Nelson
Soares dos Santos[1]
Tem algumas questões que ficam no rodapé da política, mas que no final,
são elas que definem os rumos de um governo. A educação tem sempre estado no
rodapé, mas é a forma como um governo trata a questão da educação que diz muito
dos rumos que serão tomados no futuro. Hoje, no site de G1, uma notícia chamou
atenção: Dilma afirmou que pretende retirar filosofia e sociologia do currículo
escolar. A última vez no Brasil que filosofia e sociologia ficaram fora do
currículo escolar foi durante a ditadura militar, combatido por Dilma e pelo
PT. O que mudou agora? Estaria o PT assumindo em definitivo sua face
autoritária?
Pior do que a afirmação de Dilma de retirar tais disciplinas dos
currículos escolares é o silêncio dos intelectuais, inclusive filósofos,
geógrafos, sociólogos e todos os demais da área de humanas. Perguntei a um deles se apoiava a ideia de
Dilma de retirar as disciplinas do Currículo na linha do tempo do face, e o mesmo não só deletou a
pergunta, como ameaçou deletar-me da lista de amigos dele. Tal comportamento se
alastra pelas universidades. Diversos petista estão contaminados por uma
cegueira que dá medo ao mais conservador e reacionário quando a questão é discordar de qualquer discurso
das lideranças do Partido. Parece um sintoma daquela personalidade autoritária
identificada por Adorno antes e durante a segunda guerra mundial, quando homem
pretensamente esclarecidos assumiram posturas absurdas diante da consumação de
assassinatos em massa feitos pelo partido nazista.
Diferente de retirar tal disciplina do currículo escolar, os países
europeus já trabalham com filosofia para crianças. E a maioria dos países democráticos já
possuem filosofia e sociologia no Ensino Fundamental. A proposta de Dilma é um
retrocesso na construção de uma escola democrática e na formação de uma
consciência Cidadã. Não somente é preciso aumentar a carga horária destas
disciplinas como também é necessário aumentar o tempo de exposição do aluno aos
chamados temas transversal, como ética, meio ambiente, cultura, inserção de
música e arte promovendo assim, uma educação verdadeira integral aos nossos
alunos. Educação Integral não é colocar o aluno o dia inteiro em escolas
inabitáveis e provê-lo de oportunidades de aprendizagem que o leve a tornar-se
verdadeiramente cidadão livre e independente.
O verdadeiro passo para a
implantação de um governo autoritário em um país é a mudança de seu modelo de
educação. A militarização das escolas em curso em alguns estados, o
comportamento autoritário de professores e intelectuais, e agora a proposta de
mudança curricular de alguns candidatos deixa em alerta os democratas de todos
os cantos do Brasil. É preciso fazer alternância de poder. A nossa democracia
não pode dar um passo para trás. A gestão democrática, a inclusão da filosofia
e sociologia nas escolas, e tantas outras conquistas democráticas não podem
ceder espaço a um autoritarismo que
coloca no aluno e no professor a responsabilidade da qualidade de um ensino que
se explica pela omissão dos políticos e do protagonismo político dos
educadores.
[1]
Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação
Brasileira e Professor Universitário.


