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terça-feira, 3 de setembro de 2013

A reação de um Guerreiro.


Nelson Soares dos Santos

Muita gente faz política com uma profusão de sentimentos e esquece o fato fundamental: A política é arte da Guerra e a guerra é a tarefa essencial do estado, disse Sun Tzu muitos séculos antes de nós chegarmos a esta terra. Todos aqueles que ingressam na política deveriam saber que estão entrando em uma zona de guerra e o que mudas são as razões pelas quais cada um dos que se envolvem, travam suas batalhas. A grande maioria luta pelo poder, o poder do mando, o poder de serem admirados, respeitados, amados e ou temidos. São poucos, muitos poucos aqueles que entram nesta seara com o objetivo de utilizar o poder para servir, para fazer avançar a consciência humana e tornar o mundo melhor.
Depois de se torar quase incontestável por quase 16 anos foi desbancado nesta luta por Marconi Perillo, que em 1998 trouxe esperanças para um povo fatigado. Um povo que se cansou de ver os direitos humanos serem desrespeitados no Estado, que via uma obra física ter mais valor que um ser humano, que via a perseguição política crescer em todo o Estado. O primeiro Governo Marconi foi o momento em que o Estado reassumiu o seu papel de buscar o equilíbrio entre as classes, categorias e grupos da sociedade civil que compõe a sociedade Goiana.
Este papel começou a se fragilizar no segundo Governo, e já no Governo Alcides sofreu uma forte paralisia. Aliado a conjuntura nacional, os movimentos sociais foram totalmente manietados por discursos políticos conservadores e maniqueístas fazendo com que o Estado e  as cúpulas dos movimentos sociais e populares perdesse o contato com o povo, com a vida cotidiana e com aquilo que é mais importante para o cidadão : a busca por melhoria da qualidade de vida e da felicidade.
Foi  os desejos de retomar os caminhos trilhados a partir de 1998 que levou Marconi Perillo ao seu terceiro Governo em 2010. Entretanto, parte do eleitorado viu-se frustrado pelas primeiras manobras políticas realizadas logo no pós-eleição: o processo de cooptação, a forma de montagem do governo ( que leva muitas vezes a perseguições políticas de cunho pessoal), e os inúmeros escândalos nos quais políticos de todos os matizes ideológicos se viram envolvidos, turvou o sonho de que se poderia avançar em desenvolvimento humano, sustentabilidade e democracia. Foi diante deste quadro que muitos adversários e até mesmo certos aliados viram o Governador Marconi praticamente fora do páreo em 2014 ou com poucas chances de vencer novamente.
Para entretanto, contrariar seus adversários, Marconi Perillo vem fazendo algumas coisas que por serem sutis nem mesmo os aliados mais próximos estão percebendo. Primeiro, reaproximou-se do povo, visitando a maior parte dos municípios goianos em curtíssimo espaço de tempo. Nestas visitas vem reforçando o aspecto progressista do seu governo focado em desenvolvimento humano, respeito aos movimentos sociais e a democracia. Aliado a isso, constrói obras em todo o estado firmando a ideia de bom gestor. Esforça-se por enfrentar problemas graves com a questão da Autonomia e fortalecimento da UEG, ( vide mudança de reitor e estrutura de gestão), os problemas da segurança pública ( mudança de secretário, forma de atuação e criação de nova secretaria de gestão penitenciária), na saúde, esforça por apresentar resultados na construção de hospitais e de melhoria na gestão.
 O Grande problema do Governador ainda é a relação com os servidores públicos que patina na Educação, Saúde e Segurança Pública. O caso da data-base dos servidores, em pauta na Assembleia, é o sinal mais claro desta situação No caso da UEG, a questão da autonomia pode ajudar muito, mas ainda é pouco, para um problema que se tornou enorme, pois a Universidade possui uma forte ligação e funciona como ressonância dos protestos dos servidores da educação. No caso da Educação, os avanços foram poucos e não há mais tempo para resultados em curto prazo. Resta criatividade na Saúde e na Segurança Pública, pois nestas áreas é possível resultados mais rápidos.
Na política, cercou-se de aliados leais e bem articulado agiu para ter um controle de todos os partidos da base aliada e evitar deserções. As últimas movimentações mostram bem este fato com a ida de José Élinto para o PP, e de José Gomes da Rocha para o PTB. Vilmar Rocha e Thiago Peixoto no PSD. Roberto Balestra e José Éliton no PP, Jovair Arantes e José Gomes da Rocha no PTB garante uma coligação mínima de três grandes partidos mais o PSDB,  no projeto de reeleição. Nos pequenos partidos agiu para ter o PSL, PRB, PT do B, PV e outros, no sentido de esvaziar uma possível terceira via que pudesse surgir aliada a possibilidade de palanque nacional para Marina Santana ou outro candidato fora do eixo PT/PMDB.

Por tudo isso é que é preciso ver a política de forma menos sentimental, pois, aliado a estes fatos, se junta à desorganização do PMDB, maior partido da oposição, que em tempo de se fortalecer, digladia-se internamente com a presença de Júnior Friboi a desafiar o velho líder Iris Resende Machado. O PT, embora com nomes fortes, encontra-se acoplado ao PMDB diante da conjuntura nacional, e a famosa terceira via representada por Vanderlam Cardoso, perde força na medida em que se apresenta aliado a Ronaldo Caiado considerado no meio do povo como representante do que de mais atrasado existe na política goiana. O que se vê portanto, é um cenário, onde Marconi poderá chegar em 2014, sem grandes adversários, e com o mesmo desafio que em Iris em 1998 – Explicar-se para o povo por que não conseguiu atender as expectativas nele depositadas em 16 anos de governo.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Os Psicopatas e o Poder: O caso do Legislador presidiário.


Nelson Soares dos Santos[1]

Estava pesquisando no Google o significado da palavra respeito, e, deparei-me com um tópico sobre a psicopatia e o poder. Chequei a tal tópico por que queria ter clareza do que leva um individuo a não respeitar as pessoas que estão a sua volta, não respeitar espaço e limites. Então, do nada estava lendo textos e mais textos sobre pessoas com transtorno de personalidade antissocial. Sim, a psicopatia é um transtorno de personalidade, segundo os estudiosos, mais presentes nas mulheres que nos homens. Entre aqueles que vivem em sociedade varia entre 0,3 a 0,6%, entre os presidiários a variação do transtorno vai de 40% a 66% aproximadamente.
O Psicopata não faz planos para o futuro, é, paradoxalmente calmo e ordeiro, sendo na verdade agressivo, não se conforma as normas, possui conduta sexual desregrada, mente o tempo todo, usa de agressividade contra animais domésticos, não apresenta remorso, despreza as normas de respeito ao outro no ambiente familiar ou social,  e, possui um ânsia de viver situações onde se sente poderoso. Há dois tipos de Psicopatas: os leves a moderados, ou de moderados a graves. Os primeiros vivem normalmente em sociedade e possui uma extrema facilidade na disputa pelo poder. Sua maioria são mulheres e podem ser encontrados nos esportes, na política e em situações nas quais podem exercer o poder sobre os outros.
O curioso é que, de acordo com as leituras, entre aqueles que chegam ao poder, ou as pessoas que conseguem rapidamente ter sucesso em suas carreiras o índice entre elas, é praticamente o mesmo encontrado nos presídios. Desta feita, não pode se dizer que foi surpresa a votação no Congresso Nacional que impediu a cassação do mandato do deputado presidiário. Em um congresso de Psicopatas, a lógica do presídio foi mais forte que a lógica das sociedades humanizadas.
Temos que tirar lições profundas do que aconteceu. Afinal, ano que vem estaremos novamente elegendo novos congressistas, e teremos oportunidade de eleger cidadãos ou novamente colocar ali Psicopatas que não são capazes de diferenciar o normal do ridículo. Outra reflexão que deve ser feita é: por que votamos em psicopatas? Por que votamos em pessoas que já sabemos que vai roubar o dinheiro que, também é nosso? Por que entramos neste jogo de loucura se estamos vendo as consequências destas formas de gerir a sociedade todos os dias, e sofremos junto com todas as consequências das mesmas?
O caso Legislador presidiário deve servir para a nossa reflexão, mas não apenas isso. Como explicar a falta de sensibilidade do Congresso para com as manifestações de ruas? Como explicar a aprovação de uma enxurrada de leis dúbias em vez de se ater as reivindicações do povo? Há algo de profundamente errado no Congresso Nacional. Antes os humoristas brincavam que se colocasse uma cerca de arame o Congresso viraria um presídio. Agora é fato. Ali existe  um mandato, um legislador que é um presidiário. Como disse um Ministro do STF: A papuda está homenageada.




[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desenvolvimento Humano e Democracia: O que os Políticos podem fazer já.


Nelson Soares dos Santos[1]

Tenho repetido exaustivamente de que o Estado de Goiás, e o Brasil, precisam de ações que visem e estimulem o Desenvolvimento humano e a Democracia. Para darmos um passo nesta direção há algumas questões que são complexas, outras que de tão simples e óbvias não merecem a atenção dos políticos. Enumero neste artigo algumas ações que se realizadas poderia muito contribuir para fazer nosso país dar um novo passo.
A primeira questão que os políticos deveriam pensar seriamente é na mudança da lógica que move as negociações da política, sobretudo na corrida pré-eleitoral e da qual os eleitores em geral não participam. Tal processo começa imediatamente após o término de uma eleição e o início de um novo mandato. A costura da ocupação de cargos no executivo tem sido feita por duas lógicas: a força dos partidos no pós-eleitoral ( quantidade de parlamentares eleitos), e a construção de base para a eleição seguinte. Assim feito, o próprio debate político fica prejudicado pois não se leva em conta como os novos eleitos vão se comportar no exercício do poder. Muitos projetos políticos são completamente desvirtuados e modificados neste momento, pois o projeto escolhido pelo povo é modificado para “acolher” as contribuições dos novos aliados.
A segunda questão são as negociações para composição no processo eleitoral futuro, que, mormente, começa também um dia depois do eleitor fazer suas escolhas. Aqui a questão é mais danosa.  A lógica que a rege quase sempre é baseada na força. E a força é definida pela quantidade de dinheiro que cada pretendente possui para colocar em jogo, ou a capacidade de se “levantar” dinheiro  para gastar no processo eleitoral. Se todo dinheiro movimentado produzisse alguma coisa para o bem estar do eleitor, tudo bem, mas este dinheiro é a fonte na qual os políticos se enriquecem; e, pior, parece que nos últimos anos também a fonte de profunda corrupção e assassinatos. Em vez de a fonte ser o dinheiro de cada um, deveria ser as ideias, ou o que cada líder defende como sendo os rumos para os quais a sociedade deve-se dirigir. Neste sentido, após a eleição iniciar-se-ia um rico debate político sobre as questões mais prementes: aborto, Estado laico X Estado Religioso, Racismo, Relações Internacionais, Transporte Público, Sustentabilidade, Saúde, Segurança, Educação, para citar apenas aqueles que tem frequentado constantemente a mídia como anseios de que devem ser melhorados por parte do cidadão eleitor.
Pode parecer uma tamanha obviedade, mas se estas mudanças fossem assumidas muita coisa poderia ser modificada. Outro dia ouvi que nos dias atuais o maior patrimônio na política não é mais ideias ou mesmo dinheiro: é Ser “dono” de partido ou de uma igreja, uma vez que muito indivíduo tem negociado cargos tendo a chantagem como fundamento do tipo: olha, tenho tanto mil fiéis no estado ou você me atende ou falo mal de ti para todos; olha, tenho tantos no meu partido, tanto tempo de televisão, etc, ou me atende, ou tornarei adversário. A qualidade de vida das pessoas nunca é discutida, as possibilidades de se tornar melhor o lugar onde se vive nunca é lembrado.
Tornar este sistema de negociação mais barato significa as lideranças tentarem o diálogo direto com eleitor, e manter-se fiel ao desejo da população de dias melhores.  É claro que vejo um risco alto de se perder a vida e a reputação defendendo posições tais. Afinal, a lógica que rege a política é a do mercado e da empresa. E na lógica do mercado e da empresa o que vale não são os meios, são os fins, e os fins é constituído de apenas um – o lucro.



[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira. É filiado ao PPS Goiás.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E os cubanos descobriram o Brasil.


Nelson Soares dos Santos[1]

Na última semana o debate em torno da saúde pública no Brasil chegou aos píncaros. O grande problema é que o método não foi o mais adequado. Os médicos e a direita ensandecida e raivosa ficaram todo tempo bradando e pouco explicou, a esquerda, a maior parte dela refém do Governo Lula assumiu uma posição maniqueísta no sentido de que tudo que Lula propõe é bom, e quem é contra é do mal. No final, pede a informação e a construção da cidadania. No caso dos médicos cubanos, o programa de Lula tem algo de bom, a julgar pelas declarações dos  primeiros que chegaram ao Brasil.
O incidente engraçado se deu em Fortaleza. Lá, um dos magos cubanos que pretende transforma a saúde do Brasil em coisa do primeiro mundo resolveu visitar um hospital, e claro, se deparou com a realidade que todos os brasileiros estão acostumados e já sabem, quer seja: ou se investe na infraestrutura dos hospitais públicos ou nenhuma magia vai resolver o problema da saúde no Brasil.  Descobriu-se o óbvio que dito e ouvido pelos lábios de uma direita ensandecida ninguém quis ouvir, como se verdade dita se apequena por ser dita mesmo que pelo diabo.
O que disse o médico cubano ao ser questionado se tinha condições de mudar a saúde no Brasil só com mais médicos é o lógico e natural, a questão é que foi dita por médicos cubanos. Outra questão que salta aos olhos é que na mesma reportagem os médicos dizem não estar aqui só pelo salário, mas por vocação. Em contradição a isso uma dos elementos da atual política econômica é o estímulo ao consumo. Se tivesse estimulado os brasileiros a buscarem suas vocações e não ao consumo desenfreado que endividou grande parte das famílias brasileiras talvez, até mesmo a saúde, já estaria melhor, afinal, o estímulo a busca de si mesmo teria levado muitos a investir na própria saúde em vez de comprar carros e eletrodomésticos.
A verdade é que passada a euforia inicial, a realidade começa a bater a  porta do governo Dilma. OU se enfrenta o modelo de política econômica que privilegia o capital rentista, os bancos, etc, e se investe em Educação, Saúde e Segurança Pública, ou não terá mágica que faça este país funcionar. Por enquanto, poderia se dizer que 500 anos depois dos portugueses, os cubanos descobriram o Brasil. Não mais um Brasil de índios nus, mas um brasil sem estrutura mínima para cuidar da saúde do seu povo.



[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira e Filiado ao PPS.

domingo, 25 de agosto de 2013

A barbárie de ontem e de hoje



Nelson Soares dos Santos[1]

A primeira vez que tive contato com o que se chama de barbárie foi estudando sobre a segunda guerra mundial. Lembro que chorei ao ouvir as descrições de como eram mortos os dissidentes de Hitler, principalmente judeus, mórmons, e outros. Na época assisti o filme a Lista de Schindler e novamente derramei lágrimas de dor. Desde então, dediquei-me a estudar o que levam os homens a crimes tão bárbaros. Sinceramente nunca encontrei uma resposta que de fato pudesse explicar tais absurdos.
Esta semana as imagens de filas de corpos mortos por ataque de armas químicas na síria, o grande número de mortos no Egito e o avanço da violência, inclusive no Brasil, novamente trouxe ao debate a questão da barbárie. E quando o discurso toma o campo do emocional pouco se faz para de fato entender o que está acontecendo com o mundo. Menos divulgado, as imagens de soldados americanos estuprando e torturando muçulmanos podem ser colocadas tranquilamente no rol de crimes bárbaros cometidos contra a humanidade. Afinal, são apenas estas as formas que tais absurdos se apresentam? E o que os  motivam?
Quando analisou a questão da segunda guerra mundial, Adorno colocou-nos uma questão que de certa forma, foi tida como verdade para grande parte dos intelectuais. Em diversos de seus textos, Adorno afirma que apenas a educação para emancipação poderia evitar futuras atrocidades como as que ocorreram na Alemanha. Ao analisar a questão da indústria cultural o autor da Escola de Frankfurt tenta mostrar que a dificuldade obter uma consciência elevada da realidade, ou da capacidade de interpretação do real leva a um tipo de alienação que torna a razão humana irracional e leva aos piores cataclismos.
O problema é que nos dias de hoje, diferente da Alemanha de Hitler, as decisões não me parecem representar uma alienação da maioria, afinal, a maioria das grandes decisões referentes a guerras são tomadas por especialistas, e a grande maioria, sequer possui condições de compreender os elementos que compõe a situação. No caso do Egito, Síria e Estados Unidos, a democracia não representa a vontade e a consciência do povo, uma vez, que em sua grande maioria o povo destes países não conhece os entremeios dos bastidores da diplomacia internacional.
De outro lado, não creio que os chamados especialistas responsáveis pelas lutas que se estabelecem nos bastidores não tenham uma formação humana, ou pelo menos, não tenha tido oportunidade de obtê-la. Então a questão que se deve colocar é outra, mesmo a questão do bem e do mal e como esta dicotomia se apresenta nos seres humanos. Temos a responsabilidade de investigar tal questão para além das dicotomias ideológicas, ou estaremos condenados a conviver com outros mortos, outros campos de concentração e outras calamidades.
Desta, forma, pensar a barbárie de hoje significa repensar a sociedade que vivemos, o modelo desta sociedade, das relações que existem entre sociedade, mercado e estado  para que possamos compreender as dificuldades vividas pelas instituições consideradas tradicionais, como a família, as religiões, etc; e quais novas instituições podem estar surgindo destas novas realidades. O sonho de um mundo pacífico não parece estar próximo, e se parece que a educação pode contribuir para o desenvolvimento  da consciência humana, as condições para que o homem escolha fazer sempre o bem ao seu semelhante pode não ser apenas uma questão da evolução da consciência e aquisição da Autoconsciência. É necessário que repudiemos tais acontecimentos grotescos, mas que isso é importante refletir sobre o que motiva as escolhas de cada um de nós.





[1]Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e filiado ao PPS Goiás.

sábado, 24 de agosto de 2013

Probidade, Decência e competência pra fazer direito.


Nelson Soares dos Santos[1]

Nas últimas semanas convivemos com as pílulas de propaganda partidária na televisão do PMDB e do PTB. A Tônica de ambas foi a ideia da renovação e as palavras de ordem foram “ Probidade, decência e competência para fazer direito”. O que quero aqui dizer é que o PMDB perdeu uma boa oportunidade de dialogar com a sociedade no ânimo que tem de se contrapor a Marconi Perillo. Mesmo que tenham se esforçado, ( e a propaganda foi leve e sutil), perderam-se no emaranhado da história como se o povo não tivesse memória. O PMDB não consegue perceber que o diálogo que é necessário ter com a sociedade não é dizê-la que o adversário não faz bem, e sim, que é necessário a sociedade refletir sobre si mesma e as relações estabelecidas com o mercado. Sem isso, as palavras perdem o significado e tornam-se como folhas secas levadas ao vento.

Probidade e decência.

A palavra probidade é sinônima de honestidade, honradez, inteligência e capacidade de sentir e fazer acontecer à dignidade humana. Já decência é a capacidade de estar de acordo com um sistema de crenças ou costumes de uma determinada sociedade. O marketing do PMDB utiliza-se, pois, de duas palavras que parecem complementares, mas que na essência dizem coisas diferentes. Talvez seja por isso que o próprio PMDB esquece completamente a própria história ( caso astro gráfica, BEG, venda de Cachoeira dourada, etc), uma vez que tais acontecimentos, explicariam para se defender, foram necessários e refletiram a época na qual estiveram a frente da Administração.
De outro lado, como o objetivo do PMDB é apenas atacar, aquele que considera adversário, não se propõe a dialogar com a sociedade, que em sua essência tem se mostrado violenta, corrupta, corrompida e corruptora, ao ponto de desestimular os homens que se esforçam para viver com honradez  e honestidade de participar da atividade política. O PMDB tem o direito de pregar a  honradez, a decência, a probidade e mesmo a ética,  - afinal, quem na política já foi Governador, prefeito, deputado federal e ou estadual e ainda sente-se totalmente honesto que jogue a primeira pedra –  o  que não se pode, é tentar fazê-lo ignorando as condições reais, a sociedade na qual se vive, e o sistema na qual a política está inserida. O PMDB fez demagogia, de forma tão barata que os mais leigos no assunto foram capazes de perceber.

Competência pra fazer direito.

A política parece-me nos dias de hoje, um sistema de mundo a parte, um mundo onde tudo é fluído e passageiro e a memória histórica inexistem. A participação de Júnior do Friboi no programa do PMDB parece ser uma evidência desta questão. O homem dos bois já migrou da base do governador a Oposição, passou de partidos da direita aos partidos socialistas em uma forma jocosa de ignorar a realidade e os costumes da sociedade na qual vive. A evidência mais forte de que é um homem que ignora a realidade é atual situação do mesmo no PMDB, que ao decidir concorrer a convenção ( com Iris que diz não ser candidato, mas é o mais candidato dos candidatos), provoca uma divisão no PMDB utilizando como instrumento sua dinheirama. Este homem afirma que com o dinheiro público pode fazer muito mais e melhor. Eu entendi que ele estava explicando como transformou a JBS em uma potência utilizando empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social.
Ora, que a JBS, parece uma empresa de sucesso ( e digo parece por que é preciso ter cautela, afinal, também Eike já estava a caminho de ser o homem mais rico do mundo), não é discutível, porém dizer que por ter sucesso na iniciativa privada vai fazê-lo um grande gestor público é uma grande demagogia que não se pode aceitar. Sou defensor da tese de que um empresário por ter sucesso não lhe garante competência para gerir o Estado, pois este tem objetivos, metas, e resultados totalmente diferentes do Mercado ao qual muitas vezes se lhe deve opor.

Competência para perceber o ser humano.

Um aspecto, o mais importante, ficou de fora das perspectivas e mensagens do PMDB - Como produzir desenvolvimento humano e aprofundar a democracia em Goiás? Tivesse respondido esta questão poderia ter estabelecido um diálogo com o cidadão eleitor. Hoje mais do que nunca devemos e necessitamos discutir o que está na origem do caos na saúde, na educação, na segurança. Não mudaremos a realidade da Educação, saúde e segurança pública com promessas demagógicas, o que precisamos é de um diálogo permanente com a sociedade, fortalecendo o poder local, construindo a autonomia nos indivíduos e tornando a política parte da vida banal de todos nós, o que significa entender que o preço do tomate, do feijão e do arroz está profundamente ligado às decisões políticas mais distantes.
Pelo sim, ou pelo não ao esforçar para resolver o problema da data-base dos servidores, fazer avançar o projeto que dá autonomia a UEG, aumentar os investimentos na Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Goiás ( sobretudo nas pesquisas de empreendedorismo e inovação), o Governador Marconi fez aquilo que a sociedade espera – endireita os rumos do governo no sentido de fazer avançar a democracia e o desenvolvimento humano no Estado. É este diálogo permanente, de mão dupla com a sociedade, no sentido de fazer os investimentos produzirem resultados na vida banal que fará as mudanças necessárias para que a sociedade avance.




[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em educação Brasileira. É filiado ao Partido Popular Socialista e Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira – Goiás.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que é o Político?


Nelson Soares dos Santos[1]

Recentemente publiquei uma artigo onde aponte alguns males provenientes do modelo empresarial que tem invadido a política brasileira e goiana. Desta feita, vou falar do que é o político em contraposição ao empresário. Não resgataremos a atividade política enquanto não compreendemos os limites e as características da atividade política. Também aqui não vamos exibir erudição. Basta uma breve consulta a enciclopédia virtual e podemos encontrar a seguinte definição:
Um político é um indivíduo ativo na política de um grupo social. Pode ser formalmente reconhecido como membro ativo de um governo, ou uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada por meio de conhecimentos sobre poder político e dinâmica de grupo. Essa definição inclui pessoas que estão em cargos de decisão no governo, e pessoas que almejam esses cargos tanto por eleição, quanto por indicação, fraude eleitoral, hereditariedade, etc.” ( Wikipédia)
Pela definição acima, pode se depreender que, naturalmente há empregados que são políticos, aliás, depreende-se que o bom gestor mesmo na iniciativa privada precisa de compreender a arte da política no seu sentido mais strictu sensu de ser. Precisa compreender, sobretudo, a dinâmica dos grupos sociais, como se movimentam, mesmo que com objetivo de produzir o lucro para a sua empresa.
Além disso, para se compreender melhor a linha de raciocínios aqui adotada devemos  entender que o estado moderno, e portanto o estado capitalista abdicou, em uma expressão marxiana do processo de escravização diretas transferindo este processo para o mercado, ou para as chamadas relações de mercado na forma sutil definida como extração da mais valia. Sendo assim, o papel do estado passou de explorador direto das classes dominadas a reguladora das relações entre as classes o que fez abrir perspectivas para o sonho burguês da revolução por Liberdade, Igualdade e Fraternidade que encontrou sua expressão mais significativa nas revoluções ocorridas na França e nos Estados Unidos da América.
Assim, a gestão do estado em vez de estar focado no processo de exploração, estaria focada no processo da busca do equilibro entre o mercado, onde se dá as relações entre dominantes e dominados e a sociedade civil, ou o munda da vida onde vive todos os homens. Neste sentido um estudioso da Gestão Do Estado na contemporaneidade afirmar que:
Grandes mudanças no aparelho do Estado requerem –  mais do que recursos financeiros e a revisão do modo como funcionam as instituições como um todo – um corpo de funcionários públicos preparados. Novos modelos de gestão do Estado, que dêem conta das mudanças cada vez mais rápidas nas demandas dos cidadãos e na forma de atender a essas demandas, devem contar com profissionais com perfis mais flexíveis, em carreiras que absorvam essas mudanças e que permitam aos funcionários aprender e desenvolver-se continuamente”. Marconi, Nelson. A gestão do Estado torna-se na contemporaneidade, uma gestão de recursos humanos visando atender as demandas dos cidadãos ( seres humanos com suas subjetividades mais profundas), que buscam qualidade, sentido e significado para as suas vidas. É pois, fácil de concluir que a gestão de um ente assim qualificado não se coaduna com o perfil definido de empresário que busca o lucro ( muitas vezes a qualquer custo). Veja que há aqui uma diferença substancial entre o papel de gerir o estado e de gerir uma empresa, o que nos leva a conclusão de que competência técnica para gerir uma empresa pode não necessariamente significar competência técnica para gerir o estado, e que, mais ainda, os conhecimentos necessários para gerir o estado não são os mesmos utilizados na gestão de uma empresa.
Dizer pois, que um empresário é mais competente para gerir o estado que um político é semelhante o que se diz de um médico para gerir um hospital, como se compreendendo da arte médica fosse suficiente para compreender o cotidiano de todo um hospital. O aprendizado da técnica de gestão se dá no curso de Administração e o da arte política, possivelmente em um curso de ciência política. A gestão pública atual, como já afirmei no artigo “O Técnico e o Político” necessita conjugar na mesma pessoa a competência técnica e o compromisso político, o que nos leva a entender que o problema atual é mesmo a falta de um estadista, ou seja, aquele político que acima de tudo é capaz de sentir e compreender os mistérios das aspirações humanas a felicidade.


Referências Bilbliográficas.
 O Político http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtico Retirado em 14/08/13
O Empresário http://pt.wikipedia.org/wiki/Empres%C3%A1rio Retirado em 14/08/13




[1] Nelson Soares dos Santos é técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira.