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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Serra Para Presidente ?


Nelson Soares dos Santos[1]

Em 2010, três candidatos se apresentaram ao eleitorado como opções viáveis e relevantes na disputa pelo cargo de presidente da república: Dilma, a eleita, e sucessora de Lula; José Serra, do PSDB, e Marina Silva, ex quadro do PT, concorreu pelo PV e teve mais de vinte milhões de votos. No final, Dilma venceu Serra e hoje governa um país em dificuldades em um cenário que na época poucos previam acontecer. Naquela época, José Serra perdeu muitos votos ao lidar com questões caras ao cidadão e controversas como a questão do aborto, a questão do meio ambiente, o papel do Estado e a questão da privatização, dentre outros.
Enquanto se aproxima 2014, temos um cenário ainda nebuloso, mas aqueles que se consideram jogadores movimentam-se de forma, as vezes desordenada e titubeante, em um cenário pantanoso ou quando não, cheio de areias movediças. As crises da economia, o barulho que vem das ruas são alguns dos elementos que torna o embate do ano seguinte incerto e perigoso para quem ousa se movimentar demais agora.
É neste cenário que aparece, pelo menos, cinco candidatos que possa vir a ser considerados relevantes na disputa. Eduardo Campos ( PSB), Dilma ( PT), Marina Silva ( Rede), Aécio Neves ( PSDB), e José Serra ( ainda no PSDB, mas que pode concorrer pelo PPS). Os mais prováveis de se confirmar é Aécio Neves (PSDB), e Dilma Roussef ( PT). O primeiro pela tradição do PSDB, desde o Governo FHC, apresentar candidato majoritário; segunda, pela lógica do processo da reeleição. Marina Silva Ainda enfrenta as incertezas da formação do seu “novo” partido novo, e José Serra, vendo-se sem apoio no PSDB, resta-lhe a opção de deixar o partido para tentar viabilizar-se por outra sigla, e o que está disponível é o PPS.

Serra como Político.

A questão é: tendo disputado a eleição por três vezes, estaria o eleitor disposto a votar em Serra novamente e dar-lhe o papel de se contrapor a situação vigente como fez nas últimas eleições, tornando-o o segundo mais votado?
As eleições de 2014 podem se tornar o ano da reinvenção da política nos processos eleitorais do Brasil, e assim, será viável para concorrer, o político que souber se reinventar. A biografia de José Serra tem elementos que permite vê-lo como um quadro digno de participar deste momento histórico, mas para isso, o mesmo terá que recuperar um aspecto de sua jornada política já quase não lembrada – o tempo da militância estudantil.
O  tempo de hoje é do diálogo com as multidões em todas as suas formas. As redes sociais virtuais precisam tornar-se reais para que todas as redes de sociabilidade se interliguem e a sociedade possa se impor por sobre os grupos que a par de defender os próprios interesses se apresentam como defensores dos interesses de toda a sociedade. Contra a filosofia do consumismo e do volátil, sobreviverão aqueles que conseguirem incorporar a ideia da durabilidade nas relações e nos projetos que serão apresentados.
Errará quem vier a considerar que as manifestações que estão nas ruas são tudo o que a sociedade reivindica e até perigoso pensar assim. O silêncio daqueles que nada dizem deve ser ouvido tanto quanto os gritos multifacetados e estridentes, por vezes agressivos e violentos. Errará quem considerar que nos processos vividos de convulsão social os mecanismos de controle postos em disputas são apenas internos e locais. O processo de globalização já espalhou seus últimos males e as disputas locais estão atreladas a interesses globais em disputa, em um momento em que as riquezas mais promissoras vêm da existência de fartos recursos humanos e naturais.
O quadro pede profunda preocupação com a construção de infraestrutura para o país, mas não a infraestrutura faraônica, e sim, aquela regida por intensa preocupação com o desenvolvimento humano e a democracia. É o desenvolvimento humano que regerá os movimentos oscilatórios da vontade da coletividade. E pensar o desenvolvimento humano significa pensar em meios de melhorar com rapidez a situação da saúde, da Segurança, da Educação, da mobilidade urbana e da sustentabilidade.
José Serra poderá vir a representar todas estas demandas com legitimidade, se assumir posições progressistas naquilo que a nossa democracia tem avançado, para que se tenha  a oportunidade de diálogo com as classes que mais exercitam a cidadania política no país. Temas como aborto, estado laico e direitos humanos devem ser discutidos com franqueza, sinceridade, veracidade e prudência, sobretudo para que se passe a mensagem correta sem desvios e ou contradições.

Serra e o Patrimônio do PPS.

A coluna dorsal que sustenta o PPS ainda é a tradição Pcebeista. No PPS Serra deverá ter claro que, apesar de pequeno, o partido possui uma grande tradição e um valor perante a sociedade que precisa ser respeita, sob o risco de sua organicidade não digerir movimentos bruscos e estonteantes. O partido possui quadros altamente preparados, como Rubens Bueno, Roberto Freire, Raul Jugmam, e muitos outros em ascensão no Estado do Espirito Santo, Amazonas, Maranhão, etc.
Construir um diálogo fundado na valorização desta tradição, significa respeitar o processo da democracia interna, o processo congressual e o modus operandis de construção de projetos necessários ao desenvolvimento do país. A valorização do poder local é hoje um elemento importante na mentalidade ppsista e seu principal instrumento de crescimento. A sustentabilidade, o diálogo em rede, a abertura a todas as formas de participação cidadã, e, mais do que isso , um profundo compromisso com o futuro das novas gerações.
Observado estes quesitos, tenho certeza que a chegada de Serra ao PPS, e sua candidatura a presidente do Brasil pela quarta vez, será uma contribuição para a construção de um país mais justo, com desenvolvimento humano  e avanço constante da democracia. As novas gerações lembrará deste momento e muitos o observarão com o orgulho de dele terem participado.




[1] Nelson Soares  dos Santos é Técnico em Magistério, Pedagogo, Mestre em Educação, filiado e dirigente do PPS em Goiás. 

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