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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Depois das ruas – À razão.



Nelson Soares dos Santos

Eu confesso que fiquei surpreso com a forma como  a população ocupou as ruas de todo país, em diversas cidades, inclusive em cidades do interior onde não há tradição de protestos. Mesmo questionado diversas vezes, pouco opinei, a não ser admitir que as pautas que ocuparam as ruas já eram velhas conhecidas do meu partido – O PPS, bem antes de  nas ruas estar, inclusive a necessidade dos partidos se reinventarem. Neste sentido, nosso partido, O PPS vem de há  muito tempo tecendo teorias sobre como fazer a reinvenção, seja a discussão do fortalecimento do poder local, seja  a discussão que envolve a construção de redes.
Agora que a população parece se acalmar, ou pelo menos, passado o primeiro susto e já acostumando com a nova realidade política e politizada da população, penso que é hora de colocar algumas pontuações. A primeira questão  e mais óbvia: é preciso admitir que há uma dificuldade geral de entender e compreender o que a parcela da população que foi as ruas deseja dizer ou reivindicar. A postura dos dirigentes, governantes e mesmo as análises de cientista políticos, antropólogos e sociólogos vai mostrando que não é fácil compreender a voz plural das ruas.
A segunda questão está implícita na primeira: Não há  uma voz nas ruas, há vozes. E estas vozes em sua maioria demonstram um desconhecimento do funcionamento do Estado Democrático. É possível que alguns que na rua estão, tem consciência do que expressam vai contra a existência do Estado democrático de direito, e talvez, até desejam mesmo confundir a população procurando abrir brechas para uma futura ditadura. Entretanto, parece claro que existe uma grande ignorância quanto ao papel dos políticos, dos partidos políticos e das relações entre os poderes bem como das responsabilidades de cada um deles.
A terceira questão e que me alegrou foi ver a população pedindo melhores serviços de saúde, educação e segurança pública. Agora, voltando a razão espero que a população que foi às ruas deve lembrar que tais serviços só vai melhorar com intensa participação dos próprios cidadãos que já possuem diversos canais de participação e controle dos serviços públicos no cotidiano. No caso da Educação, acompanhar o desempenho do filho na escola é uma boa forma de auxiliar o estado a construir uma educação de qualidade. No caso da Saúde e Segurança, a participação nos conselhos municipais das respectivas áreas, bem como, melhorar a consciência dos prestadores de serviços pode melhorar em no mínimo 50% a qualidade dos serviços  hoje já oferecidos.
Por fim, não posso deixar de falar da questão da Mobilidade Urbana. A pergunta que faço é : O passe livre resolverá o problema da Mobilidade Urbana? E quem vai pagar a conta final do passe livre para todos os estudantes? Pode parecer contraditório para quem conhece meu pensamento, mas não posso deixar de ressaltar que o auxílio do Estado é danoso quando oferecido a quem pode pagar, não ser quando comprovado extremo mérito. A questão da  Mobilidade Urbana deve ser pensado de forma mais ampla, o que leva a uma necessidade de discussão e conhecimento dos problemas enfrentados, sob o risco de cairmos em uma demagogia, levados pela pressa ou pelas más intenções.
No próximo post, falo da Reforma Política e do Plesbicito da Dilma.

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