O papel dos pequenos partidos no desenvolvimento da democracia em Goiás
Escrito e publico em maio de 2005 no Link abaixo, vale a pena ler de novo.
Que
a política em Goiás é marcada pelo coronelismo, fisiologismo e corrupção é senso
comum para todas as pessoas. No entanto, nos últimos anos um fenômeno está se
desenvolvendo de forma alarmante. Os pequenos partidos se tornaram um
instrumento de compra de votos nas eleições e a engenharia de como isso é feito
é dar inveja a célebres antropólogos que teriam em Goiás um fecundo campo de
estudo.
Parece
que tudo começou quando com o processo de democratização nos anos 80, deputados
que sequer eram conhecidos em algumas regiões resolveram “negociar” apoio de
pequenas lideranças locais para “invadir” a base eleitoral dos adversários. Para
conseguir tal intento, ofereciam pequenas vantagens e “estrutura” para as
pequenas lideranças realizar a campanha de divulgação do seu nome. Logo, tal estratégia evoluiu para
“negociação” de apoio de prefeitos e vereadores que viram nas pequenas
lideranças uma ameaça á sua hegemonia local. Com isso, nos municípios, os
prefeitos aprenderam a “liberar” as bases. Assim, criava-se uma confusão onde na
atualidade ninguém sabe direito quem apóia quem, e favorece a manutenção das
hegemonias locais.
Quando
apertou o cerco na questão da fidelidade partidária, a saída de algumas
lideranças foi então “pegar” siglas partidárias, organizar comissões provisórias
municipais para em seguida “negociar” com candidatos a prefeito ou nas eleições majoritárias
deputados estaduais e federais o “apoio”, que sempre vem acompanhado de
despesas, despesas, despesas. Cada pequena liderança sai então, no desespero em
busca de uma sigla que lhe dê garantia que ele vá depois morder um pedaço do
bolo. Isso criou outro fenômeno: as disputas internas por poder dentro dos
partidos sem nenhum componente ideológico.
Creio
que quando o Deputado Vilmar Rocha e seus companheiros afirmam que no Brasil não
existe mais direita ou esquerda, na verdade, eles estão querendo dizer que os
Partidos Políticos no Brasil perderam suas identidades ideológicas e passaram a
ser um agrupamento de pessoas, cujo motivo que os une e a conquista e a
repartição do poder ou da perspectiva do poder. O exemplo do PSD, em Goiás, é
claro, um ajuntamento descontentes que
não acreditam ter perspectiva de poder nos partidos onde estavam. Neste
sentido, os pequenos partidos que poderiam se tornar instrumentos do
desenvolvimento de uma democracia radical, acabam sendo instrumentos apenas de
luta pelo poder, sem embasamento de nenhum projeto de sociedade.
Deste
fenômeno padece tanto a coligação do Governo no Estado de Goiás, quanto a
coligação que está na Oposição. Ambas são vítimas de um fisiologismo
desenfreado, que muitas vezes, é alimentado pelas lideranças intermediárias, que
vê nesta situação uma maneira de se manter no poder e no círculo de influência
do Poder. Em Goiás, eu desafio que me seja mostrado pequenas lideranças que
vieram a ocupar espaço político e prestar serviços ao estado sem se aliar
incondicionalmente a fulano ou ciclano. Alguns chamam isso de ter grupo, eu
chamo de estranho fisiologismo, por que simplesmente tira a possibilidade de
pensarmos de forma independente, exercer o pensamento crítico, e pior, retira
mesmo a liberdade de expressão. Caso houvesse nos partidos uma discussão de
idéias, e se aproveitasse os melhores quadros para prestar serviço à sociedade,
concordaria que é preciso respeitar a idéia de grupo, mas não é esta a questão e
por isso desafio que me seja mostrado algum grupo político em Goiás, cujo
mecanismo de crescimento dos quadros é o mérito de serem quadros qualificados e
não aliados incondicionais do principal líder do grupo.
Desta
forma, os pequenos partidos se tornam cada vez mais caros para as coligações e
os governantes, uma vez que estes são obrigados a “negociar” no varejo, pessoa
por pessoa, quando na verdade, seria o papel destes pequenos partidos
aproximarem os governantes da população, dos grupos minoritários para que
pudesse levar o atendimento do estado às demandas requeridas pelo povo. Perdidos
em suas próprias lutas por migalhas de poder, os pequenos partidos deixam de
atender e representar uma grande parcela da sociedade que confia a eles o papel
de representá-los e não de vendê-los, como gado, seja na estrutura do estado em
troca de cargos, ou na estrutura interna dos partidos em troca de espaço para
futuras negociações. Macktub.
Nenhum comentário:
Postar um comentário