Nelson Soares dos Santos
Eu confesso que fiquei
surpreso com a forma como a população
ocupou as ruas de todo país, em diversas cidades, inclusive em cidades do
interior onde não há tradição de protestos. Mesmo questionado diversas vezes,
pouco opinei, a não ser admitir que as pautas que ocuparam as ruas já eram
velhas conhecidas do meu partido – O PPS, bem antes de nas ruas estar, inclusive a necessidade dos
partidos se reinventarem. Neste sentido, nosso partido, O PPS vem de há muito tempo tecendo teorias sobre como fazer
a reinvenção, seja a discussão do fortalecimento do poder local, seja a discussão que envolve a construção de
redes.
Agora que a população
parece se acalmar, ou pelo menos, passado o primeiro susto e já acostumando com
a nova realidade política e politizada da população, penso que é hora de
colocar algumas pontuações. A primeira questão
e mais óbvia: é preciso admitir que há uma dificuldade geral de entender
e compreender o que a parcela da população que foi as ruas deseja dizer ou
reivindicar. A postura dos dirigentes, governantes e mesmo as análises de
cientista políticos, antropólogos e sociólogos vai mostrando que não é fácil
compreender a voz plural das ruas.
A segunda questão está
implícita na primeira: Não há uma voz
nas ruas, há vozes. E estas vozes em sua maioria demonstram um desconhecimento
do funcionamento do Estado Democrático. É possível que alguns que na rua estão,
tem consciência do que expressam vai contra a existência do Estado democrático
de direito, e talvez, até desejam mesmo confundir a população procurando abrir
brechas para uma futura ditadura. Entretanto, parece claro que existe uma
grande ignorância quanto ao papel dos políticos, dos partidos políticos e das
relações entre os poderes bem como das responsabilidades de cada um deles.
A terceira questão e que me
alegrou foi ver a população pedindo melhores serviços de saúde, educação e
segurança pública. Agora, voltando a razão espero que a população que foi às
ruas deve lembrar que tais serviços só vai melhorar com intensa participação
dos próprios cidadãos que já possuem diversos canais de participação e controle
dos serviços públicos no cotidiano. No caso da Educação, acompanhar o
desempenho do filho na escola é uma boa forma de auxiliar o estado a construir
uma educação de qualidade. No caso da Saúde e Segurança, a participação nos
conselhos municipais das respectivas áreas, bem como, melhorar a consciência
dos prestadores de serviços pode melhorar em no mínimo 50% a qualidade dos
serviços hoje já oferecidos.
Por fim, não posso deixar
de falar da questão da Mobilidade Urbana. A pergunta que faço é : O passe livre
resolverá o problema da Mobilidade Urbana? E quem vai pagar a conta final do
passe livre para todos os estudantes? Pode parecer contraditório para quem
conhece meu pensamento, mas não posso deixar de ressaltar que o auxílio do
Estado é danoso quando oferecido a quem pode pagar, não ser quando comprovado
extremo mérito. A questão da Mobilidade
Urbana deve ser pensado de forma mais ampla, o que leva a uma necessidade de
discussão e conhecimento dos problemas enfrentados, sob o risco de cairmos em
uma demagogia, levados pela pressa ou pelas más intenções.
No próximo post, falo da
Reforma Política e do Plesbicito da Dilma.
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