Nelson
Soares dos Santos
A
primeira impressão que se tem ao ler a entrevista de Paulo Garcia é de estar
lendo um texto coeso, forte e convincente. Mas esta é apenas a primeira
impressão. Uma segunda, terceira leitura e começa a aparecer as incongruências de
um discurso que não pode se sustentar por que a realidade não permite. Podemos
começar pelo que o Paulo diz sobre o Plano Diretor. No momento de maior
intransigência ele diz: “Muito pouca gente fez a leitura, e, se ela tiver sido
lida quem critica o faz com omissão por que não fala dos grandes avanços que
estas alterações estão promovendo”. De uma tacada o Prefeito que parece copiar
Lula, coloca todo o resto do mundo como irresponsável, incluindo o Ministério
Público que move ação contra o tal projeto avançado.
De
outrora Paulo erra. Ninguém é obrigado a compreender como avanço aquilo que ele
o compreende como tal. O que pode ser avanço para o prefeito, pode não ser para
os demais, começando pelo combativo vereador, que é do mesmo partido dele e que
luta em busca de assinaturas para tentar barrar o plano diretor. Eu duvido que
o Ministério Público não tenha lido, duvido que o vereador não tenha
lido. E eu mesmo li, não consegui encontrar tantos avanços assim, aliás,
concordo com a maioria dos opositores
quando afirmam que o referido Plano pode trazer mais problemas que solução.
Em
outra tacada espetacular o Prefeito, indiretamente, faz afirmações cruéis
contra a sua base de apoio. Afirma que o projeto foi sancionado com rapidez por
que do jeito que foi para Câmara retornou, que não teve nenhuma emenda, e por
isso não havia mais o que refletir. Olhando duas vezes para o mesmo texto pode
nos revelar muito: a) o projeto era algo
de bolso já pronto há muito tempo e bem combinado com os vereadores da base; b)não
se deu a mínima para o que se pensa a população que será afetada pelas
mudanças.
Ao
longo da entrevista o prefeito vai demonstrando um aspecto autoritário. “
Existem críticas, eu respeito, mas não acato”. Outrora vais demonstrando até
mesmo falta de respeito para com aqueles que discordam de suas propostas. E ao
falar sobre as propostas de campanha, os 81 CMEIS prometidos, diz que a demanda
está diminuindo. Eu não acredito, na verdade, começa desde já a justificar ou
buscar uma razão para não cumprir a promessa de campanha.
Ao
falar sobre as eleições de 2014, deixa transparecer aquilo que todo mundo já
sabe e apenas Friboi ainda tem alguma ilusão. Iris não sendo candidato Paulo
Garcia será. Até que não é ruim o Friboi não ser candidato. Afinal, não é mesmo
um bom candidato, mas também é bom perceber e refletir sobre como os
subterrâneos da política se mostram na superfície. Nas oposições não haverá
espaço para o novo em 2014, nem mesmo para Friboi ou Vanderlan Cardoso. Este
último, mais sagaz caiu fora enquanto podia. O novo terá dificuldade de
aparecer em 2014, mesmo nos cargos proporcionais.
Por
fim, fica, ao ler a entrevista, a impressão que Goiás andou para trás quando o assunto é
homens públicos estadistas, democratas e progressistas. Parece não haver espaço
para um Pedro Wilson, Aldo Arantes, Henrique Santillo nos dias atuais. Uma onda
de autoritarismo aparece nas falas, nas entrevistas, nos discursos. Qualquer um
que ouvir os últimos discursos feitos por Vanderlan Cardoso, Friboi, Iris
Rezende, Rubens Ottoni, Antônio Gomide, e tantos outros, dá a impressão de que vivemos um momento nos
quais o bom senso e a o espírito democrático parece refluir, e os projetos e
ideias dão lugar a discursos autoritários e decadentes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário