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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Marina Silva e a Religião : Da Independência a verdadeira república.


Nelson Soares dos Santos[1]

Eu ainda me lembro do Professor de História falando na sala de aula das três questões que fizeram precipitar a Proclamação da República – A questão Militar, a Questão Religiosa e a Questão Escravocrata. Claro que na profundidade dos fatos as coisas são sempre mais complexas, mas é interessante que mais de um século depois estas mesmas questões ganham relevância no debate eleitoral.  O surgimento de uma candidata evangélica parece ter feito ressurgir as outras questões; e, a verdade é que a sociedade brasileira ainda não superou nenhuma delas.
Como em 1889, os barões do café andam ansiosos com a possibilidade da vitória de Marina Silva. Digo, os Barões do Café, não me referindo a banqueiros ou a quem produz na terra, mas aquela tecnoburocracia estatal que aprendeu a viver da corrupção e do desvio do dinheiro público. Na iminência de se ter uma presidente evangélica o preconceito religioso volta a cena. Agora não apenas com ares inquisitoriais, mas também por meio de boatos de todos os tipos, por meio  do que chamo de um “autoritarismo difuso” que tenta fazer os mais incautos acreditar que uma vez presidente Marina Silva vai aderir ao fundamentalismo religioso tão presente em todas as religiões na sua práxis de governar.  É tão ingênuo acreditar nisso em uma república presidencialista, com a existência de uma Câmara e de um Senado quanto acreditar em Papai Noel. Na verdade, os adversários usam o argumento religioso apenas por que sabe que existe na sociedade brasileira, de um lado um fundamentalismo conservador, e, de outro um preconceito arraigado a tudo que cheira virtude e se desvia daquilo que os sociólogos denominaram de “Jeitinho Brasileiro”.
Como em 1889, imagino os militares inquietos nas casernas. Insatisfeitos, de um lado com o “Modo Petista de Governar”, que só faz lembrar escândalos sobre escândalos; e de outro com o aprofundamento da democracia que parece não dar esperanças de uma possibilidade de retorno a um regime de “Ordem”, apressam-se a militarizar as escolas, aparelhar as universidades quebrando a autonomia universitária, e pregando diuturnamente por meio dos seus representantes no Congresso (Jair Bolsonaro é sua maior expressão), a necessidade do cidadão se defender por meio da implantação de uma ordem conservadora e anti-democrática. O militarismo no Brasil se tornou uma ideologia de direita que tem na ordem  e na defesa dos bons costumes seus fundamentos propalados. Entretanto, quando na prática não se trata de defesa dos bons costumes, mas pelo controle do poder por uma tecnoburocracia estatal e um conservadorismo patrimonialista.
Na questão racial, desde a proclamação da abolição da escravatura nunca o Brasil esteve tão envolvido no debate sobre raças. As políticas dos Governos do PT contribuiu para criar uma espécie de divisão na sociedade. A aplicação equivocada das políticas afirmativas, o investimento precário na educação básica aliada as falhas do Estado em prover ao acesso a saúde e segurança fez crescer entre negros e índios uma ideia reparacionista em detrimento da luta pela igualdade entre  todas as raças e etnias no interior da Nação. Os mesmos responsáveis por esta situação agora pregam que Marina perseguirá negros, fechará terreiros de candomblé e outras sandices mais. Não respeitam, sequer, a força do Estado Democrático e Republicano Instituído.
Entretanto, o ressurgimento das chamadas três questões não nos traz tristeza, e, na verdade, nos deixa otimista, com o futuro. PSDB e PT têm estado sempre em disputa sobre qual deles proclamou a real independência do Brasil. Os sociais-democratas dizem que foram eles ao estabelecer o Plano Real e a Estabilidade Financeira. Os Petistas afirmam que foram eles, ao combater a fome, pagar a dívida externa e criar o Fundo Soberano. Não serei eu o juiz desta peleja, mas, se eles estiverem certos e a independência real do Brasil foi Proclamada, chegou a hora de Proclamar a república. Maria será a chance de termos uma república verdadeira mediando os conflitos, estabelecendo a força do estado laico, a tolerância a todas as religiões e o respeito e emancipação de todas as etnias. Vamos então superar de vez tais questões, unir o Brasil, proclamar a república com Marina Presidente.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Educação e os Programas de Governo: O risco do Autoritarismo


Nelson Soares dos Santos[1]

