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terça-feira, 3 de setembro de 2013

A reação de um Guerreiro.


Nelson Soares dos Santos

Muita gente faz política com uma profusão de sentimentos e esquece o fato fundamental: A política é arte da Guerra e a guerra é a tarefa essencial do estado, disse Sun Tzu muitos séculos antes de nós chegarmos a esta terra. Todos aqueles que ingressam na política deveriam saber que estão entrando em uma zona de guerra e o que mudas são as razões pelas quais cada um dos que se envolvem, travam suas batalhas. A grande maioria luta pelo poder, o poder do mando, o poder de serem admirados, respeitados, amados e ou temidos. São poucos, muitos poucos aqueles que entram nesta seara com o objetivo de utilizar o poder para servir, para fazer avançar a consciência humana e tornar o mundo melhor.
Depois de se torar quase incontestável por quase 16 anos foi desbancado nesta luta por Marconi Perillo, que em 1998 trouxe esperanças para um povo fatigado. Um povo que se cansou de ver os direitos humanos serem desrespeitados no Estado, que via uma obra física ter mais valor que um ser humano, que via a perseguição política crescer em todo o Estado. O primeiro Governo Marconi foi o momento em que o Estado reassumiu o seu papel de buscar o equilíbrio entre as classes, categorias e grupos da sociedade civil que compõe a sociedade Goiana.
Este papel começou a se fragilizar no segundo Governo, e já no Governo Alcides sofreu uma forte paralisia. Aliado a conjuntura nacional, os movimentos sociais foram totalmente manietados por discursos políticos conservadores e maniqueístas fazendo com que o Estado e  as cúpulas dos movimentos sociais e populares perdesse o contato com o povo, com a vida cotidiana e com aquilo que é mais importante para o cidadão : a busca por melhoria da qualidade de vida e da felicidade.
Foi  os desejos de retomar os caminhos trilhados a partir de 1998 que levou Marconi Perillo ao seu terceiro Governo em 2010. Entretanto, parte do eleitorado viu-se frustrado pelas primeiras manobras políticas realizadas logo no pós-eleição: o processo de cooptação, a forma de montagem do governo ( que leva muitas vezes a perseguições políticas de cunho pessoal), e os inúmeros escândalos nos quais políticos de todos os matizes ideológicos se viram envolvidos, turvou o sonho de que se poderia avançar em desenvolvimento humano, sustentabilidade e democracia. Foi diante deste quadro que muitos adversários e até mesmo certos aliados viram o Governador Marconi praticamente fora do páreo em 2014 ou com poucas chances de vencer novamente.
Para entretanto, contrariar seus adversários, Marconi Perillo vem fazendo algumas coisas que por serem sutis nem mesmo os aliados mais próximos estão percebendo. Primeiro, reaproximou-se do povo, visitando a maior parte dos municípios goianos em curtíssimo espaço de tempo. Nestas visitas vem reforçando o aspecto progressista do seu governo focado em desenvolvimento humano, respeito aos movimentos sociais e a democracia. Aliado a isso, constrói obras em todo o estado firmando a ideia de bom gestor. Esforça-se por enfrentar problemas graves com a questão da Autonomia e fortalecimento da UEG, ( vide mudança de reitor e estrutura de gestão), os problemas da segurança pública ( mudança de secretário, forma de atuação e criação de nova secretaria de gestão penitenciária), na saúde, esforça por apresentar resultados na construção de hospitais e de melhoria na gestão.
 O Grande problema do Governador ainda é a relação com os servidores públicos que patina na Educação, Saúde e Segurança Pública. O caso da data-base dos servidores, em pauta na Assembleia, é o sinal mais claro desta situação No caso da UEG, a questão da autonomia pode ajudar muito, mas ainda é pouco, para um problema que se tornou enorme, pois a Universidade possui uma forte ligação e funciona como ressonância dos protestos dos servidores da educação. No caso da Educação, os avanços foram poucos e não há mais tempo para resultados em curto prazo. Resta criatividade na Saúde e na Segurança Pública, pois nestas áreas é possível resultados mais rápidos.
Na política, cercou-se de aliados leais e bem articulado agiu para ter um controle de todos os partidos da base aliada e evitar deserções. As últimas movimentações mostram bem este fato com a ida de José Élinto para o PP, e de José Gomes da Rocha para o PTB. Vilmar Rocha e Thiago Peixoto no PSD. Roberto Balestra e José Éliton no PP, Jovair Arantes e José Gomes da Rocha no PTB garante uma coligação mínima de três grandes partidos mais o PSDB,  no projeto de reeleição. Nos pequenos partidos agiu para ter o PSL, PRB, PT do B, PV e outros, no sentido de esvaziar uma possível terceira via que pudesse surgir aliada a possibilidade de palanque nacional para Marina Santana ou outro candidato fora do eixo PT/PMDB.

Por tudo isso é que é preciso ver a política de forma menos sentimental, pois, aliado a estes fatos, se junta à desorganização do PMDB, maior partido da oposição, que em tempo de se fortalecer, digladia-se internamente com a presença de Júnior Friboi a desafiar o velho líder Iris Resende Machado. O PT, embora com nomes fortes, encontra-se acoplado ao PMDB diante da conjuntura nacional, e a famosa terceira via representada por Vanderlam Cardoso, perde força na medida em que se apresenta aliado a Ronaldo Caiado considerado no meio do povo como representante do que de mais atrasado existe na política goiana. O que se vê portanto, é um cenário, onde Marconi poderá chegar em 2014, sem grandes adversários, e com o mesmo desafio que em Iris em 1998 – Explicar-se para o povo por que não conseguiu atender as expectativas nele depositadas em 16 anos de governo.

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