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domingo, 26 de maio de 2013

Paulo Garcia, o Plano Diretor e o discurso autoritário


 

Nelson Soares dos Santos

A primeira impressão que se tem ao ler a entrevista de Paulo Garcia é de estar lendo um texto coeso, forte e convincente. Mas esta é apenas a primeira impressão. Uma segunda, terceira leitura e começa a aparecer as incongruências de um discurso que não pode se sustentar por que a realidade não permite. Podemos começar pelo que o Paulo diz sobre o Plano Diretor. No momento de maior intransigência ele diz: “Muito pouca gente fez a leitura, e, se ela tiver sido lida quem critica o faz com omissão por que não fala dos grandes avanços que estas alterações estão promovendo”. De uma tacada o Prefeito que parece copiar Lula, coloca todo o resto do mundo como irresponsável, incluindo o Ministério Público que move ação contra o tal projeto avançado.

De outrora Paulo erra. Ninguém é obrigado a compreender como avanço aquilo que ele o compreende como tal. O que pode ser avanço para o prefeito, pode não ser para os demais, começando pelo combativo vereador, que é do mesmo partido dele e que luta em busca de assinaturas para tentar barrar o plano diretor. Eu duvido que o Ministério Público não tenha lido, duvido que o vereador  não tenha lido. E eu mesmo li, não consegui encontrar tantos avanços assim, aliás, concordo com  a maioria dos opositores quando afirmam que o referido Plano pode trazer mais problemas que solução.

Em outra tacada espetacular o Prefeito, indiretamente, faz afirmações cruéis contra a sua base de apoio. Afirma que o projeto foi sancionado com rapidez por que do jeito que foi para Câmara retornou, que não teve nenhuma emenda, e por isso não havia mais o que refletir. Olhando duas vezes para o mesmo texto pode nos revelar muito: a)  o projeto era algo de bolso já pronto há muito tempo e bem combinado com os vereadores da base; b)não se deu a mínima para o que se pensa a população que será afetada pelas mudanças.

Ao longo da entrevista o prefeito vai demonstrando um aspecto autoritário. “ Existem críticas, eu respeito, mas não acato”. Outrora vais demonstrando até mesmo falta de respeito para com aqueles que discordam de suas propostas. E ao falar sobre as propostas de campanha, os 81 CMEIS prometidos, diz que a demanda está diminuindo. Eu não acredito, na verdade, começa desde já a justificar ou buscar uma razão para não cumprir a promessa de campanha.

Ao falar sobre as eleições de 2014, deixa transparecer aquilo que todo mundo já sabe e apenas Friboi ainda tem alguma ilusão. Iris não sendo candidato Paulo Garcia será. Até que não é ruim o Friboi não ser candidato. Afinal, não é mesmo um bom candidato, mas também é bom perceber e refletir sobre como os subterrâneos da política se mostram na superfície. Nas oposições não haverá espaço para o novo em 2014, nem mesmo para Friboi ou Vanderlan Cardoso. Este último, mais sagaz caiu fora enquanto podia. O novo terá dificuldade de aparecer em 2014, mesmo nos cargos proporcionais.

Por fim, fica, ao ler a entrevista, a impressão que Goiás andou para trás quando o assunto é homens públicos estadistas, democratas e progressistas. Parece não haver espaço para um Pedro Wilson, Aldo Arantes, Henrique Santillo nos dias atuais. Uma onda de autoritarismo aparece nas falas, nas entrevistas, nos discursos. Qualquer um que ouvir os últimos discursos feitos por Vanderlan Cardoso, Friboi, Iris Rezende, Rubens Ottoni, Antônio Gomide, e tantos outros, dá  a impressão de que vivemos um momento nos quais o bom senso e a o espírito democrático parece refluir, e os projetos e ideias dão lugar a discursos autoritários e decadentes.

O Mal do Personalismo e a necessidade de um projeto.


 

Nelson Soares dos Santos

Não são poucos os exemplos da história que comprovam ser difícil a arte de Governar. Compêndios foram escritos, descrições efetivas de momentos cruciais da história da humanidade mostra o governo uma das atividades mais difíceis de realizar. Por isso, aquele que consegue conquistar o poder, manter e perpetuar-se no poder é digno de honras e glórias. Para nós, goianos, três referências imagéticas permeiam nossa mente quando falamos do poder: Lula, Iris e Marconi. O primeiro por sua proeza de ter sido o primeiro operário a se tornar presidente da república; o segundo pela inconteste contribuição já dada ao desenvolvimento do nosso estado; e o terceiro por ser o presente daquilo que se pode considerar a honra de ser um vencedor.  Com todas as críticas que podem ser feitas ( e existem críticas justas que devem ser feitas), na política Goiana Marconi é o nome que representa o poder e a honra da difícil arte de Governar.

Governar para o Povo.

Marconi representa tal fato por diversas razões, a maior delas por ter sido aquele que derrotou o Irismo depois de 16 anos de poder, e outras não menores, como por exemplo, ter contribuído para um arejamento democrático nos seus dois primeiros governos. Quiçá, seja um vencendor, Marconi vive diversos dilemas da difícil arte de governar depois de perpetuar-se no poder e tornar-se vítima das armadilhas impostas pelo poder. Há um livro, que li e não gostei, que mostra de uma forma clara tais armadilhas. O titulo é “48 Leis do Poder”. Segundo tal livro toda vez que se constrói um império ou um governo com o tempo o governante vê se cercado de pessoas que estão mais preocupadas em acercar-se das vantagens do poder do que se preocupar com os destinos do Governo ou o bem estar coletivo, e que, portanto, as intrigas, as disputas,  tornam-se constantes, por vezes colocando em risco os destinos do governo.

As recentes manchetes de jornais mostram um alerta ao governador. As disputas internas entre os grupos estão chegando ao paroxismo. Dos bastidores extravasaram-se para os jornais e muitos resolveram até dialogar por notas oficiais publicadas em jornais e na internet. Quando um dos nomes mais fortes do Governo resolve desabafar na imprensa afirmando que existe bandidos no Governo alguma coisa já passou do limite. É como se já se soubesse mais quem de fato manda no Governo, segundo o Greene, aquele das “48 Leis do Poder”. A receita seria então uns choques de autoridade, demitindo aqueles que se acham intocáveis, valorizando novos quadros, vindo do meio do povo e quebrando o isolamento entre o povo e o Governo.  O desabafo do secretário mostra que existem sinais dos tempos que precisam ser lidos sobre os rumos do poder em goiás, ou do contrário seremos vítimas de aventureiros.

Oposição e Situação  - vítimas  do Mesmo mal.

Para uma leitura dos sinais dos tempos é preciso, antes, compreender o tempo que vivemos, e para se compreender o tempo no qual vivemos é preciso aceitar sua complexidade. Na política em Goiás, não é diferente. Se base de Marconi Perillo peca-se pelo personalismo exagerado fazendo tudo girar em torno de nomes e deixando os projetos, as ideias e os partidos em segundo plano; na oposição não é diferente.

Na verdade, sequer existe oposição em Goiás. O que existe são nomes que se digladiam dentro dos partidos ditos de oposição, sempre em busca de holofotes, de forma personalista e longe de estabelecer um diálogo com o povo com os votos dos quais querem se eleger. Os chamados “novos nomes” estão longe de ter um diálogo frutífero com o povo, e por isso, as pesquisas mostram Iris e Marconi como aqueles melhores posicionados nas pesquisas, fruto do diálogo que estes mantiveram com o povo em eleições anteriores. Friboi, não é político, é um empresário que ser político e o povo já há muito desconfia das razões pelas quais o mesmo é motivado. Afinal, ninguém em Goiás conhece alguma atitude ou ação do mega empresário que demonstrasse preocupação com o Bem estar coletivo.

Vanderlan Cardoso, no máximo repetirá 2010. O povo já teve oportunidade de conhecê-lo e a história política goiana mostra que dificilmente emplacará como candidato a ser levado a sério. Considerado um empresário Sério ( com bem mais credibilidade eleitoral do que o Friboi), não acredito que o povo daria a ele a oportunidade de Governar o Estado. Os exemplos históricos, aos quais ele deveria observar vêm das candidaturas de Paulo Roberto Cunha, Ronaldo Caiado e Otávio Lage. Tanto na situação quando na oposição, o personalismo só contribui para prejudicar as possibilidades de avanço dos processos democráticos no Estado, pois todos os nomes colocados tentam chegar até ao povo por meio das chamadas lideranças consolidadas ( deputados, vereadores e prefeitos), muitas delas tão velhas e desacreditadas que faz o povo ficar descrente de participar no sufrágio Eleitoral. 

O Cavalo de Tróia.

A contradição do Governo Marconi é não ter oposição forte e ao mesmo tempo sentir-se sitiado. O que parece é que na verdade os adversários estão espalhados. Isso me faz lembrar-se de umas leituras feitas sobre Confúcio. Diz-se que certa vez Confúcio chegou a um Reino e logo foi chamado para aconselhar o Rei. Pediu ao Rei um prazo para que tivesse um conselho que refletisse a realidade.  Chegando lá, ficou o tempo todo em silêncio, ouviu o Rei, ouviu os conselheiros do Rei, e a esposa do Rei. Depois de a todos ouvir, e antes que terminasse o prazo dado pelo Rei, Confúcio reuniu os seus discípulos que o seguiam e disse que aqueles que quisessem continuar com ele deveriam partir na madrugada e em segredo. Inquirido sobre a razão de tal atitude Confúcio respondeu mais ou menos assim: Em um Reino onde quem manda não tem a segurança de que manda, e quem pensa que manda, na verdade não tem poder de mando o destino é o sangue e carnificina. Pouco tempo depois, aquele reino caiu em meio a traições, mortes, assassinatos e cruel carnificina.

Em artigo anterior, neste blog já havia escrito que é difícil analisar quem realmente tem influência política majoritária em Goiás. Na linguagem Confuciana, quem tem o TAO. E, dentro do governo, os últimos acontecimentos parecem mostrar o mesmo. A direita em Goiás tornou-se pluripartidária e a esquerda democrática apequenou-se. A realidade é que neste vazio surgiram diversos aventureiros servindo-se de ideias frágeis e já  superadas para ocupar um espaço da carência dos sentimentos humanos e transformá-los em objetos do fazer política, poder e de governar. No futebol, tais jogadores são chamados de “Pernas de Pau”, que entram em campo por falta de bons jogadores ou por que os bons jogadores se recusaram a jogar por falta de um bom juiz. O resultado da falta dos bons jogadores é a bola sendo jogada de qualquer jeito e os times sem aquele jogador meio campista que organiza o jogo e o torna um espetáculo belo de ser assistido.  A pancadaria que se vê na imprensa, tanto de oposição contra oposição, situação contra situação e oposição contra situação reflete a fata que faz bons jogadores em campo. Neste sentido, muito das adesões recebidas pelo Governador nos últimos anos revelou-se jogadores “pernas de pau”, quando pior, verdadeiros cavalos de troia.

Governar com Projetos e Ideias

Continuando com a metáfora futebolística o Governador Marconi está condenado a renovar o seu time e colocar maior atenção nas capacidades dos jogadores de produzirem boas jogadas, passar e movimentar bem a bola do que na história de fama dos jogadores. Neste sentido, o Governador precisa começar a repensar o projeto de desenvolvimento do Estado colocando o desenvolvimento humano a frente do desenvolvimento econômico; reforçando o aspecto progressista do Governo e a preocupação com o futuro das novas gerações. As ideias de sustentabilidade, poder local, combate a corrupção, defesa dos direitos humanos, combate a violência, ao tráfico humano, dentre outros deve tomar o lugar dos discursos centrado em pessoas e nas suas pretensas habilidades de bem governar. Não serão pessoas que irão fazer de Goiás um estado melhor para se viver, serão ideias progressistas transformadas em ações por pessoas que tem a capacidade de fazê-lo coletivamente.

Goiás carece de um projeto de Governo, mas, sobretudo, padece também de um projeto de reestruturação do estado que estabeleça novas relações entre o Estado e a Sociedade Goiana. Os velhos coronéis precisam entender que os tempos são outros, que a globalização exige a evolução do local, e que o desenvolvimento humano precisa acompanhar o desenvolvimento econômico. Preservação do meio ambiente não pode ser mais uma preocupação de um grupo de idealistas isolados, mas de todo homem público que queira bem governar. A reestruturação do estado deve ser pensada a partir da complexidade existente entre os aspectos globais e locais da existência humana para que se possa pensar um projeto que de fato faça avançar as conquistas por uma sociedade mais e justa e democrática.  Não se trata de negar os avanços, mas de compreender a necessidade de se continuar avançando.

Contra a onda conservadora e Reacionária

21/05/13
Aborto
Professor Nelson critica declarações de Francisco Jr. e diz que MD lutará pelo direito das mulheres
Francisco Júnior apresentou projeto de lei para eliminar inciso da Constituição Estadual que garante à mulher vítima de estupro ou em risco de vida interromper a gravidez. Para Nelson, o pessedista faz parte de um grupo que provoca atrasos sociais
Marcello Dantas/Jornal Opção
Thiago Burigato

Em entrevista ao Opção Online, o professor universitário Nelson Soares dos Santos, do PPS, criticou as declarações do deputado Francisco Júnior (PSD) a respeito do direito das mulheres ao aborto. Para Nelson, Francisco faz parte de um grupo que provoca atrasos sociais em Goiás e no Brasil, e diz que o partido que está ajudando a fundar, o Mobilização Democrática (MD), resultado da fusão entre o PPS e o PMN, lutará por avanços e pela igualdade da mulher na sociedade.
Francisco Júnior apresentou um projeto de lei (PL) que visa eliminar o inciso XIV, do artigo 153, da Constituição Estadual de Goiás, que garante à mulher vítima de estupro ou em risco de vida por gravidez a devida assistência médica, psicológica e o direito de interromper a gestação. Segundo ele, a permissão da interrupção é um ato contrário à vida e à saúde, sendo também contrário à Declaração Universal dos Direitos do Homem e à Constituição Federal.
Para o deputado, sejam quais forem os motivos, a interrupção da gravidez é uma agressão para a saúde física, mental e emocional da mulher.  “Os filhos são uma parte integrante e significativa de cada família. A ênfase dada à autonomia da mulher sobre sua gravidez prejudica o relacionamento conjugal e familiar”, destacou. Ele ignora, no entanto, que a Constituição Estadual apenas reproduz o artigo 128 do Código Penal, que trata do mesmo tema.
O Professor Nelson diz que as atitudes de Francisco Júnior são apenas “oportunismo” para agradar um setor da sociedade que vai de encontro aos avanços sociais. “Nos causa muita preocupação esse posicionamento do deputado, pois ele prega o retrocesso. Figuras como João Campos, e agora o pessedistas, são prejudiciais para a democracia”, afirma.
Nelson ressalta que o Estado é laico, e diz que noções religiosas não deveriam ser usadas como base para um projeto de lei. “O Estado é laico e tem que se manter assim. É muito preocupante que lideranças transformem um debate não religioso em uma questão religiosa. Quando falamos de aborto ou dos direitos dos homossexuais, por exemplo, não estamos tratando de um assunto pertinente à igreja, mas sim de questões relacionadas à liberdade e ao respeito.”
O professor ressalta que a maioria dos futuros integrantes do MD é favorável à ampliação dos casos em que a interrupção da gravidez deve ser permitida, mas ressalta que, como a fundação do partido ainda não foi oficializada, não existe um posicionamento oficial por parte da legenda. “Nós levantamos a bandeira pela democracia, que é veementemente atacada pelos conservadores”, afirma. “Lutamos em defesa da autonomia da mulher e pela igualdade de gêneros na sociedade.”
Segundo Nelson, Francisco Júnior deveria atuar em “causas mais importantes”, como a dos direitos da crianças e dos adolescentes, a do tráfico humano “e também a da própria violência contra a mulher”.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Desabafo da Ex-Vereadora Gina Tronconi do MD 33 sobre a Saúde em Anápolis.

Hoje estou naquele dia em que me pergunto.Será porque que o mundo é assim tão injusto?Lutamos tanto pela nossa UTI,mas os homens que deveriam valorizar assim não entenderam .Antes precisávamos de incrementos para que contínuássemos prestando serviços aos pacientes do SUS.Inúmeras conversas existiram e lendo a matéria em que o tiítulo diz assim :Governo Marconi libera verba de 20 milhões para melhoria das UTIS pediátricas em Anápolis ,Aparecida de Goiânia e Goiânia.Pronto encontramos a solução para o impasse das UTIs pediátricas em Anápolis.Bom era para ser assim achávamos que tivesse sido resolvido o impasse da desativação dos leitos já escassos,que já não atendiam a demanda de uma cidade de quase quatrocentos mil habitantes.O que mais me espanta que conversando com o secretário de saúde de nosso município em nossas conversas dizia sempre a mesma coisa não tem dinheiro,para saúde.Não tem verba .Fico por entender,milhões se gastam com p...raças,propagandas em toda mídia ,informativos espalhados por toda cidade em papéis caríssimos,falando dos feitos da administração.Como não ter dinheiro para cuidar de nossos pequeninos,e ainda vai a mídia faltar com a verdade .Disse ele em sua entrevista que a Santa Casa,tinha disponibilizado mais leitos !!! Como??As UTIs já estão trabalhando no seu limite,falta espaço físico ,faltam leitos.Nossas crianças agora tem que serem encaminhadas para outras cidades se conseguirem vaga...Pois temos apenas sete leitos recentemente reabertos na Santa Casa.Gostaria de ser mais uma na multidão alheia a tudo e a todos mas não me conformo com a maneira absurda que nossas crianças estão sendo tratadas,relegadas ao descaso,estão tirando lhes a chance de tentar viver,quando acometidas de doenças graves.Como entender esta política absurda.que trás insegurança para nossos filhos,netos???Vou continuar inconformada ,e não consigo entender as inúmeras vezes que escutei ...CTI pediátrico não dá lucro!!É difícil mas vamos ter que continuar vendo pais desesperados pedindo implorando que salvemos seu filhos ,vamos ter que continuar escutando os gemidos de nossos bebês pedindo socorro e nós cada vez mais inquietos sem entender a cabeça de gestores .Acho que devemos começar a pensar em tentar mudar nossa lei eleitoral e obrigar nossas crianças a votarem ,pois só assim talvez terão voz e vez.Termino meu desabafo pedindo para que nossa Pequena Sara Mariano que por tantas vezes cuidamos em nossa UTI no HEG que virou um anjinho ontem que zele por tantas outras criancinhas que com certeza vão precisar.Que DEUS derrame suas benções no coração dos homens

domingo, 5 de maio de 2013

Jornal Opção publica matéria esclarecendo dúvidas sofre Fusão PPS-PMN

04/05/13
Nova Legenda
Professor Nelson esclarece dúvidas sobre o partido Mobilização Democrática
Soares destaca intenções da nova sigla e comenta como será a formação do diretório estadual do MD em Goiás
Marcello Dantas / Jornal Opção
Professor acredita que em Goiás a Mobilização Democrática vá nascer mais forte que o PMN e o PPS
Marcello Dantas

O professor universitário Nelson Soares dos Santos esteve no Jornal Opção para esclarecer algumas dúvidas sobre a fusão entre o Partido Popular Socialista (PPS, de número 23) e o Partido da Mobilização Nacional (PMN, de número 33), que resultou na criação de uma nova legenda: Mobilização Democrática (MD, ainda sem número). Ele também falou sobre a confusão que paira sobre a formação do diretório estadual do novo partido em Goiás.

Ele lembra que há uma nota oficial no site do PPS e do PMN definindo os critérios de como serão organizados os diretórios estaduais da Mobilização Democrática – ditados pela executiva nacional da nova sigla durante conferência de três dias realizada em Brasília antes do lançamento da nova legenda – e que pode ser aplicado em todos os Estados. O critério é que a presidência do diretório estadual da MD fique com o deputado federal do PMN que tenha sido mais votado nas eleições de 2010 e o restante do diretório e da executiva ficaria com o PPS.

Porém, Goiás não tem representante nem pelo PMN nem pelo PPS na Câmara dos Deputados. Assim, o cargo fica ao partido que tenha cadeira na Assembleia Legislativa – seguindo os mesmos critérios de votação. Neste caso, o PMN conta com o parlamentar Elias Junior, que passaria a comandar então o diretório estadual da Mobilização Democrática. De acordo com Darlan Braz, presidente do PPS Municipal de Goiânia, na formação das agremiações será considerado também outro aspecto. Onde um membro oriúndo do PPS ocupar a direção, por exemplo, um partidário do PMN poderá contar com um cadeira a mais na executiva e no diretório, proporcionando maior dinamização nas deliberações.
Seguindo a hierarquia nacional, Nelson Soares justifica que o diretório em Goiás seria formado por um quantitativo de 40% de membros do PPS, 40% de autoridades do PMN e os outros 20% seriam ocupados por deputados, vereadores, prefeitos e outros políticos interessados em realizar a filiação na MD durante a chamada janela. Esse período tem o prazo de um mês e começa a valer a partir do momento em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizar o registro do partido.

“Está retardado o registro da MD no TSE. Foi um golpe desesperado e tiraram proveito da situação”, comenta o professor. Para ele, a manobra feita pela bancada do PMDB e PT na Câmara dos Deputados, onde foi aprovado rapidamente o projeto de lei que proíbe que novas legendas transfiram o tempo de televisão e de rádio, além dos recursos financeiros, dos outros partidos para o novo partido.

A tendência é que nos próximos meses o partido da Mobilização Democrática se fortaleça. Nelson Soares acredita que em Goiás o MD vá nascer mais forte que o PMN e o PPS. Ele adianta que coordenações que o PMN não têm atualmente, como o PPS Mulher, serão aperfeiçoadas com a formação da executiva estadual, como é o caso da Juventude Democrática.

A princípio, a intenção da MD é ouvir a sociedade antes de chegar às eleições de 2014. Para isso, o professor Nelson Soares afirma que a Fundação Astrogildo Pereira – que atua em âmbito nacional – em Goiás vai realizar seminários para saber das demandas apontadas pelos goianos, fazendo com que a nova sigla surja de maneira representativa e democrática.

Um seminário já foi realizado e teve como tema a reforma tributária. O palestrante foi o deputado federal por São Paulo, Arnaldo Jardim. Outra maneira de fortalecer uma possível alternativa política no Estado seria o maior diálogo entre MD, a Rede Sustentabilidade – partido criado pela ex-senadora Marina Silva –, e o PSB, que tem o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como o maior líder. O objetivo é quebrar a hegemonia nacional entre o PT e o PMDB. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

A Educação no Estado de Goiás


Nota do autor do blog : Pode-se até discordar de alguns aspectos, mas leia. Vale a pena ler.

