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domingo, 26 de maio de 2013

Paulo Garcia, o Plano Diretor e o discurso autoritário


 

Nelson Soares dos Santos

A primeira impressão que se tem ao ler a entrevista de Paulo Garcia é de estar lendo um texto coeso, forte e convincente. Mas esta é apenas a primeira impressão. Uma segunda, terceira leitura e começa a aparecer as incongruências de um discurso que não pode se sustentar por que a realidade não permite. Podemos começar pelo que o Paulo diz sobre o Plano Diretor. No momento de maior intransigência ele diz: “Muito pouca gente fez a leitura, e, se ela tiver sido lida quem critica o faz com omissão por que não fala dos grandes avanços que estas alterações estão promovendo”. De uma tacada o Prefeito que parece copiar Lula, coloca todo o resto do mundo como irresponsável, incluindo o Ministério Público que move ação contra o tal projeto avançado.

De outrora Paulo erra. Ninguém é obrigado a compreender como avanço aquilo que ele o compreende como tal. O que pode ser avanço para o prefeito, pode não ser para os demais, começando pelo combativo vereador, que é do mesmo partido dele e que luta em busca de assinaturas para tentar barrar o plano diretor. Eu duvido que o Ministério Público não tenha lido, duvido que o vereador  não tenha lido. E eu mesmo li, não consegui encontrar tantos avanços assim, aliás, concordo com  a maioria dos opositores quando afirmam que o referido Plano pode trazer mais problemas que solução.

Em outra tacada espetacular o Prefeito, indiretamente, faz afirmações cruéis contra a sua base de apoio. Afirma que o projeto foi sancionado com rapidez por que do jeito que foi para Câmara retornou, que não teve nenhuma emenda, e por isso não havia mais o que refletir. Olhando duas vezes para o mesmo texto pode nos revelar muito: a)  o projeto era algo de bolso já pronto há muito tempo e bem combinado com os vereadores da base; b)não se deu a mínima para o que se pensa a população que será afetada pelas mudanças.

Ao longo da entrevista o prefeito vai demonstrando um aspecto autoritário. “ Existem críticas, eu respeito, mas não acato”. Outrora vais demonstrando até mesmo falta de respeito para com aqueles que discordam de suas propostas. E ao falar sobre as propostas de campanha, os 81 CMEIS prometidos, diz que a demanda está diminuindo. Eu não acredito, na verdade, começa desde já a justificar ou buscar uma razão para não cumprir a promessa de campanha.

Ao falar sobre as eleições de 2014, deixa transparecer aquilo que todo mundo já sabe e apenas Friboi ainda tem alguma ilusão. Iris não sendo candidato Paulo Garcia será. Até que não é ruim o Friboi não ser candidato. Afinal, não é mesmo um bom candidato, mas também é bom perceber e refletir sobre como os subterrâneos da política se mostram na superfície. Nas oposições não haverá espaço para o novo em 2014, nem mesmo para Friboi ou Vanderlan Cardoso. Este último, mais sagaz caiu fora enquanto podia. O novo terá dificuldade de aparecer em 2014, mesmo nos cargos proporcionais.

Por fim, fica, ao ler a entrevista, a impressão que Goiás andou para trás quando o assunto é homens públicos estadistas, democratas e progressistas. Parece não haver espaço para um Pedro Wilson, Aldo Arantes, Henrique Santillo nos dias atuais. Uma onda de autoritarismo aparece nas falas, nas entrevistas, nos discursos. Qualquer um que ouvir os últimos discursos feitos por Vanderlan Cardoso, Friboi, Iris Rezende, Rubens Ottoni, Antônio Gomide, e tantos outros, dá  a impressão de que vivemos um momento nos quais o bom senso e a o espírito democrático parece refluir, e os projetos e ideias dão lugar a discursos autoritários e decadentes.

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