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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A Escola Pública e o Racismo Institucional.


Nelson Soares dos Santos[1]
Goiás com a nota 3.8, tem a melhor Educação do Brasil, e, por esta razão comemora alegremente o Governador Marconi Perillo. O que muitos não percebem é que esta melhor Educação do Brasil está 0,1 ponto abaixo da média minimamente aceitável e portanto é uma educação reprovada. Outras curiosidades é ainda menos percebidas, por exemplo: A média nacional da escola privada ficou em 6,9, e esta mesma média da educação privada em Goiás, ficou em 5.7.  Pior é saber que os pais dos filhos que estudam nas escolas privadas não estão satisfeitos com desempenho destas escolas e que muitos como o próprio Governador mandam seus filhos para outros estados ou mesmo para a Suíca.
A pergunta que tem que ser feita é: Quem estuda na escola pública? Quem estuda na escola privada? Quem estuda na escola pública em Goiás? E quem estuda na escola privada em Goiás? A resposta a estas perguntas pode nos dizer o que realmente pensa o Governador sobre o desempenho da escola pública em Goiás, e, mesmo da escola privada. Vamos as estatísticas por aproximação. Mais de 80% são negros, e 100% dos que estudando nas escolas públicas são pobres. Explicando: quem estuda na escola pública é negro e pobre, ou qualquer outra coisa desde que seja pobre. Simplificando: ninguém que tem a mínima condição financeira de colocar um filho na escola privada deixa-o na escola pública.
Daí surge minha tese: a existência da escola pública da qual um governador tem coragem de comemorar uma nota abaixo da média minimamente aceitável é uma prova inequívoca da existência de um racismo institucional, uma vez que a maioria dos pobres é negra não existe interesse destes mesmos governos de transformar a escola pública em escola de qualidade, ou na pior das hipóteses há um descaso destes governantes com a luta contra a pobreza ou a emancipação social no sentido de construção de uma verdadeira cidadania. E assim, eu posso afirmar: Marconi e Dilma Roussef são racistas, pois nada fez em 12 anos, para mudar a realidade de uma massa de negros que se tivessem tido acesso a uma escola de qualidade teriam construído uma verdadeira cidadania.
Nenhuma luta contra o racismo, nenhuma luta contra o machismo, nenhuma luta contra a homofobia ou qualquer outra forma de preconceito, terá sentido se não se fizer uma revolução na educação brasileira. A escola pública no Brasil tem se transforma em um gueto que impede a emancipação social das minorias. E no caso da minoria negra ( que na verdade é uma maioria), a escola pública tem se transformado em um grande obstáculo a emancipação social. E não quero aqui negar nenhum dos males da escola privada no Brasil, que carente de um currículo humanizado não consegue combater as formas de preconceito, expondo os jovens negros, mulheres, e LGBTs, a formas de discriminação tão cruéis que muitas vezes compromete o futuro e o desempenho dos mesmos. Entretanto, urge que olhemos para escola pública, pois esta se transformou em uma máquina de assassinato em massa de jovens e do próprio futuro país.
Quando vejo Marconi comemorando os números da educação em Goiás, é como ouvi-lo dizer: “uma educação ruim é o máximo que esta negrada merece. Negros e pobres não precisam de educação de qualidade. Está bom demais assim. Devemos ficar felizes e comemorar, isso é muito mais do que eles merecem”. Isso é racismo, é preconceito, é desprezo para com os seres humanos que estudam na escola pública. É não reconhecer que todos os indivíduos nascem com  talentos e potencialidades que não depende de sua classe social, raça ou opção sexual. A educação pública em  Goiás e no Brasil é desumana, cruel e excludente. E por isso que precisamos de um novo modelo de educação, de um novo modelo de governo, democratizar a democracia e tratar todos os cidadãos como seres humanos dando a cada um da possibilidade de desenvolver suas potencialidades latentes.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

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