Nelson Soares dos Santos
Muita
gente faz política com uma profusão de sentimentos e esquece o fato fundamental:
A política é arte da Guerra e a guerra é a tarefa essencial do estado, disse
Sun Tzu muitos séculos antes de nós chegarmos a esta terra. Todos aqueles que
ingressam na política deveriam saber que estão entrando em uma zona de guerra e
o que mudas são as razões pelas quais cada um dos que se envolvem, travam suas
batalhas. A grande maioria luta pelo poder, o poder do mando, o poder de serem
admirados, respeitados, amados e ou temidos. São poucos, muitos poucos aqueles
que entram nesta seara com o objetivo de utilizar o poder para servir, para
fazer avançar a consciência humana e tornar o mundo melhor.
Depois
de se torar quase incontestável por quase 16 anos foi desbancado nesta luta por
Marconi Perillo, que em 1998 trouxe esperanças para um povo fatigado. Um povo
que se cansou de ver os direitos humanos serem desrespeitados no Estado, que
via uma obra física ter mais valor que um ser humano, que via a perseguição política
crescer em todo o Estado. O primeiro Governo Marconi foi o momento em que o Estado
reassumiu o seu papel de buscar o equilíbrio entre as classes, categorias e
grupos da sociedade civil que compõe a sociedade Goiana.
Este
papel começou a se fragilizar no segundo Governo, e já no Governo Alcides
sofreu uma forte paralisia. Aliado a conjuntura nacional, os movimentos sociais
foram totalmente manietados por discursos políticos conservadores e maniqueístas
fazendo com que o Estado e as cúpulas
dos movimentos sociais e populares perdesse o contato com o povo, com a vida
cotidiana e com aquilo que é mais importante para o cidadão : a busca por
melhoria da qualidade de vida e da felicidade.
Foi
os desejos de retomar os caminhos
trilhados a partir de 1998 que levou Marconi Perillo ao seu terceiro Governo em
2010. Entretanto, parte do eleitorado viu-se frustrado pelas primeiras manobras
políticas realizadas logo no pós-eleição: o processo de cooptação, a forma de
montagem do governo ( que leva muitas vezes a perseguições políticas de cunho
pessoal), e os inúmeros escândalos nos quais políticos de todos os matizes
ideológicos se viram envolvidos, turvou o sonho de que se poderia avançar em
desenvolvimento humano, sustentabilidade e democracia. Foi diante deste quadro
que muitos adversários e até mesmo certos aliados viram o Governador Marconi
praticamente fora do páreo em 2014 ou com poucas chances de vencer novamente.
Para
entretanto, contrariar seus adversários, Marconi Perillo vem fazendo algumas
coisas que por serem sutis nem mesmo os aliados mais próximos estão percebendo.
Primeiro, reaproximou-se do povo, visitando a maior parte dos municípios
goianos em curtíssimo espaço de tempo. Nestas visitas vem reforçando o aspecto
progressista do seu governo focado em desenvolvimento humano, respeito aos
movimentos sociais e a democracia. Aliado a isso, constrói obras em todo o
estado firmando a ideia de bom gestor. Esforça-se por enfrentar problemas
graves com a questão da Autonomia e fortalecimento da UEG, ( vide mudança de
reitor e estrutura de gestão), os problemas da segurança pública ( mudança de
secretário, forma de atuação e criação de nova secretaria de gestão
penitenciária), na saúde, esforça por apresentar resultados na construção de
hospitais e de melhoria na gestão.
O Grande problema do Governador ainda é a
relação com os servidores públicos que patina na Educação, Saúde e Segurança
Pública. O caso da data-base dos servidores, em pauta na Assembleia, é o sinal
mais claro desta situação No caso da UEG, a questão da autonomia pode ajudar
muito, mas ainda é pouco, para um problema que se tornou enorme, pois a
Universidade possui uma forte ligação e funciona como ressonância dos protestos
dos servidores da educação. No caso da Educação, os avanços foram poucos e não
há mais tempo para resultados em curto prazo. Resta criatividade na Saúde e na
Segurança Pública, pois nestas áreas é possível resultados mais rápidos.
Na
política, cercou-se de aliados leais e bem articulado agiu para ter um controle
de todos os partidos da base aliada e evitar deserções. As últimas
movimentações mostram bem este fato com a ida de José Élinto para o PP, e de
José Gomes da Rocha para o PTB. Vilmar Rocha e Thiago Peixoto no PSD. Roberto
Balestra e José Éliton no PP, Jovair Arantes e José Gomes da Rocha no PTB
garante uma coligação mínima de três grandes partidos mais o PSDB, no projeto de reeleição. Nos pequenos
partidos agiu para ter o PSL, PRB, PT do B, PV e outros, no sentido de esvaziar
uma possível terceira via que pudesse surgir aliada a possibilidade de palanque
nacional para Marina Santana ou outro candidato fora do eixo PT/PMDB.
Por
tudo isso é que é preciso ver a política de forma menos sentimental, pois,
aliado a estes fatos, se junta à desorganização do PMDB, maior partido da
oposição, que em tempo de se fortalecer, digladia-se internamente com a
presença de Júnior Friboi a desafiar o velho líder Iris Resende Machado. O PT,
embora com nomes fortes, encontra-se acoplado ao PMDB diante da conjuntura
nacional, e a famosa terceira via representada por Vanderlam Cardoso, perde
força na medida em que se apresenta aliado a Ronaldo Caiado considerado no meio
do povo como representante do que de mais atrasado existe na política goiana. O
que se vê portanto, é um cenário, onde Marconi poderá chegar em 2014, sem
grandes adversários, e com o mesmo desafio que em Iris em 1998 – Explicar-se
para o povo por que não conseguiu atender as expectativas nele depositadas em
16 anos de governo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário