ingênuo acreditar nisso em uma república presidencialista, com a existência de uma Câmara e de um Senado quanto acreditar em Papai Noel. Na verdade, os adversários usam o argumento religioso apenas por que sabe que existe na sociedade brasileira, de um lado um fundamentalismo conservador, e, de outro um preconceito arraigado a tudo que cheira virtude e se desvia daquilo que os sociólogos denominaram de “Jeitinho Brasileiro”.
Como em 1889, imagino os militares inquietos nas casernas. Insatisfeitos, de um lado com o “Modo Petista de Governar”, que só faz lembrar escândalos sobre escândalos; e de outro com o aprofundamento da democracia que parece não dar esperanças de uma possibilidade de retorno a um regime de “Ordem”, apressam-se a militarizar as escolas, aparelhar as universidades quebrando a autonomia universitária, e pregando diuturnamente por meio dos seus representantes no Congresso (Jair Bolsonaro é sua maior expressão), a necessidade do cidadão se defender por meio da implantação de uma ordem conservadora e anti-democrática. O militarismo no Brasil se tornou uma ideologia de direita que tem na ordem  e na defesa dos bons costumes seus fundamentos propalados. Entretanto, quando na prática não se trata de defesa dos bons costumes, mas pelo controle do poder por uma tecnoburocracia estatal e um conservadorismo patrimonialista.
Na questão racial, desde a proclamação da abolição da escravatura nunca o Brasil esteve tão envolvido no debate sobre raças. As políticas dos Governos do PT contribuiu para criar uma espécie de divisão na sociedade. A aplicação equivocada das políticas afirmativas, o investimento precário na educação básica aliada as falhas do Estado em prover ao acesso a saúde e segurança fez crescer entre negros e índios uma ideia reparacionista em detrimento da luta pela igualdade entre  todas as raças e etnias no interior da Nação. Os mesmos responsáveis por esta situação agora pregam que Marina perseguirá negros, fechará terreiros de candomblé e outras sandices mais. Não respeitam, sequer, a força do Estado Democrático e Republicano Instituído.
Entretanto, o ressurgimento das chamadas três questões não nos traz tristeza, e, na verdade, nos deixa otimista, com o futuro. PSDB e PT têm estado sempre em disputa sobre qual deles proclamou a real independência do Brasil. Os sociais-democratas dizem que foram eles ao estabelecer o Plano Real e a Estabilidade Financeira. Os Petistas afirmam que foram eles, ao combater a fome, pagar a dívida externa e criar o Fundo Soberano. Não serei eu o juiz desta peleja, mas, se eles estiverem certos e a independência real do Brasil foi Proclamada, chegou a hora de Proclamar a república. Maria será a chance de termos uma república verdadeira mediando os conflitos, estabelecendo a força do estado laico, a tolerância a todas as religiões e o respeito e emancipação de todas as etnias. Vamos então superar de vez tais questões, unir o Brasil, proclamar a república com Marina Presidente.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Educação e os Programas de Governo: O risco do Autoritarismo


Nelson Soares dos Santos[1]

Já disse e repito: É possível conhecer o futuro de uma sociedade pelo modelo de educação que é colocado a disposição das massas. Neste sentido é importante analisar as propostas de políticas educacionais nos planos de governo dos presidenciáveis e dos governos de Estado, bem como a forma como candidatos a câmara de deputados e ao senado lidam com a questão da educação. E, infelizmente, preciso dizer que não existe nenhum plano de Governo seja no plano nacional ou local que contemple avanços no campo da Educação, pior que isso, a análise de falas e das diretrizes e propostas escritas aponta para um retrocesso, sobretudo na questão da gestão democrática da educação, do modelo de organização, da valorização dos professores e dos processos curriculares.
O primeiro ponto extremamente negativo é que dos presidenciáveis apenas uma candidata ( Marina Silva) apresentou um plano de Governo; os demais apresentaram diretrizes genéricas pelas quais pouco é possível perceber que rumos de fato, as ações práticas ou práxis tomará. O segundo ponto negativo, é que os principais candidatos com chances de vencer o pleito não avançam no quesito “modelo  educacional”. Todos eles apontam para a continuidade de uma escola dualista, qual seja destinada a formar alguns para o mercado de trabalho precarizado e outros para o trabalho criativo.

Dilma, o PT e o autoritarismo Educacional.

A questão mais sensível é o programa educacional do PT. Sensível por que parece democrático sendo autoritário, parece avançado sendo um retrocesso, e com uma massa de intelectuais a defendê-lo de forma cega e bem longe do que pode ser considerada cientificidade. O PRONATEC  e os IFG, já se mostram um novo modelo de educação dualista muito parecido com aquela profissionalização compulsória no nível médio imposta pelos militares no final dos anos 70, e, chocou intelectuais, chegando a silenciar os petistas fanáticos quando Dilma admitiu que Filosofia e Sociologia são disciplinas que poderiam serem retiradas do currículo. Na verdade, o PRONATEC E OS IFG, criaram respectivamente um ensino médio e um ensino superior de segunda classe, que ao lado dos cursos tecnológicos de nível superior preparam mão de obra precária para o mercado deixando a formação humana totalmente em segundo plano.
Pior que isso é o que diz respeito a formação e valorização dos professores. Depois de 12 anos no poder o PT não conseguiu viabilizar o processo de valorização dos professores previsto em lei, sequer conseguindo fazer com que os professores tivessem direito ao piso salarial. A expansão do Ensino Superior e criação das novas Universidades foram realizadas ao custo da precarização do trabalho do professor, e a queda da qualidade do ensino. O autoritarismo está presente em todas as universidades e se tornou coisa comum escândalos até nos processos seletivos docentes, como é possível averiguar diante de uma pesquisa simples nos jornais e na internet.
O tragicônimo, no entanto, ainda está por vir. O MEC, segundo notícias recentes, pretende contratar professores por meio de Organizações Sociais, ( OS). Tal atitude que está sendo estudada para ser implantada por diversos governos estaduais vai ferir de morte a gestão democrática das escolas e Universidades, reinstalando o patrimonialismo e o clientelismo onde ele perdeu forças. Tudo isso está além das forças partidárias e só pode ser explicado pela vitória do capital na velha luta capital x trabalho tão ignorada por intelectuais e jornalistas. A ideia de que não existe mais esquerda favoreceu a precarização do trabalho e tal precarização está chegando ao trabalho intelectual, no caso brasileiro, de uma forma que nunca se fez em nenhum outro país do mundo. O capital assume sua forma mais selvagem, mais cruel e devastadora.
Aécio e suas diretrizes Genéricas.

No programa de Aécio pouco é possível falar de Educação. Primeiro por que o mesmo pontou apenas diretrizes genéricas, e segundo, por que ao falar sobre qualquer tema ele invoca a experiência que possui. Sendo assim, a única alternativa para imaginar como será a educação no Governo Aécio analisando a educação de Minas Gerais. Ali, os professores sofreram um processo de precarização e desvalorização sem precedentes, implantou-se a meritocracia e não é segredo que muito se perdeu no processo de gestão democrática. Um modelo semelhante foi implantado em Goiás, onde uma das primeiras medidas foi a retirada da titularidade dos professores, implantação de meritocracia e bônus de produtividade.
Outras medidas podem ser vistas no retorno a um conservadorismo curricular que retira a autoridades dos professores, impõe a aprovação automática dos alunos e premia aqueles alunos, teoricamente, os melhores. Dentro deste escopo, encontra espaço o processo de militarização das escolas do Ensino Fundamental e Médio, e são estas escolas militarizadas, que tem como principal mérito a implantação de um regime militar no interior da escola, implantando uma ordem rigorosa e cruel, o principal mérito pela qualidade do ensino alcançado nestas escolas e as melhores notas no IDEB. O que não se vê é que tal militarização está produzindo cidadãos não-pensantes, autoritários e cruéis; e, espalhando na sociedade um autoritarismo difuso e um fanatismo preconceituoso e arrogante.

Marina e dubiedade de um Programa.

Se Aécio não tem programa e precisamos olhar para o que ele fez; Dilma não tem programa e temos de olhar para o que estão sendo feito; Marina Silva tem um programa, entretanto o fundamento do mesmo não avanço no enfrentamento da degradação da força de trabalho do professor, sua precarização frente ao capital, tão pouco quanto o aspecto da Educação dualista. Então, qual seria a vantagem de votar em Marina? 
Os fundamentos do plano de Governo de Marina ainda não estão postos, o que ela chama de “Nova Política” é um novo que ainda não germinou na sociedade. É, pois uma proposta de governo em Disputa. Marina se propõe a ser a mediadora de um amplo debate nacional quanto aos rumos que o país pretende tomar. Diante disso, temos o risco imediato de corrermos o perigo de ter no autoritarismo difuso já implantado na sociedade pelo governo do PT mobilizar as massas e massacrar o novo em um possível Governo Marina.
A relação capital-trabalho tem no Brasil um íntima relação com o binônimo opressores-oprimidos. E neste sentido, teremos uma elite banqueiros, grandes industriais, multinacionais e tecnoburocracia estatal, aliada a intelectuais, jornalistas e uma imprensa subordinada e clientelista a manipular a opinião pública retirando dos cidadãos a capacidade e o poder de fazer suas próprias escolhas. Correríamos o risco de nos ver diante de uma situação parecida com a que vive a Argentina e a Venezuela, ou, no outro oposto tornarmo-nos parecidos com o Chile.
Uma mediação de sucesso só seria possível com um combate forte a corrupção desde o primeiro dia de governo; coragem para impor uma revolução educacional que propiciasse uma revolução das consciências e da cultura aliada a coragem de se enfrentar os males da especulação capitalista e os males que a mesma provoca na vida cotidiana das pessoas. Um governo em disputa, aberto ao debate e a participação social será sempre um governo de riscos. Correr o risco de encontrar um caminho novo, um caminho diferente pode e será sempre mais vantajoso do que saber que estamos caminhando inexoravelmente para o precipício.






[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e Membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

O PPS e a Igualdade Racial no Brasil

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Nelson Soares dos Santos[1]
Na Cidade de Salvador para participar da reunião do Movimento Negro da Coligação na entrega da “Carta de Salvador” a Marina Silva pude conhecer melhor nossa candidata a presidente. Olhar calmo, demonstrando certo cansaço pelas atividades do dia, exalava uma bravura serena típica daquela característica habermasiana de quem compreende o papel do político na Esfera pública burguesa.  Na entrevista Coletiva, ouvindo Marina, fiquei  a lembrar das propostas feitas no Congresso Nacional do PPS, Partido Popular Socialista, pela criação de uma coordenação Nacional de Igualdade Racial e da tentativa de criarmos um movimento que plantasse um novo modelo de luta por igualdade racial no país.
Chamamos nossa proposta de “Política Humanista de Igualdade Racial”, por que nossa ideia não criar mais um movimento negro no país, mas reconhecer que o Brasil é o país da diversidade e que estamos condenados ao respeito às diferenças. Não significa que não compreendamos a necessidade imperiosa de implantação de políticas afirmativas que ajude a emancipar as massas excluídas de negros nos diferentes estados do país, mas mais que isso, significa que entendemos a luta por igualdade atrelada ao biônimo  - oportunidade iguais, Educação de qualidade.  O que não queremos é mais um movimento que instigue o ódio, o rancor, a ideia reparacionista que olha para o passado em vez de olhar para o futuro.
Na nossa “Política Humanista de Igualdade Racial”, não há lugar apenas para negros, mas para todas as minorias ou raças oprimidas no seio da sociedade. Trata-se de uma luta por emancipação de um país, na qual a educação de qualidade para todos tem lugar preponderante. É na formação de uma consciência política elevada, na formação humana integral que vemos a verdadeira emancipação, e para quais as políticas afirmativas como cotas etc, são apenas um instrumento passageiro, um meio para se alcançar objetivos maiores, por isso, determinadas políticas devem ser transitórias, sobretudo na vida dos indivíduos.
Uma política humanista de Igualdade racial e inspirada nas ações e lutas de Nelson Mandela e Martim Luther King, tem no aprendizado do amor, na inclusão, seu eixo central, e isso por que sabemos que “ninguém nasce odiando ninguém, e se aprenderam a odiar também podem aprender a amar.” ( Nelson Mandela.).  É para isso que defendemos a força da educação cultural, da mistura de culturas, do aprendizado da música e da arte clássica nas escolas públicas para que se dê a oportunidade do país ter ao seu dispor os seus melhores talentos. E por que não podemos sonhar com um Brasil onde tenhamos campos de futebol tenham negros, brancos e índios na mesma quantidade e do outro oposto, também nas orquestras sinfônicas, na pintura, nas profissões nobres como medicina, matemáticas tenham negros, índios e brancos na mesma proporção?
A luta por igualdade racial é por fim, uma luta por uma humanidade onde o conceito de raça perca importância e todos os seres sejam tratados como seres que tem vida humana e por isso dotados de talentos que somados podem levar a sociedade a um novo salto de evolução. Evolução esta que só é possível por meio de uma educação de qualidade, igualitária para todos, com fundamentos no bom uso da liberdade, da tolerância e da generosidade.  É esta a nossa luta. Enquanto houver um só ser humano oprimido, discriminado, vítima de preconceito esta luta será travada todos dias, todas as horas e sem nenhum descanço.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A educação e os rumos de um Governo


