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domingo, 25 de agosto de 2013

A barbárie de ontem e de hoje



Nelson Soares dos Santos[1]

A primeira vez que tive contato com o que se chama de barbárie foi estudando sobre a segunda guerra mundial. Lembro que chorei ao ouvir as descrições de como eram mortos os dissidentes de Hitler, principalmente judeus, mórmons, e outros. Na época assisti o filme a Lista de Schindler e novamente derramei lágrimas de dor. Desde então, dediquei-me a estudar o que levam os homens a crimes tão bárbaros. Sinceramente nunca encontrei uma resposta que de fato pudesse explicar tais absurdos.
Esta semana as imagens de filas de corpos mortos por ataque de armas químicas na síria, o grande número de mortos no Egito e o avanço da violência, inclusive no Brasil, novamente trouxe ao debate a questão da barbárie. E quando o discurso toma o campo do emocional pouco se faz para de fato entender o que está acontecendo com o mundo. Menos divulgado, as imagens de soldados americanos estuprando e torturando muçulmanos podem ser colocadas tranquilamente no rol de crimes bárbaros cometidos contra a humanidade. Afinal, são apenas estas as formas que tais absurdos se apresentam? E o que os  motivam?
Quando analisou a questão da segunda guerra mundial, Adorno colocou-nos uma questão que de certa forma, foi tida como verdade para grande parte dos intelectuais. Em diversos de seus textos, Adorno afirma que apenas a educação para emancipação poderia evitar futuras atrocidades como as que ocorreram na Alemanha. Ao analisar a questão da indústria cultural o autor da Escola de Frankfurt tenta mostrar que a dificuldade obter uma consciência elevada da realidade, ou da capacidade de interpretação do real leva a um tipo de alienação que torna a razão humana irracional e leva aos piores cataclismos.
O problema é que nos dias de hoje, diferente da Alemanha de Hitler, as decisões não me parecem representar uma alienação da maioria, afinal, a maioria das grandes decisões referentes a guerras são tomadas por especialistas, e a grande maioria, sequer possui condições de compreender os elementos que compõe a situação. No caso do Egito, Síria e Estados Unidos, a democracia não representa a vontade e a consciência do povo, uma vez, que em sua grande maioria o povo destes países não conhece os entremeios dos bastidores da diplomacia internacional.
De outro lado, não creio que os chamados especialistas responsáveis pelas lutas que se estabelecem nos bastidores não tenham uma formação humana, ou pelo menos, não tenha tido oportunidade de obtê-la. Então a questão que se deve colocar é outra, mesmo a questão do bem e do mal e como esta dicotomia se apresenta nos seres humanos. Temos a responsabilidade de investigar tal questão para além das dicotomias ideológicas, ou estaremos condenados a conviver com outros mortos, outros campos de concentração e outras calamidades.
Desta, forma, pensar a barbárie de hoje significa repensar a sociedade que vivemos, o modelo desta sociedade, das relações que existem entre sociedade, mercado e estado  para que possamos compreender as dificuldades vividas pelas instituições consideradas tradicionais, como a família, as religiões, etc; e quais novas instituições podem estar surgindo destas novas realidades. O sonho de um mundo pacífico não parece estar próximo, e se parece que a educação pode contribuir para o desenvolvimento  da consciência humana, as condições para que o homem escolha fazer sempre o bem ao seu semelhante pode não ser apenas uma questão da evolução da consciência e aquisição da Autoconsciência. É necessário que repudiemos tais acontecimentos grotescos, mas que isso é importante refletir sobre o que motiva as escolhas de cada um de nós.





[1]Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e filiado ao PPS Goiás.

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