Nelson
Soares dos Santos[1]
Goiás com a nota 3.8, tem a melhor Educação do Brasil, e, por esta razão
comemora alegremente o Governador Marconi Perillo. O que muitos não percebem é
que esta melhor Educação do Brasil está 0,1 ponto abaixo da média minimamente
aceitável e portanto é uma educação reprovada. Outras curiosidades é ainda
menos percebidas, por exemplo: A média nacional da escola privada ficou em 6,9,
e esta mesma média da educação privada em Goiás, ficou em 5.7. Pior é saber que os pais dos filhos que
estudam nas escolas privadas não estão satisfeitos com desempenho destas
escolas e que muitos como o próprio Governador mandam seus filhos para outros
estados ou mesmo para a Suíca.
A pergunta que tem que ser feita é: Quem estuda na escola pública? Quem
estuda na escola privada? Quem estuda na escola pública em Goiás? E quem estuda
na escola privada em Goiás? A resposta a estas perguntas pode nos dizer o que
realmente pensa o Governador sobre o desempenho da escola pública em Goiás, e,
mesmo da escola privada. Vamos as estatísticas por aproximação. Mais de 80% são
negros, e 100% dos que estudando nas escolas públicas são pobres. Explicando:
quem estuda na escola pública é negro e pobre, ou qualquer outra coisa desde
que seja pobre. Simplificando: ninguém que tem a mínima condição financeira de
colocar um filho na escola privada deixa-o na escola pública.
Daí surge minha tese: a existência da escola pública da qual um
governador tem coragem de comemorar uma nota abaixo da média minimamente
aceitável é uma prova inequívoca da existência de um racismo institucional, uma
vez que a maioria dos pobres é negra não existe interesse destes mesmos
governos de transformar a escola pública em escola de qualidade, ou na pior das
hipóteses há um descaso destes governantes com a luta contra a pobreza ou a
emancipação social no sentido de construção de uma verdadeira cidadania. E
assim, eu posso afirmar: Marconi e Dilma Roussef são racistas, pois nada fez em
12 anos, para mudar a realidade de uma massa de negros que se tivessem tido
acesso a uma escola de qualidade teriam construído uma verdadeira cidadania.
Nenhuma luta contra o racismo, nenhuma luta contra o machismo, nenhuma
luta contra a homofobia ou qualquer outra forma de preconceito, terá sentido se
não se fizer uma revolução na educação brasileira. A escola pública no Brasil
tem se transforma em um gueto que impede a emancipação social das minorias. E
no caso da minoria negra ( que na verdade é uma maioria), a escola pública tem
se transformado em um grande obstáculo a emancipação social. E não quero aqui
negar nenhum dos males da escola privada no Brasil, que carente de um currículo
humanizado não consegue combater as formas de preconceito, expondo os jovens
negros, mulheres, e LGBTs, a formas de discriminação tão cruéis que muitas
vezes compromete o futuro e o desempenho dos mesmos. Entretanto, urge que
olhemos para escola pública, pois esta se transformou em uma máquina de
assassinato em massa de jovens e do próprio futuro país.
Quando vejo Marconi comemorando os números da educação em Goiás, é como
ouvi-lo dizer: “uma educação ruim é o máximo que esta negrada merece. Negros e
pobres não precisam de educação de qualidade. Está bom demais assim. Devemos
ficar felizes e comemorar, isso é muito mais do que eles merecem”. Isso é
racismo, é preconceito, é desprezo para com os seres humanos que estudam na
escola pública. É não reconhecer que todos os indivíduos nascem com talentos e potencialidades que não depende de
sua classe social, raça ou opção sexual. A educação pública em Goiás e no Brasil é desumana, cruel e excludente.
E por isso que precisamos de um novo modelo de educação, de um novo modelo de
governo, democratizar a democracia e tratar todos os cidadãos como seres
humanos dando a cada um da possibilidade de desenvolver suas potencialidades
latentes.
[1]
Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro da Direção Nacional
do Partido Popular Socialista.
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