Já disse e repito: É possível conhecer o futuro de uma sociedade pelo modelo de educação que é colocado a disposição das massas. Neste sentido é importante analisar as propostas de políticas educacionais nos planos de governo dos presidenciáveis e dos governos de Estado, bem como a forma como candidatos a câmara de deputados e ao senado lidam com a questão da educação. E, infelizmente, preciso dizer que não existe nenhum plano de Governo seja no plano nacional ou local que contemple avanços no campo da Educação, pior que isso, a análise de falas e das diretrizes e propostas escritas aponta para um retrocesso, sobretudo na questão da gestão democrática da educação, do modelo de organização, da valorização dos professores e dos processos curriculares.
O primeiro ponto extremamente negativo é que dos presidenciáveis apenas uma candidata ( Marina Silva) apresentou um plano de Governo; os demais apresentaram diretrizes genéricas pelas quais pouco é possível perceber que rumos de fato, as ações práticas ou práxis tomará. O segundo ponto negativo, é que os principais candidatos com chances de vencer o pleito não avançam no quesito “modelo  educacional”. Todos eles apontam para a continuidade de uma escola dualista, qual seja destinada a formar alguns para o mercado de trabalho precarizado e outros para o trabalho criativo.

Dilma, o PT e o autoritarismo Educacional.

A questão mais sensível é o programa educacional do PT. Sensível por que parece democrático sendo autoritário, parece avançado sendo um retrocesso, e com uma massa de intelectuais a defendê-lo de forma cega e bem longe do que pode ser considerada cientificidade. O PRONATEC  e os IFG, já se mostram um novo modelo de educação dualista muito parecido com aquela profissionalização compulsória no nível médio imposta pelos militares no final dos anos 70, e, chocou intelectuais, chegando a silenciar os petistas fanáticos quando Dilma admitiu que Filosofia e Sociologia são disciplinas que poderiam serem retiradas do currículo. Na verdade, o PRONATEC E OS IFG, criaram respectivamente um ensino médio e um ensino superior de segunda classe, que ao lado dos cursos tecnológicos de nível superior preparam mão de obra precária para o mercado deixando a formação humana totalmente em segundo plano.
Pior que isso é o que diz respeito a formação e valorização dos professores. Depois de 12 anos no poder o PT não conseguiu viabilizar o processo de valorização dos professores previsto em lei, sequer conseguindo fazer com que os professores tivessem direito ao piso salarial. A expansão do Ensino Superior e criação das novas Universidades foram realizadas ao custo da precarização do trabalho do professor, e a queda da qualidade do ensino. O autoritarismo está presente em todas as universidades e se tornou coisa comum escândalos até nos processos seletivos docentes, como é possível averiguar diante de uma pesquisa simples nos jornais e na internet.
O tragicônimo, no entanto, ainda está por vir. O MEC, segundo notícias recentes, pretende contratar professores por meio de Organizações Sociais, ( OS). Tal atitude que está sendo estudada para ser implantada por diversos governos estaduais vai ferir de morte a gestão democrática das escolas e Universidades, reinstalando o patrimonialismo e o clientelismo onde ele perdeu forças. Tudo isso está além das forças partidárias e só pode ser explicado pela vitória do capital na velha luta capital x trabalho tão ignorada por intelectuais e jornalistas. A ideia de que não existe mais esquerda favoreceu a precarização do trabalho e tal precarização está chegando ao trabalho intelectual, no caso brasileiro, de uma forma que nunca se fez em nenhum outro país do mundo. O capital assume sua forma mais selvagem, mais cruel e devastadora.
Aécio e suas diretrizes Genéricas.

No programa de Aécio pouco é possível falar de Educação. Primeiro por que o mesmo pontou apenas diretrizes genéricas, e segundo, por que ao falar sobre qualquer tema ele invoca a experiência que possui. Sendo assim, a única alternativa para imaginar como será a educação no Governo Aécio analisando a educação de Minas Gerais. Ali, os professores sofreram um processo de precarização e desvalorização sem precedentes, implantou-se a meritocracia e não é segredo que muito se perdeu no processo de gestão democrática. Um modelo semelhante foi implantado em Goiás, onde uma das primeiras medidas foi a retirada da titularidade dos professores, implantação de meritocracia e bônus de produtividade.
Outras medidas podem ser vistas no retorno a um conservadorismo curricular que retira a autoridades dos professores, impõe a aprovação automática dos alunos e premia aqueles alunos, teoricamente, os melhores. Dentro deste escopo, encontra espaço o processo de militarização das escolas do Ensino Fundamental e Médio, e são estas escolas militarizadas, que tem como principal mérito a implantação de um regime militar no interior da escola, implantando uma ordem rigorosa e cruel, o principal mérito pela qualidade do ensino alcançado nestas escolas e as melhores notas no IDEB. O que não se vê é que tal militarização está produzindo cidadãos não-pensantes, autoritários e cruéis; e, espalhando na sociedade um autoritarismo difuso e um fanatismo preconceituoso e arrogante.

Marina e dubiedade de um Programa.

Se Aécio não tem programa e precisamos olhar para o que ele fez; Dilma não tem programa e temos de olhar para o que estão sendo feito; Marina Silva tem um programa, entretanto o fundamento do mesmo não avanço no enfrentamento da degradação da força de trabalho do professor, sua precarização frente ao capital, tão pouco quanto o aspecto da Educação dualista. Então, qual seria a vantagem de votar em Marina? 
Os fundamentos do plano de Governo de Marina ainda não estão postos, o que ela chama de “Nova Política” é um novo que ainda não germinou na sociedade. É, pois uma proposta de governo em Disputa. Marina se propõe a ser a mediadora de um amplo debate nacional quanto aos rumos que o país pretende tomar. Diante disso, temos o risco imediato de corrermos o perigo de ter no autoritarismo difuso já implantado na sociedade pelo governo do PT mobilizar as massas e massacrar o novo em um possível Governo Marina.
A relação capital-trabalho tem no Brasil um íntima relação com o binônimo opressores-oprimidos. E neste sentido, teremos uma elite banqueiros, grandes industriais, multinacionais e tecnoburocracia estatal, aliada a intelectuais, jornalistas e uma imprensa subordinada e clientelista a manipular a opinião pública retirando dos cidadãos a capacidade e o poder de fazer suas próprias escolhas. Correríamos o risco de nos ver diante de uma situação parecida com a que vive a Argentina e a Venezuela, ou, no outro oposto tornarmo-nos parecidos com o Chile.
Uma mediação de sucesso só seria possível com um combate forte a corrupção desde o primeiro dia de governo; coragem para impor uma revolução educacional que propiciasse uma revolução das consciências e da cultura aliada a coragem de se enfrentar os males da especulação capitalista e os males que a mesma provoca na vida cotidiana das pessoas. Um governo em disputa, aberto ao debate e a participação social será sempre um governo de riscos. Correr o risco de encontrar um caminho novo, um caminho diferente pode e será sempre mais vantajoso do que saber que estamos caminhando inexoravelmente para o precipício.






[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e Membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

O PPS e a Igualdade Racial no Brasil

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Nelson Soares dos Santos[1]
Na Cidade de Salvador para participar da reunião do Movimento Negro da Coligação na entrega da “Carta de Salvador” a Marina Silva pude conhecer melhor nossa candidata a presidente. Olhar calmo, demonstrando certo cansaço pelas atividades do dia, exalava uma bravura serena típica daquela característica habermasiana de quem compreende o papel do político na Esfera pública burguesa.  Na entrevista Coletiva, ouvindo Marina, fiquei  a lembrar das propostas feitas no Congresso Nacional do PPS, Partido Popular Socialista, pela criação de uma coordenação Nacional de Igualdade Racial e da tentativa de criarmos um movimento que plantasse um novo modelo de luta por igualdade racial no país.
Chamamos nossa proposta de “Política Humanista de Igualdade Racial”, por que nossa ideia não criar mais um movimento negro no país, mas reconhecer que o Brasil é o país da diversidade e que estamos condenados ao respeito às diferenças. Não significa que não compreendamos a necessidade imperiosa de implantação de políticas afirmativas que ajude a emancipar as massas excluídas de negros nos diferentes estados do país, mas mais que isso, significa que entendemos a luta por igualdade atrelada ao biônimo  - oportunidade iguais, Educação de qualidade.  O que não queremos é mais um movimento que instigue o ódio, o rancor, a ideia reparacionista que olha para o passado em vez de olhar para o futuro.
Na nossa “Política Humanista de Igualdade Racial”, não há lugar apenas para negros, mas para todas as minorias ou raças oprimidas no seio da sociedade. Trata-se de uma luta por emancipação de um país, na qual a educação de qualidade para todos tem lugar preponderante. É na formação de uma consciência política elevada, na formação humana integral que vemos a verdadeira emancipação, e para quais as políticas afirmativas como cotas etc, são apenas um instrumento passageiro, um meio para se alcançar objetivos maiores, por isso, determinadas políticas devem ser transitórias, sobretudo na vida dos indivíduos.
Uma política humanista de Igualdade racial e inspirada nas ações e lutas de Nelson Mandela e Martim Luther King, tem no aprendizado do amor, na inclusão, seu eixo central, e isso por que sabemos que “ninguém nasce odiando ninguém, e se aprenderam a odiar também podem aprender a amar.” ( Nelson Mandela.).  É para isso que defendemos a força da educação cultural, da mistura de culturas, do aprendizado da música e da arte clássica nas escolas públicas para que se dê a oportunidade do país ter ao seu dispor os seus melhores talentos. E por que não podemos sonhar com um Brasil onde tenhamos campos de futebol tenham negros, brancos e índios na mesma quantidade e do outro oposto, também nas orquestras sinfônicas, na pintura, nas profissões nobres como medicina, matemáticas tenham negros, índios e brancos na mesma proporção?
A luta por igualdade racial é por fim, uma luta por uma humanidade onde o conceito de raça perca importância e todos os seres sejam tratados como seres que tem vida humana e por isso dotados de talentos que somados podem levar a sociedade a um novo salto de evolução. Evolução esta que só é possível por meio de uma educação de qualidade, igualitária para todos, com fundamentos no bom uso da liberdade, da tolerância e da generosidade.  É esta a nossa luta. Enquanto houver um só ser humano oprimido, discriminado, vítima de preconceito esta luta será travada todos dias, todas as horas e sem nenhum descanço.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A educação e os rumos de um Governo


Nelson Soares dos Santos[1]
Tem algumas questões que ficam no rodapé da política, mas que no final, são elas que definem os rumos de um governo. A educação tem sempre estado no rodapé, mas é a forma como um governo trata a questão da educação que diz muito dos rumos que serão tomados no futuro. Hoje, no site de G1, uma notícia chamou atenção: Dilma afirmou que pretende retirar filosofia e sociologia do currículo escolar. A última vez no Brasil que filosofia e sociologia ficaram fora do currículo escolar foi durante a ditadura militar, combatido por Dilma e pelo PT. O que mudou agora? Estaria o PT assumindo em definitivo sua face autoritária?
Pior do que a afirmação de Dilma de retirar tais disciplinas dos currículos escolares é o silêncio dos intelectuais, inclusive filósofos, geógrafos, sociólogos e todos os demais da área de humanas.  Perguntei a um deles se apoiava a ideia de Dilma de retirar as disciplinas do Currículo na linha do tempo do face, e o mesmo não só deletou a pergunta, como ameaçou deletar-me da lista de amigos dele. Tal comportamento se alastra pelas universidades. Diversos petista estão contaminados por uma cegueira que dá medo ao mais conservador e reacionário quando  a questão é discordar de qualquer discurso das lideranças do Partido. Parece um sintoma daquela personalidade autoritária identificada por Adorno antes e durante a segunda guerra mundial, quando homem pretensamente esclarecidos assumiram posturas absurdas diante da consumação de assassinatos em massa feitos pelo partido nazista.
Diferente de retirar tal disciplina do currículo escolar, os países europeus já trabalham com filosofia para crianças.  E a maioria dos países democráticos já possuem filosofia e sociologia no Ensino Fundamental. A proposta de Dilma é um retrocesso na construção de uma escola democrática e na formação de uma consciência Cidadã. Não somente é preciso aumentar a carga horária destas disciplinas como também é necessário aumentar o tempo de exposição do aluno aos chamados temas transversal, como ética, meio ambiente, cultura, inserção de música e arte promovendo assim, uma educação verdadeira integral aos nossos alunos. Educação Integral não é colocar o aluno o dia inteiro em escolas inabitáveis e provê-lo de oportunidades de aprendizagem que o leve a tornar-se verdadeiramente cidadão livre e independente.
O verdadeiro passo para  a implantação de um governo autoritário em um país é a mudança de seu modelo de educação. A militarização das escolas em curso em alguns estados, o comportamento autoritário de professores e intelectuais, e agora a proposta de mudança curricular de alguns candidatos deixa em alerta os democratas de todos os cantos do Brasil. É preciso fazer alternância de poder. A nossa democracia não pode dar um passo  para trás.  A gestão democrática, a inclusão da filosofia e sociologia nas escolas, e tantas outras conquistas democráticas não podem ceder espaço a  um autoritarismo que coloca no aluno e no professor a responsabilidade da qualidade de um ensino que se explica pela omissão dos políticos e do protagonismo político dos educadores.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e Professor Universitário.

sábado, 20 de setembro de 2014

A Bravura Serena


Nelson Soares dos Santos
A bravura, como sinônimo de Coragem, foi uma das virtudes mais louvadas pelos antigos e ainda é extremamente admirada pelos modernos. Já a serenidade era característica daqueles que no processo de amadurecimento já havia alcançado a sabedoria. A serenidade era a virtude dos velhos, a coragem a virtude dos jovens. Quando li, recentemente, o livro de Bóbbio “O elogio da Serenidade”, fiquei matutando se era possível a serenidade da qual Bóbbio se referia, qual seja, a coragem para decidir dotada de sabedoria.
A viagem da minha primeira missão representando a Direção Nacional do Partido Popular Socialista atrasou uma hora. E por este fato não pude assistir a entrevista coletiva de Marina Silva, que veio dialogar com o movimento negro da Coligação “Unidos pelo Brasil” , na cidade de Salvador Bahia . Tendo sido o propositor da reorganização da Coordenação Nacional de Combate ao Racismo do PPS, fui incumbido pelo Presidente Deputado Roberto Freire de participar da reunião representando o Partido.
Composta a mesa dos trabalhos reinava um clima de paz e tranquilidade no recinto. Não parecia uma reunião política. Ao meu lado, o Vereador de Salvador Silvio Humberto transmitia uma ar de camaradagem e familiaridade típica dos baianos ou aquele espírito que me fazia lembrar as lutas de Stivo Bico, e qual não foi minha surpresa ao descobrir logo em seguida que o vereador é um guerreiro contra o racismo inspirado no velho Stivo Bico. Depois de alguns minutos, Marina Silva Chegou ao Recinto. De perto a futura presidente parece ainda mais magra, pequena, quase uma planta do cerrado que mesmo sem o alimento da terra fértil e da água insistiu em crescer e dar frutos. Após cumprimentar a todos da mesa, sentou-se serenamente, ouviu a todos com ar simpático, serenidade no olhar e paciência na alma.
Ao final, falou serenamente e com aquela coragem tão rara nos nossos dias. A coragem fatual de quem sabe que possui um dever a cumprir, princípios a seguir, limites a obedecer e um compromisso inadiável com a humanidade. Sim, Marina Silva tem a consciência do papel do Brasil como país pode jogar no cumprimento do destino de todos os povos. Ao fazer o compromisso com o laicismo do Estado o fez com aquela firmeza e constância somente digna dos grandes homens que estão condenados a deixar sua marca no destino da humanidade.
Marina Silva é a candidata mais preparada para Governar o Brasil hoje. Pode se dizer o que quiser de Marina, mas eu vi com os meus olhos. Até mesmo o cansaço de um longo dia de trabalho parece como um entregar-se sacrificador em nome da causa que defende. Hoje, depois de estar ouvindo cada palavra pude ver as virtudes de um estadista. Não era um teatro, não era Aécio Neves. Não era um boneco ventríloquo, não era Dilma. Era Marina Silva, a futura presidente do Brasil.


sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Cinco Razões para Votar em Marina


Nelson Soares dos Santos[1]
Candidata com possibilidades de vitória Marina Silva passou a ser alvo de criticas tanto do PT ( Partido dos Trabalhadores) quanto do PSDB ( Partido da Social democracia Brasileira) via Aécio Neves e seus correligionários. Fosse só a crítica deveríamos encarar como um debate político, mas o que se está vendo é uma verdadeira enxurrada de mentiras, calúnias e toda forma de baixaria possível nunca vista em eleições democráticas. Tais mentiras e ilações mais do que desconstruir Marina depõe contra o próprio regime democrática, pois induz o povo a fazer a escolha do voto baseado em mentiras.  Infelizmente o PSDB que deveria ser um parceiro das oposições resolveu, no desespero de se ver tornar um minúsculo partido, bater da cintura para baixo igualando-se ao PT. Ao ver que as pesquisas detectam que Marina cai nos municípios que possuem até 200 mil eleitores, fica claro que estes eleitores estão sendo enganados por uma pesada máquina patrimonialista que envolve tanto a dependência material quanto cultura e espiritual de uma mídia sem nenhum escrúpulo. É por esta razão que apresento aqui 05 razões para votar em Marina:

01 – Aprofundar a Democracia.

Votar em Marina significa exercer o direito democrático da alternância de poder, que infelizmente, algumas pessoas insistem em não compreender a máxima tão conhecida: “ O preço da liberdade é a eterna vigilância”. Ao colocar o poder nas mãos de um grupo e ou de um partido político por tantos anos, ( Já se foram 12 anos nas mãos do PT na esfera federal), este grupo ou partido tem a tendência natural de se corromper, desgastar e esquecer as razoes pelas quais foram escolhidos. Alternar o poder em uma democracia é uma forma de vigilância que garante a defesa do bem comum, a liberdade de expressão, e, o aprofundamento da democracia. Além disso, Marina vai exercitar ao máximo o jogo democrático criando novas formas de relacionamento entre o Estado e os movimentos sociais, no que o seu programa de governo chama de “democracia de alta intensidade”.

02. Aprofundar a luta conta as desigualdades.

Todo governo que se propõe a fazer mudanças tem certo limite. No caso do PT, é preciso ter coragem de dizer que o PT deu boas contribuições a sociedade, sobretudo na área social, certo investimento em Educação ( ainda que na minha opinião com rumos equivocados), conseguiu até agora manter a economia dentro de certos parâmetros ( ainda que agora vemos a inflação ameaçar a todos) e, vivemos sim, não sem luta, um período de democracia. Entretanto, o PT se encontra no limite. Aliou-se com o que tem de mais conservador na política brasileira como Paulo Maluf,  Jader Barbalho, Sarney, etc. Para continuar este movimento de avanços nas causas sociais é preciso avançar  um pouco mais e se desvencilhar destas companhias. Marina Silva é esta oportunidade. Com Marina a luta contras as desigualdades pode avançar por que é uma oportunidade de fazer uma boa reforma política e combater a corrupção que tanto desvia dinheiro  público neste país.

03 – Construção de uma Política Humanista ou “NOVA POLÍTICA”.

O PSB, é um partido que sempre teve uma tradição social democrata avesso a ditaduras. E hoje, a forma como se gere o país coloca-nos sob a ameaça de uma ditadura da maioria manipulada sobre uma minoria que trabalha e produz que pode não ser bom para as futuras gerações. A luta pela igualdade social, igualdade racial e todas as formas de igualdade não deve ser construída pela força, mas sim, por alto investimento em Educação e serviços públicos de qualidade.

4ª – Rediscutir o Papel do Estado.

 A instituição do Estado se encontra em crise. É preciso rediscutir o papel do Estado na sociedade. De um lado está o chamado estado mínio do neoliberalismo, de outro um excesso de concentração de poder e de regulação que leva o Estado a querer regular até a vida privada os indivíduos. Por estar muito tempo no poder o PT perdeu a força para discutir com a sociedade civil e o mercado qual papel de cada um na construção do futuro, sobretudo, por que os governos atuais estão imersos e dominados até a alma pelo mercado. O Programa de Governo de Marina Presidente propõe esta discussão sobre o papel do Estado, o que nenhum outro candidato teve a coragem de apresentar até o presente momento.
5ª. Por que sim, por que é hora de mudar.

O PT ficou 12 anos no Poder. E fez algumas coisas, outras nem tanto. A verdade é que muita coisa já não vai bem. O PIB já não cresce há vários anos. Os Estados estão endividados. Muitas grandes prefeituras estão quebradas. Muitas reformas precisando ser feitas. O Pacto federativo precisando ser discutido. O endividamento familiar só aumentando. A economia já não vai bem. Então é hora de mudar, renovar o time. E quando chega a hora de mudar as coisas só se ajeitam mudando.
O que precisamos entender é que o Brasil tem direito a mudar. Faz parte do exercício da democracia optar por algo ainda não experimentado. Montar um time novo, propor novas experiências, aprofundar escolhas. Votar em Eduardo Campos é optar por um socialismo de novo tipo, um socialismo humanista que se de um lado se preocupa com a igualdade, com o combate a fome, a pobreza e a tantos males que assola a sociedade, não se esquece de que cada cidadão precisa aprender a receber com uma mão e a doar com a outra. Votar em MARINA é aprofundar o sentido de ser cidadão e de se exercer a cidadania.






[1] Nelson Soares dos Santos é Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e Membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.