A Educação no Estado de Goiás

Lucas Pedro do Nascimento

Parabenizo imensamente o secretário da Educação do Estado de Goiás, Thiago Peixoto, por seu empenho, se assim posso dizer, em prol do processo de ensino aprendizagem nas escolas goianas. Mas acompanhando suas atitudes e decisões, principalmente como representante de sala e participante ativo da vida escolar do Colégio Estadual Salim Afiune, pergunto-me: estará ele tomando o rumo certo? O principal agente da reforma seria o professor? E os alunos desmotivados, desinteressados, sempre preocupados com futilidades, absortos em seu mundo irreal de tecnologia e descaso? Os professores figurarão como herois e heroínas, salvando a pátria brasileira da ignorância? Claro, eles possuem sim esta capacidade, mas interligados a família, a sociedade como um todo. Em momento algum vi menção a esta realidade no Pacto Todos pela Educação. Parece que ninguém ainda pensou no que fazer com os alunos indisciplinados, que depois da ruptura com o tradicionalismo, podem tudo.
Falo com propriedade como aluno do 3º ano do Ensino Médio, que sempre estudou em escola pública. A questão é bem mais grave do que se pensa. Tenho colegas que não sabem diferenciar um verbo e um substantivo, mas lembro-me de ter estudado junto a eles estas classes gramaticais, de maneira bem ilustrada pela professora de Língua Portuguesa. Seria neste caso culpa do professor? A aprendizagem foi ineficiente por que ele em si foi ineficiente em seu papel? Como eu aprendi e meus colegas não? A culpa seria do aluno que simplesmente “esqueceu-se” deste conteúdo ou não teve um melhor acompanhamento pedagógico? Ou eu que sou um gênio (que cá entre nós é mentira)? Como um professor pode auxiliar trinta alunos ou mais em aulas de cinquenta ou quarenta e cinco minutos? Já contabilizou quanto gastaria com cada aluno direcionando a ele apenas um minuto? São entraves como este que me incita o pensamento e faz-me crer que a culpa não é do professor, como muitos acreditam e dizem. Não negarei que o Estado possui professores com metodologias e didáticas ultrapassadas que precisam ser reformuladas ou que simplesmente, como se diz na linguagem popular, “empurram com a barriga.”
Se hoje escrevo estas palavras, devo aos meus professores de escola pública que são obrigados a fazerem paralisações por melhores salários, por valorização do plano de carreira e, sobretudo reconhecimento. Nada me tira da cabeça que estes críticos da Educação deveriam fazer o teste de dar aula em uma sala com trinta alunos, de diferentes temperamentos, que falam ao mesmo tempo e não possuem nenhuma perspectiva de vida. Repito o que disse aos meus queridos professores no Trabalho Coletivo do último dia 12 de outubro: “Não se pode enfiar o conteúdo goela abaixo do aluno. É preciso que ele queira aprender.” E acrescento agora: eles não são mágicos, mas seres humanos. Como ensinar algo a quem não quer aprender? Haveria maior frustração para um professor do que ouvir de seu aluno: “Isso aqui não me importa. Quero só o meu diploma.”
Senhor secretário, peço-vos em nome dos alunos que represento: vá devagar com o andor que o santo é de barro. Estude primeiro o terreno, constate que não se trata de areia movediça, para que não se afunde. Valorizar os professores não significa simplesmente compensá-los financeiramente, mas dar-lhes a devida atenção, não os culpando unicamente pelo desastre da Educação. Dividamos o bolo entre nós. Isto aí: eu, o senhor, os pais, meus colegas de sala que não entendem o quanto estão perdendo, o sistema educacional, os planos educacionais infundados e utópicos, a sociedade em si.
Outra coisa que precisamos é cassar (destruir, para os que não sabem) a ideia de que leitura, interpretação de texto, lógica e raciocínio são competências cognitivas exclusivas de Língua Portuguesa e Matemática. A primeira solução seria estendê-las a todas as outras disciplinas, pois da maneira que se dá a entender os professores de Língua Portuguesa e Matemática são os “bodes expiatórios” da Educação. A propósito a imagem que a Avaliação Diagnóstica nos passa é que estas duas disciplinas são as duas únicas importantes no Currículo, como se a Química, a História, a Geografia e ademais, não tivessem a mesma significância.
Não pensem que meus professores me pediram para escrever este texto, pelo contrário, nem imaginam. Eu mesmo quis escrevê-lo para retribuir o muito que me deram nestes doze anos de Educação e para mostrar que alunos do Estado também saber dissertar, escrever, desde que queiram e se empenhem. Agradeço a minhas professoras de Língua Portuguesa que me incitaram na alma o gosto pela leitura e me deram toda a noção de sintaxe, morfologia e produção de texto.
Que o ano que vem, no próximo dia dos professores, eu possa estar escrevendo para parabenizar realmente o senhor secretário pelo sucesso de seu, ou melhor, nosso pacto pela educação.
Quanto a mim, já estou em clima de despedida do colégio que tanto amo. É como brinco com meus professores “é como se estivesse me preparando para uma amputação.” Sei que sou uma exceção a regra em todos os termos. Mesmo vendo o quanto meus queridos educadores sofrem, deixando de lado suas vidas, em razão da vida de outrem, tornando-se frustrados, depressivos, quero enveredar-me pelo mesmo caminho que anos antes eles enveredaram, acreditando que estariam fazendo um bem para a humanidade e a juventude em si.
Obrigado queridos professores goianos por ainda acreditarem no poder da Educação, mesmo com todos os percalços e dissabores que enfrentam!!!

Lucas Pedro do Nascimento
Representante de sala
Aluno do 3º ano do Ensino Médio
Colégio Estadual Salim Afiune
Subsecretaria de Educação de Silvânia
Secretaria de Estado da Educação de Goiás