Nelson Soares dos Santos[1]
Tem algumas questões que ficam no rodapé da política, mas que no final, são elas que definem os rumos de um governo. A educação tem sempre estado no rodapé, mas é a forma como um governo trata a questão da educação que diz muito dos rumos que serão tomados no futuro. Hoje, no site de G1, uma notícia chamou atenção: Dilma afirmou que pretende retirar filosofia e sociologia do currículo escolar. A última vez no Brasil que filosofia e sociologia ficaram fora do currículo escolar foi durante a ditadura militar, combatido por Dilma e pelo PT. O que mudou agora? Estaria o PT assumindo em definitivo sua face autoritária?
Pior do que a afirmação de Dilma de retirar tais disciplinas dos currículos escolares é o silêncio dos intelectuais, inclusive filósofos, geógrafos, sociólogos e todos os demais da área de humanas.  Perguntei a um deles se apoiava a ideia de Dilma de retirar as disciplinas do Currículo na linha do tempo do face, e o mesmo não só deletou a pergunta, como ameaçou deletar-me da lista de amigos dele. Tal comportamento se alastra pelas universidades. Diversos petista estão contaminados por uma cegueira que dá medo ao mais conservador e reacionário quando  a questão é discordar de qualquer discurso das lideranças do Partido. Parece um sintoma daquela personalidade autoritária identificada por Adorno antes e durante a segunda guerra mundial, quando homem pretensamente esclarecidos assumiram posturas absurdas diante da consumação de assassinatos em massa feitos pelo partido nazista.
Diferente de retirar tal disciplina do currículo escolar, os países europeus já trabalham com filosofia para crianças.  E a maioria dos países democráticos já possuem filosofia e sociologia no Ensino Fundamental. A proposta de Dilma é um retrocesso na construção de uma escola democrática e na formação de uma consciência Cidadã. Não somente é preciso aumentar a carga horária destas disciplinas como também é necessário aumentar o tempo de exposição do aluno aos chamados temas transversal, como ética, meio ambiente, cultura, inserção de música e arte promovendo assim, uma educação verdadeira integral aos nossos alunos. Educação Integral não é colocar o aluno o dia inteiro em escolas inabitáveis e provê-lo de oportunidades de aprendizagem que o leve a tornar-se verdadeiramente cidadão livre e independente.
O verdadeiro passo para  a implantação de um governo autoritário em um país é a mudança de seu modelo de educação. A militarização das escolas em curso em alguns estados, o comportamento autoritário de professores e intelectuais, e agora a proposta de mudança curricular de alguns candidatos deixa em alerta os democratas de todos os cantos do Brasil. É preciso fazer alternância de poder. A nossa democracia não pode dar um passo  para trás.  A gestão democrática, a inclusão da filosofia e sociologia nas escolas, e tantas outras conquistas democráticas não podem ceder espaço a  um autoritarismo que coloca no aluno e no professor a responsabilidade da qualidade de um ensino que se explica pela omissão dos políticos e do protagonismo político dos educadores.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e Professor Universitário.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A Escola Pública e o Racismo Institucional.


Nelson Soares dos Santos[1]
Goiás com a nota 3.8, tem a melhor Educação do Brasil, e, por esta razão comemora alegremente o Governador Marconi Perillo. O que muitos não percebem é que esta melhor Educação do Brasil está 0,1 ponto abaixo da média minimamente aceitável e portanto é uma educação reprovada. Outras curiosidades é ainda menos percebidas, por exemplo: A média nacional da escola privada ficou em 6,9, e esta mesma média da educação privada em Goiás, ficou em 5.7.  Pior é saber que os pais dos filhos que estudam nas escolas privadas não estão satisfeitos com desempenho destas escolas e que muitos como o próprio Governador mandam seus filhos para outros estados ou mesmo para a Suíca.
A pergunta que tem que ser feita é: Quem estuda na escola pública? Quem estuda na escola privada? Quem estuda na escola pública em Goiás? E quem estuda na escola privada em Goiás? A resposta a estas perguntas pode nos dizer o que realmente pensa o Governador sobre o desempenho da escola pública em Goiás, e, mesmo da escola privada. Vamos as estatísticas por aproximação. Mais de 80% são negros, e 100% dos que estudando nas escolas públicas são pobres. Explicando: quem estuda na escola pública é negro e pobre, ou qualquer outra coisa desde que seja pobre. Simplificando: ninguém que tem a mínima condição financeira de colocar um filho na escola privada deixa-o na escola pública.
Daí surge minha tese: a existência da escola pública da qual um governador tem coragem de comemorar uma nota abaixo da média minimamente aceitável é uma prova inequívoca da existência de um racismo institucional, uma vez que a maioria dos pobres é negra não existe interesse destes mesmos governos de transformar a escola pública em escola de qualidade, ou na pior das hipóteses há um descaso destes governantes com a luta contra a pobreza ou a emancipação social no sentido de construção de uma verdadeira cidadania. E assim, eu posso afirmar: Marconi e Dilma Roussef são racistas, pois nada fez em 12 anos, para mudar a realidade de uma massa de negros que se tivessem tido acesso a uma escola de qualidade teriam construído uma verdadeira cidadania.
Nenhuma luta contra o racismo, nenhuma luta contra o machismo, nenhuma luta contra a homofobia ou qualquer outra forma de preconceito, terá sentido se não se fizer uma revolução na educação brasileira. A escola pública no Brasil tem se transforma em um gueto que impede a emancipação social das minorias. E no caso da minoria negra ( que na verdade é uma maioria), a escola pública tem se transformado em um grande obstáculo a emancipação social. E não quero aqui negar nenhum dos males da escola privada no Brasil, que carente de um currículo humanizado não consegue combater as formas de preconceito, expondo os jovens negros, mulheres, e LGBTs, a formas de discriminação tão cruéis que muitas vezes compromete o futuro e o desempenho dos mesmos. Entretanto, urge que olhemos para escola pública, pois esta se transformou em uma máquina de assassinato em massa de jovens e do próprio futuro país.
Quando vejo Marconi comemorando os números da educação em Goiás, é como ouvi-lo dizer: “uma educação ruim é o máximo que esta negrada merece. Negros e pobres não precisam de educação de qualidade. Está bom demais assim. Devemos ficar felizes e comemorar, isso é muito mais do que eles merecem”. Isso é racismo, é preconceito, é desprezo para com os seres humanos que estudam na escola pública. É não reconhecer que todos os indivíduos nascem com  talentos e potencialidades que não depende de sua classe social, raça ou opção sexual. A educação pública em  Goiás e no Brasil é desumana, cruel e excludente. E por isso que precisamos de um novo modelo de educação, de um novo modelo de governo, democratizar a democracia e tratar todos os cidadãos como seres humanos dando a cada um da possibilidade de desenvolver suas potencialidades latentes.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Marina!! Educação, Pelo Amor de Deus.


Nelson Soares dos Santos[1]

Quando no congresso nacional do PPS no ano de 2011, apresentamos a proposta de que o partido deveria assumir como prioridade a luta pela educação, não imaginávamos que a situação da educação brasileira fosse tão desigual. Existe no Brasil uma desigualdade educacional gritante. A escola privada que recebe os filhos dos ricos é tão diferente das escolas públicas quanto a Zona Sul do Rio de Janeiro é diferente de um lixão. O PPS veio então assumindo um protagonismo na luta por educação igualitária e de qualidade. Nossos deputados federais fizeram bonito na luta por destinar a receita do pré-sal para a Educação, na luta pela destinação dos 10% do PIB para a educação, e na construção do Plano Nacional de Educação. Stepam Nercessiam, Goiano que se tornou deputado federal pelo Rio de Janeiro, representou brilhantemente o Partido na Comissão de Educação na Câmara. E os melhores Cabeças do Congresso – Roberto Freire, Rubens Bueno, E Arnaldo Jordy – emprestaram todo o brilho a defesa da Educação no Congresso Nacional.
No Congresso nacional de 2103, no qual foi aprovado o apoio do partido a candidatura de Eduardo Campos o partido foi mais longe. Aprovou moção pública e resolução interna para aumentar o protagonismo do partido na luta pela educação em todas as esferas de ação, quais sejam, nas câmaras municipais, nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional. Eduardo Campos mostrava pelas suas palavras que ficaram gravadas no inconsciente coletivo na da nação que tinha entendido a proposta do Nosso Partido quando disse: “ No dia em que o filho do pobre e do rico estudar na mesma escola, neste dia, teremos o pais que queremos”. Com exceção de Eduardo Campos que se mostrava sensível a proposta de fazer uma revolução na Educação Brasileira, todos os demais candidatos a presidência da República tem tratado a educação como fator de menos importância. A atual presidente e candidata a reeleição tem o disparate de dizer que o modelo que ai está é bom, que precisa apenas melhorar. Outros, alardeiam que fizeram muito pela educação, mas nos estados onde governaram os professores não ganham nem o piso determinado por lei.
Nesta quarta-Feira, quando a Executiva Estadual do PPS, se reúne para ratificar o nome de Marina como substituta do Eduardo Campos, não podemos esquecer de reforçar a luta por uma revolução da Educação Brasileira. Não se trata de melhorar a educação, não se trata de uma breve reforma. É preciso coragem para aceitar que a educação pública brasileira está um caos. A diferença entre as escolas públicas e privadas é tão gritante que é crime aos olhos de um humanista convicto. Não podemos deixar passar despercebido o sofrimento dos professores brasileiros, que mesmo nas escolas privadas ganham salários muito distantes da importância do trabalho que realizam pelo país
Precisamos enviar a Marina o nosso Grito, a nossa reivindicação enquanto partido. Marina deve assumir o mesmo compromisso de Eduardo, - o de lutar dia e noite incansavelmente e com coragem para que todos os brasileiros tenham as mesmas oportunidades educacionais desde a educação Infantil. Ter a coragem de discutir os grandes conglomerados que transformaram a educação em um negócio lucrativo e quem nem sempre propicia a formação adequada para que o nosso povo evolua nos campos do intelecto, da cultura e do espírito. Mudar o modelo de gestão dos recursos educacionais, combater os desvios de recursos, colocar a União para assumir as responsabilidade por ensino de qualidade nos municípios e estados que não possuem arrecadação suficiente para um salário digno aos educadores, escola integral para todos os estudantes da Educação Básica; eis alguns dos pontos que precisam ser discutidos e implementados com coragem.
Tenhamos consciência: Não existe nenhum país que se tornou desenvolvido sem que antes tenha investido de forma séria na educação do seu povo. Somente onde existe oportunidades iguais de educação é possível retirar do meio do povo as melhores mentes, os melhores recursos humanos e espirituais que tornam um país, uma grande nação. É por isso, que o nosso grito tem de ser alto, tem de ser forte, insistente. E como afirmei no Congresso do Partido, eu o repito agora: Educação, senhores!!! Educação, pelo Amor de Deus. É de Oportunidades educacionais iguais para todos de que este país precisa.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, é membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista e Candidato a Deputado Estadual em Goiás. Blog. www.profnelson23345.blogspot.com

terça-feira, 22 de julho de 2014

5ª carta: 3º Princípio: Efetivação da Igualdade de Oportunidades.


Prezados amigos, saudações a quem tem coragem;

A igualdade é sempre um tema filosófico e polêmico. E não existe igualdade onde não há parâmetros de respeito às diferenças. É por esta razão que não falamos aqui de igualdade, simplesmente, ou de equidade, falamos de igualdade de oportunidades. Acreditamos que todos nascem iguais, por esta razão todos devem ter oportunidades iguais para começar a vida. Por  si só, fica aqui implícito que concordamos que é papel do estado erradicar a fome, e admitimos os avanços que tem havido nas políticas sociais brasileiras nos últimos anos. Entretanto, não existe e não haverá igualdade de oportunidades enquanto houver uma escola pobre para os pobres e uma escola milionária para os milionários.
Daí por que é a EDUCAÇÃO,  o fundamento da nossa atuação política. Jamais haverá igualdade de oportunidades se não tivermos uma educação de qualidade para todos nos primeiros anos de vida. É, para nós, dever do Estado garantir uma escola onde o aluno tenha reais condições de aprendizagem e o professor tenha reais condição de promover, aliado a um programa Família/Escola as condições de uma formação humana e integral do aluno.
O respeito as diferenças também definirá o tratamento dado as minorias. Nos últimos anos, uma política de divisão da sociedade tem estimulado o “nós contra eles”, pobres contra ricos, negros contra brancos, mulheres contra homens, heterossexuais contra homossexuais. Não acreditamos que esta política de divisão possa ser boa pra sociedade brasileira em longo prazo. O respeito as minorias não pode se dar pela opressão da maioria. É preciso, pois rever, com profundidade e seriedade o tratamento quem tem sido dado a tais questões, sob o risco de que na busca da inclusão implantarmos um modelo injusto e que cerceia a liberdade de muitos.
E efetivação da igualdade é também a definição de limites entre os diferentes, limites estes que precisam ser respeitados e definidos a partir de uma discussão honesta e sincera, onde o diálogo seja o fundamento da construção de leis claras de convivência social. Não será pregando a intolerância e a agressividade que combateremos a violência e construiremos uma cultura de paz. É pela tolerância, o respeito, e a clareza de intenções.
Por fim, só haverá efetivação da igualdade se tivermos a coragem de valorizar o mérito e punir os vícios existentes no interior da sociedade. Um exemplo interessante me foi dado por um cidadão que me escreveu sugerindo que aquele aluno que venha a desistir de frequentar a escola em idade regular continuar a ter o direito de ter o auxilio do Estado, mas não nas mesmas condições dos demais. Terá sua educação financiada e terá que devolver aos cofres do Estado o gasto e o prejuízo causado ao estado pela sua desistência da escola em idade regular.
A luta pela efetivação da igualdade será uma das lutas mais árduas, por que não será a luta de alguns meses ou anos; mas se tivermos coragem para mudar, mudaremos. Se tivermos coragem de sermos honestos alcançaremos resultados notáveis em poucos anos e goiás poderá ser um exemplo para os demais estados Brasileiros.
É por tudo isso, que mais uma vez, eu te convido. Se leu esta carta até aqui, venha comigo, venha com novo sem medo de ser feliz. Vote Prof. Nelson. 23.345.

             

3 ªCarta Política ao povo: Os três princípios Fundamentais


Prezados amigos.

Os três princípios que fundamentará nossa ação política como parlamentar serão: 1. A busca de elaboração de leis claras, 2. a defesa do patrimônio público incentivando a construção de uma infra-estrutura de qualidade; e 3.  A efetivação da igualdade de oportunidades

Principio primeiro: Leis Claras.

Hoje, um dos maiores problemas no nosso país é a falta de leis claras. A Confusão das leis contribui para o aumento das injustiças, a lentidão do judiciário, e, até mesmo contribui para o aumento da corrupção e inépcia do serviço público. Um dos papéis mais importantes do parlamentar na atualidade é contribuir para tornar as leis mais claras, enxutas, e com condições efetivas de serem aplicadas.
Exemplos de leis que precisam da atenção dos parlamentares podem ser citadas: O Estatuto da Criança e do Adolescente, O Estatuto do Idoso, A Lei Maria da Penha, As Leis ambientais, as leis que se propõe a regulamentar o setor urbano dentre outras. Em Goiás, muitas destas leis sequer estão regulamentadas no nível estadual. Embora tenha sido criado conselhos estaduais nas mais referidas áreas citadas, muitos deles funcionam precariamente e são, muitas vezes, instrumentos políticos e não de uso efetivo para servir a população.
Um exemplo típico é o Conselho Estadual dos Direitos Humanos. Embora em pleno funcionamento pouco é feito no estado na luta contra o trabalho escravo, o tráfico humano, e tantos outros males que assolam o nosso estado e faz aumentar a violência e a degradação do ser humano. Outro exemplo, é o Conselho Estadual de Educação, que viu sua autonomia ser dilapidada, e praticamente, chegou a ter dificuldade de se posicionar durante o processo do malfadado “Pacto da Educação”. Carece de um parlamentar que atue com serenidade e firmeza na defesa destas instituições do Estado; carece da existência de uma atuação sólida, trazendo propostas e caminhos que conduza a sociedade a novos rumos.

É por esta razão mais que sou candidato. Nós podemos mudar o que está ai. Então venha comigo. Vote por leis claras que governem a sociedade com justiça. Vote Prof. Nelson. 23.345.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Comentários sobre as ações propositivas do candidato a deputado estadual Nelson Soares/PPS.


Fabrício Queiroz[1]
1.   Ações imediatas:
a)    Aplicação do Piso Nacional dos professores, aliado a um plano meritocrático que inclua a  gratificação por titularidade. A Titularidade e o desempenho serão os principais elementos da definição da meritocracia.
Uma grande maioria dos professores, e alguns pesquisadores, discordam de que o método meritocrático de gestão seja adequado, ou pelo menos o mais indicado, para resolver os problemas da educação, sejam de valorização profissional, sejam pedagógicos. Indicar como caminho a meritocracia, pelo menos para os professores da rede estadual, implica em continuidade com o que aí está neste governo, se não, soa negativamente para os professores. Entendo que é necessário pensar na formação continuada dos professores para atacar as demandas latentes do cenário educacional, especialmente as de resultados em programas de avaliação externa. Entretanto, ainda que ideologicamente, a escola enquanto instituição social não deve, em hipótese alguma, se limitar aos parâmetros de gestão meritocrática que são insensíveis à uma formação humanizada, especialmente em sua campanha, que assume contornos humanistas. Sugiro pensar a valorização profissional docente paralelamente à reforma educacional. Assim, valorizar a profissão docente implica em:
1) Respeitar a Lei do Piso e um Plano de Carreira digno:
- O Piso Salarial deve ser pago em Janeiro;
- O Plano de Carreira precisa ser reformado com ampla participação dos professores;
- Deve-se respeitar os níveis de graduação, para valorização profissional. Sugiro o retorno do escalonamento percentual de vencimentos, como no plano anterior às mudanças realizadas por Thiago Peixoto (candidato a deputado federal);
- A valorização mais sólida que os servidores podem ter é com aumento do vencimento base, e não com gratificações, que podem ser revogadas ao gosto do governo. Para pagar o Piso Nacional o Governo de Goiás operou uma incorporação que representou uma perda de pelo menos 30% dos vencimentos, neste caso, devolver a titularidade significa recuperar o compromisso de pagamento do Piso Nacional, contudo, o ponto de partida desta reparação viria com o pagamento de um piso salarial acrescido destes 30% e não em forma de gratificação, respeitado os níveis de graduação, o que significa recuperar o achatamento do Plano de Carreira.
Sugiro um plano de incorporação de gratificações ao vencimento tendo como horizonte um vencimento base equiparado a outros profissionais do Estado com nível de graduação semelhante, onde os professores venham a receber de R$5.000,00 a R$8.000,00 em seu vencimento base; É importante perceber que se há dinheiro para pagar gratificação e bônus, não há dificuldades financeiras plausíveis que justifiquem a dificuldade em pagar um vencimento base digno ao somar um piso salarial defasado aos valores previstos para pagamento de gratificações. Sugiro incorporar o valor do bônus do programa Reconhecer, e extingui-lo, ou pagá-lo mensalmente como na gratificação por regência do município de Goiânia.
- Em outros Estado são pagos aos professores alguns auxílios, tais como transporte e alimentação; Assim como aqui em Goiás há outras categorias contempladas com esses tipos de auxílios. Sugiro que sejam criados esses auxílios para atender as necessidades básicas dos trabalhadores;
2) Melhorias nas condições de trabalho:
É interessante notar que algumas das mudanças ansiadas pelos professores não demandam investimento financeiro, contam apenas com a sensibilidade da gestão que se materializada quando há respeito à autonomia dos professores e das unidades escolares, ou ao princípio de gestão democrática. Isto indica a criação de espaços e momentos de ampla participação, aproximação dos profissionais dos mais diversos setores da secretaria da educação ao “chão da sala de aula”, com a construção coletiva de projetos, programas e ações pedagógicos, respeitadas as particularidades das UEs, o tempo e à organização escolar.
- É comum a delegação de tarefas da secretaria da educação aos gestores das UEs de forma anacrônica, assíncrona, controversa, e principalmente desorganizadas, que se realizam na contramão do bom desenvolvimento do trabalho pedagógico escolar. Sugiro a otimização e o respeito ao calendário escolar;
- O Trabalho Coletivo deve voltar a ser um espaço pedagógico e não administrativo. A pauta não pode ser tomada pelas demandas da SEE. Tendo em vista o acúmulo de serviço dos professores, e principalmente respeito aos direitos trabalhistas, ou não se realizam TC aos sábados ou que se remunere por esse serviço extra;
- Todo trabalho realizado fora do contexto de sala de aula deve ser remunerado à parte, ou contratados e/ou designados profissionais para tal. Avaliações externa, e quaisquer outras atividades não são obrigações dos professores;
- Excesso de carga horária, serviço e burocracia. Professores com jornada em três turnos não se encontram em condições de trabalho dignas e qualitativas. Respeito ao horário de descanso e alimentação, com o novo horário de aulas de 50 minutos os professores estão contando com apenas 45 minutos de horário de almoço.
- Licença aos professores para participar de eventos acadêmicos e formações.
- Resolver a fragmentação da carga horária do professores em diversas unidades escolares. (No município de Goiânia há um sistema de carga horária que é elogiado pelos professores).
- Respeitar quantidade mínima de dias letivos do ano escolar, segundo a LDB são de 200 dias ou 800 horas;
b)   Defesa de plano de reforma das unidades escolares;

Ampliar a autonomia da UE na gestão dos recursos.
c)    Esforço concentrado para manter todos os alunos em sala de aula.
Este é outro ponto polêmico entre os professores. A ideia de que aluno em sala de aula implica em qualidade e resultados positivos na educação é equivocada. Sugiro repensar a rotina escolar com atividades mescladas, em sala e extra-classe; Muitos professores reclamam do fim dos Praec’s, neste caso, dar aos professores a oportunidades de realizarem projetos pedagógicos remunerados no contraturno me parece uma boa sugestão; é preciso desconstruir a ideia de escola como depósito de filhos, escola é espaço de educação, para tanto precisa de estrutura e organização.
2.   Ações mediatas;
a)    Criação de uma comissão  Estado/Município e sociedade civil para propor e implantar mudanças no modelo de educação rumo a uma Educação Humanista com bases na igualdade de oportunidades.

Para ser mais claro e propositivo, creio ser importante propor um calendário fixo, dentro do próprio calendário escolar para os encontros dessa comissão. Poderiam ser semestrais e contar como dias letivos.
b)   Definição em lei de um vencimento básico para o professor no valor de ..... para garantir uma qualidade de vida mínima para o professor.
c)    Incentivo a formação e qualificação profissional continuada.

A parceria com universidades e centro de pesquisa é imprescindível, muitos professores criticam a precariedade do NTE.
d)   Criação de um Programa “Saúde do Professor”;

Importantíssimo. É interessante ir em busca de dados estatísticos a respeito desta demanda. Me parece que há uma quantidade considerável de professores que se afastam por questões de saúde, principalmente de ordem psicológica.
Sugestões de acréscimo nos pontos apresentados:
e)     Estimular a participação discente, familiar e comunitária; Criação e fomento aos grêmios estudantis e associação de pais e mestres;
f) Atualizar currículo escolar com temáticas latentes: Relações de gênero, orientação sexual, raça e etnia, religiosidade.
g) Criar ambiente virtual de aprendizagem disponível para todos os alunos no Estado (AVA);
- Na atualidade o espaço escolar representa apenas uma parcela do espaço de aprendizagem dos alunos, e necessário avançar e ocupar o espaço virtual para oferecer aos alunos uma formação ampla, presente e contínua; Sugiro criar um Núcleo Escolar Virtual;
h) Criar um fundo de emergência a ser usado pelas escolas para situações em que não há como esperar os processos regulares de aplicação de recursos; Sugiro um departamento plantonista na seduc e um plano de utilização destes recursos;
i) Criar um Núcleo de Excelência Esportiva;
Há uma demanda latente a respeito da formação de atletas, especialmente após a Copa do Mundo, há muito abandonada pelo Estado. É necessário retomar este trabalho.
j) Incluir serviços não pagáveis por recurso escolar nos itens financiáveis, tais como: internet, telefonia fixa e móvel, mão-de-obra (eletricistas, pintos, pedreiro, etc.). Sugiro criar departamento de manutenção por regionais (subsecretarias).
k) CONCURSO
- Faz 4 anos que não há concurso para a pasta da educação; É necessário conter a política de contratos temporários que contradiz a valorização profissional e a qualidade de ensino.
l) Valorização dos contratos;
- Equiparação salarial de efetivos e contratos conforme nível de formação; (Em outros estados, como no Tocantins não diferencial de tabela salarial)
- Garantias trabalhistas iguais a de efetivos, como férias e recessos;
m) Agilidade no pagamento de erros salariais; Sugiro um dispositivo legal para pagamento em folha complementar sempre que houver erro;
Há muitos outros assuntos que precisamos pensar e discutir a respeito, como: Lanche escolar (os alunos reclamam muito da qualidade), promoção automática (a reprovação não pode ser impedida); assinatura de progressão horizontal (o governador sempre demorar para assinar); violência na escola e ao redor; Etc.


Argumentos que justificam a mudança dos rumos na Política Educacional



Nelson Soares dos Santos[1]

Desde 2010 venho insistindo que o PPS, ( Partido Popular Socialista), do qual sou militante e dirigente assuma um protagonismo na luta por uma educação de qualidade. Em 2010, aprovamos uma resolução pela qual os parlamentares do partido passariam a luta e apoiar as causas da educação. Desde então, o partido participou ativamente das lutas para aprovar o Plano Nacional de Educação e toda as medidas, as quais acreditamos contribui para avançar a valorização da educação como política pública. Em 2013, aprovamos uma moção na qual a luta pela educação de qualidade se tornou um dos eixos de luta prioritários do partido.
Embrenhamo-nos nesta luta não apenas por ser educador e sensível ao sofrimento que vive os profissionais da Educação do país, e ao processo de desvalorização que vem se dando ao campo educacional; mas, sobretudo, por acreditar que pensando um modelo de educação é na essência pensar um modelo de sociedade. E se nós queremos um modelo de sociedade fundada no humanismo, na democracia e na busca da igualdade como eixos fundamentais, é pela valorização da Educação e definição de rumos da mesma que devemos começar. Entendemos que o Partido dos Trabalhadores fez uma leitura equivocada do conceito de Educação Democrática e Socialista a partir das leituras de Marx e Gramsci, e mesmo  das propostas de gestão democrática da Educação presentes nos estudos e pesquisas dos estudiosos brasileiros.
O respeito a liberdade e a diversidade vem sendo confundindo com a imposição de uma concepção de minorias sobre a maioria, na tentativa de impor uma “moral das minorias” por meio da imposição de didáticas e conteúdos nos processos educativos e de desenvolvimento das novas gerações. O respeito à gestão democrática e a participação popular vem sendo confundido com algum tipo de libertinagem, e, sobretudo de um nivelamento por baixo, onde nenhum aluno é reprovado, todo mundo se forma em alguma coisa e o mérito vai sendo abandonado como um cachorro sarnento em algum canto da sala, sujo e sem cuidados. Os conselhos e sindicatos vão se transformando em instrumentos de luta pelo poder, em vez de cumprirem o  papel de espaços de discussão de descobertas de novos caminhos que valorizem o mérito e a evolução da sociedade.
A expansão do acesso ao Ensino Superior e a Pós-Graduação vem sendo acompanhado de uma queda vertiginosa da qualidade do ensino. E é natural hoje, no Ensino Superior encontrar estudantes que não sabem ler, interpretar, ou realizar as quatro operações. E  o que é pior, a burocracia do MEC, ( Ministério da Educação) impede as Universidades de realizar experiências inovadoras no campo da formação de novos educadores, e ou mesmo, experiências formativas nas mais diversas áreas. Há uma confusão entre o papel dos Institutos Federais de Ensino Superior e das próprias Universidades, e no final, nem um e nem outro consegue realizar a contento o papel do qual a sociedade precisa que é formação de qualidade, pesquisa básica e aplicada de forma suficiente para o avanço do desenvolvimento do país.
Há  um crescente déficit de  profissionais na área, contribuindo ainda mais para a queda da qualidade. E isso, provocado pelos baixos salários e a desvalorização do educador do nível básico ao superior. Na Educação Básica e Ensino Médio, acrescenta-se o equívoco de concentrar as verbas financeiras no poder central, quando o mais correto seria valorizar o poder local e o investimento em cidadania de qualidade. Entretanto, o mais grave é a utilização da educação e dos livros didáticos como instrumentos de propagação ideológica, quase sempre desrespeitando direitos de minorias, ou, de maiorias, o que gera a intolerância, o ódio, e a divisão no seio da sociedade.
Junte-se a tudo isso, a dificuldade que tem o governo de regulamentação do Ensino Privado. De um lado um ensino público de péssima qualidade, do outro temos um ensino privado com um preço esdrúxulo, considerando que todos nós já pagamos impostos para sustentar a educação de nossos filhos. O ensino privado se transformou em um mercado rentável e instrumento de lobby poderoso, tendo assentos dos mais diversos, nos conselhos, e, com a presença de grandes empresários que estão preocupados apenas com o lucro que advém da atividade educacional.
É hora de se debruçar sobre a questão da Educação Nacional. Não podemos mais adiar. A discussão sobre as políticas públicas educacionais é, neste momento, a definição de que tipos de sociedade e de país querem ter nos anos vindouros. Aceitar que tudo continue como está é sutilmente admitir que não queira mudar. E, por mais que muitos queiram comemorar a aprovação recente do PNE – Plano Nacional de Educação, mesmo que todas as metas nele presentes venham a ser alcançadas ( o que é quase  impossível); existem pontos que precisam ser mudados pois não representam os verdadeiros anseios da sociedade Brasileira. Em uma educação humanista o que está em jogo é a formação e elevação da consciência do cidadão, e isso, se faz valorizando o mérito e o desenvolvimento pessoal, e não por decreto.




[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário, membro da Executiva do Diretório Metropolitano do PPS, - Goiânia, membro do Diretório Regional e membro suplente do Diretório Nacional do PPS.

Três princípios básicos para uma Política Educacional


Nelson Soares dos Santos[1]

No ano de 2010, coloquei-me o desafio de trabalhar na discussão de uma nova política educacional para o nosso país. Naquela época entendia que, o primeiro passo, para que pudéssemos ter uma discussão verdadeira sobre Educação era ter um partido político onde seus dirigentes se comprometessem a discutir a questão com seriedade. Sendo assim, propus como delegado, no Congresso Nacional do Partido Popular Socialista que fosse aprovado uma moção na qual todos os dirigentes, militantes, parlamentares e gestores do Partido deveriam encarar a educação como elemento prioritário da política do partido.
Os resultados foram bons. No nível federal, os parlamentares passaram a participar efetivamente da discussão da política educacional, o partido assumiu uma cadeira na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e participamos ativamente da aprovação do Novo Plano Nacional de Educação. Internamente, a questão educacional foi discutida em Conferência Nacional do Partido com militantes, dirigentes e simpatizantes, com a presença do Senador Cristovam Buarque, um ícone na luta por uma educação de qualidade para o país.
No congresso de 2103, propusemos que a questão educacional passasse a ser alvo de discussão nos processos internos do partido, buscando envolver as bases municipais e estaduais. Desde então, como membro do Diretório Nacional do Partido estamos buscando travar esta discussão dentro e fora do partido, por entender que a sociedade não pode esperar mais. No artigo anterior, analisamos alguns argumentos que nos levam a crer que a sociedade está exausta deste modelo de educação que está vigente: um modelo que tem contribui para aprofundar as desigualdades e destruir o que resta de qualidade na educação que o estado coloca a disposição para a maioria do nosso povo.
Três Princípios.
Neste sentido, que revelamos agora os três princípios que nos levam a crer ser possível um novo modelo de política educacional capaz de contribuir para elevar a consciência do nosso povo, uma educação fundada no humanismo e no que tem de melhor nas conquistas da humanidade.
Primeiro: Leis claras e eficientes. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação nacional sempre foi considerada pelos educadores uma lei ambígua mas a situação que se encontra atualmente é ainda pior. A tentativa de regulamentar a lei por decretos, emendas, etc., tornou-a um  monstro  de muitas cabeças que mais  prejudica do o que contribui para o surgimento de iniciativas criativas que promovam um ensino de qualidade. Precisa-se reformular completamente a  Lei Nacional de Educação, desta vez, construindo-a sob o marco da participação efetiva da sociedade por meio das instituições organizadas já existentes.
Segundo: Infraestrutura de qualidade. A educação pública carece, mais do que nunca na história deste país, de uma infraestrutura de qualidade. Por onde se anda o que se vê são colégios públicos caindo aos pedaços. Os munícipios não tem conseguido cumprir o papel a eles destinados na consecução dos objetivos educacionais e tão pouco os estados. É claro que há muita corrupção, mas há também uma desorganização na gestão do processo de organização do Sistema Educacional que precisa ser corrigido com urgência.
Terceiro – Investimento em Pesquisa e formação de professores que crie uma superestrutura de qualidade. Na atualidade quando se fala em discutir educação corre-se o risco de cair em uma rinha onde de um lado estão os petistas, e de outro os anti-petistas. Ambos os lados esquecem que a construção de uma proposta educacional não se dá pela paixão ideológica exacerbada e sim com investimento pesado em pesquisas na área das ciências humanas, na antropologia e sociologia da sociedade Brasileira. Enquanto os contendedores se matam na rinha, o déficit de professores aumenta na rede básica e, já atinge até mesmo a Universidade, o número de pesquisas de qualidade caem, e, qualidade da educação cai a olhos vistos. Precisamos de uma discussão que parta do que se tem melhor dos resultados de pesquisas na área, esquecendo as paixões ideológicas e com o único objetivo de reformular o sistema Educacional Brasileiro para dar as novas gerações capacidade de participação no sistema mundo ao qual estão expostos.
Destes três princípios podemos retirar todos os fundamentos de uma proposta humanista de Educação, uma proposta avançada que nos leve a um modelo de educação que de  fato possa elevar o desenvolvimento moral e intelectual da sociedade, dando assim uma grande parcela de contribuição para que o país alcance a  condição de  desenvolvido nas próximas décadas. Muitos dirão que é uma utopia. Nós acreditamos que poderá ser apenas uma utopia se não estivermos dispostos a construir, mas não o será, na medida em cada cidadão se dispuser a compreender que não existe desenvolvimento humano ou democracia sem que o país ofereça ao seu povo uma educação de qualidade que a todos, no mínimo, oportunidades iguais no ponto de partida.





[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira,  membro do Diretório Nacional do PPS.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Mal do Personalismo e a necessidade de um projeto.


Nelson Soares dos Santos
Não são poucos os exemplos da história que comprovam ser difícil a arte de Governar. Compêndios foram escritos, descrições efetivas de momentos cruciais da história da humanidade mostra o governo uma das atividades mais difíceis de realizar. Por isso, aquele que consegue conquistar o poder, manter e perpetuar-se no poder é digno de honras e glórias. Para nós, goianos, três referências imagéticas permeiam nossa mente quando falamos do poder: Lula, Iris e Marconi. O primeiro por sua proeza de ter sido o primeiro operário a se tornar presidente da república; o segundo pela inconteste contribuição já dada ao desenvolvimento do nosso estado; e o terceiro por ser o presente daquilo que se pode considerar a honra de ser um vencedor.  Com todas as críticas que podem ser feitas ( e existem críticas justas que devem ser feitas), na política Goiana Marconi é o nome que representa o poder e a honra da difícil arte de Governar.
Governar para o Povo.
Marconi representa tal fato por diversas razões, a maior delas por ter sido aquele que derrotou o Irismo depois de 16 anos de poder, e outras não menores, como por exemplo, ter contribuído para um arejamento democrático nos seus dois primeiros governos. Quiçá, seja um vencendor, Marconi vive diversos dilemas da difícil arte de governar depois de perpetuar-se no poder e tornar-se vítima das armadilhas impostas pelo poder. Há um livro, que li e não gostei, que mostra de uma forma clara tais armadilhas. O titulo é “48 Leis do Poder”. Segundo tal livro toda vez que se constrói um império ou um governo com o tempo o governante vê se cercado de pessoas que estão mais preocupadas em acercar-se das vantagens do poder do que se preocupar com os destinos do Governo ou o bem estar coletivo, e que, portanto, as intrigas, as disputas,  tornam-se constantes, por vezes colocando em risco os destinos do governo.
As recentes manchetes de jornais mostram um alerta ao governador. As disputas internas entre os grupos estão chegando ao paroxismo. Dos bastidores extravasaram-se para os jornais e muitos resolveram até dialogar por notas oficiais publicadas em jornais e na internet. Quando um dos nomes mais fortes do Governo resolve desabafar na imprensa afirmando que existe bandidos no Governo alguma coisa já passou do limite. É como se já se soubesse mais quem de fato manda no Governo, segundo o Greene, aquele das “48 Leis do Poder”. A receita seria então uns choques de autoridade, demitindo aqueles que se acham intocáveis, valorizando novos quadros, vindo do meio do povo e quebrando o isolamento entre o povo e o Governo.  O desabafo do secretário mostra que existem sinais dos tempos que precisam ser lidos sobre os rumos do poder em goiás, ou do contrário seremos vítimas de aventureiros.

Oposição e Situação  - vítimas  do Mesmo mal.

Para uma leitura dos sinais dos tempos é preciso, antes, compreender o tempo que vivemos, e para se compreender o tempo no qual vivemos é preciso aceitar sua complexidade. Na política em Goiás, não é diferente. Se base de Marconi Perillo peca-se pelo personalismo exagerado fazendo tudo girar em torno de nomes e deixando os projetos, as ideias e os partidos em segundo plano; na oposição não é diferente.
Na verdade, sequer existe oposição em Goiás. O que existe são nomes que se digladiam dentro dos partidos ditos de oposição, sempre em busca de holofotes, de forma personalista e longe de estabelecer um diálogo com o povo com os votos dos quais querem se eleger. Os chamados “novos nomes” estão longe de ter um diálogo frutífero com o povo, e por isso, as pesquisas mostram Iris e Marconi como aqueles melhores posicionados nas pesquisas, fruto do diálogo que estes mantiveram com o povo em eleições anteriores. Friboi, não é político, é um empresário que ser político e o povo já há muito desconfia das razões pelas quais o mesmo é motivado. Afinal, ninguém em Goiás conhece alguma atitude ou ação do mega empresário que demonstrasse preocupação com o Bem estar coletivo.
Vanderlan Cardoso, no máximo repetirá 2010. O povo já teve oportunidade de conhecê-lo e a história política goiana mostra que dificilmente emplacará como candidato a ser levado a sério. Considerado um empresário Sério ( com bem mais credibilidade eleitoral do que o Friboi), não acredito que o povo daria a ele a oportunidade de Governar o Estado. Os exemplos históricos, aos quais ele deveria observar vêm das candidaturas de Paulo Roberto Cunha, Ronaldo Caiado e Otávio Lage. Tanto na situação quando na oposição, o personalismo só contribui para prejudicar as possibilidades de avanço dos processos democráticos no Estado, pois todos os nomes colocados tentam chegar até ao povo por meio das chamadas lideranças consolidadas ( deputados, vereadores e prefeitos), muitas delas tão velhas e desacreditadas que faz o povo ficar descrente de participar no sufrágio Eleitoral.


O Cavalo de Tróia.

A contradição do Governo Marconi é não ter oposição forte e ao mesmo tempo sentir-se sitiado. O que parece é que na verdade os adversários estão espalhados. Isso me faz lembrar-se de umas leituras feitas sobre Confúcio. Diz-se que certa vez Confúcio chegou a um Reino e logo foi chamado para aconselhar o Rei. Pediu ao Rei um prazo para que tivesse um conselho que refletisse a realidade.  Chegando lá, ficou o tempo todo em silêncio, ouviu o Rei, ouviu os conselheiros do Rei, e a esposa do Rei. Depois de a todos ouvir, e antes que terminasse o prazo dado pelo Rei, Confúcio reuniu os seus discípulos que o seguiam e disse que aqueles que quisessem continuar com ele deveriam partir na madrugada e em segredo. Inquirido sobre a razão de tal atitude Confúcio respondeu mais ou menos assim: Em um Reino onde quem manda não tem a segurança de que manda, e quem pensa que manda, na verdade não tem poder de mando o destino é o sangue e carnificina. Pouco tempo depois, aquele reino caiu em meio a traições, mortes, assassinatos e cruel carnificina.
Em artigo anterior, neste blog já havia escrito que é difícil analisar quem realmente tem influência política majoritária em Goiás. Na linguagem Confuciana, quem tem o TAO. E, dentro do governo, os últimos acontecimentos parecem mostrar o mesmo. A direita em Goiás tornou-se pluripartidária e a esquerda democrática apequenou-se. A realidade é que neste vazio surgiram diversos aventureiros servindo-se de ideias frágeis e já  superadas para ocupar um espaço da carência dos sentimentos humanos e transformá-los em objetos do fazer política, poder e de governar. No futebol, tais jogadores são chamados de “Pernas de Pau”, que entram em campo por falta de bons jogadores ou por que os bons jogadores se recusaram a jogar por falta de um bom juiz. O resultado da falta dos bons jogadores é a bola sendo jogada de qualquer jeito e os times sem aquele jogador meio campista que organiza o jogo e o torna um espetáculo belo de ser assistido.  A pancadaria que se vê na imprensa, tanto de oposição contra oposição, situação contra situação e oposição contra situação reflete a fata que faz bons jogadores em campo. Neste sentido, muito das adesões recebidas pelo Governador nos últimos anos revelou-se jogadores “pernas de pau”, quando pior, verdadeiros cavalos de troia.

Governar com Projetos e Ideias

Continuando com a metáfora futebolística o Governador Marconi está condenado a renovar o seu time e colocar maior atenção nas capacidades dos jogadores de produzirem boas jogadas, passar e movimentar bem a bola do que na história de fama dos jogadores. Neste sentido, o Governador precisa começar a repensar o projeto de desenvolvimento do Estado colocando o desenvolvimento humano a frente do desenvolvimento econômico; reforçando o aspecto progressista do Governo e a preocupação com o futuro das novas gerações. As ideias de sustentabilidade, poder local, combate a corrupção, defesa dos direitos humanos, combate a violência, ao tráfico humano, dentre outros deve tomar o lugar dos discursos centrado em pessoas e nas suas pretensas habilidades de bem governar. Não serão pessoas que irão fazer de Goiás um estado melhor para se viver, serão ideias progressistas transformadas em ações por pessoas que tem a capacidade de fazê-lo coletivamente.

Goiás carece de um projeto de Governo, mas, sobretudo, padece também de um projeto de reestruturação do estado que estabeleça novas relações entre o Estado e a Sociedade Goiana. Os velhos coronéis precisam entender que os tempos são outros, que a globalização exige a evolução do local, e que o desenvolvimento humano precisa acompanhar o desenvolvimento econômico. Preservação do meio ambiente não pode ser mais uma preocupação de um grupo de idealistas isolados, mas de todo homem público que queira bem governar. A reestruturação do estado deve ser pensada a partir da complexidade existente entre os aspectos globais e locais da existência humana para que se possa pensar um projeto que de fato faça avançar as conquistas por uma sociedade mais e justa e democrática.  Não se trata de negar os avanços, mas de compreender a necessidade de se continuar avançando.