Nelson Soares dos
Santos[1]
Recentemente publiquei uma artigo
onde aponte alguns males provenientes do modelo empresarial que tem invadido a
política brasileira e goiana. Desta feita, vou falar do que é o político em
contraposição ao empresário. Não resgataremos a atividade política enquanto não
compreendemos os limites e as características da atividade política. Também
aqui não vamos exibir erudição. Basta uma breve consulta a enciclopédia virtual
e podemos encontrar a seguinte definição:
“Um político é um indivíduo ativo na política de um grupo social. Pode ser formalmente reconhecido como
membro ativo de um governo, ou uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada por meio de conhecimentos sobre poder político e
dinâmica de grupo. Essa definição inclui pessoas que estão em cargos de decisão
no governo, e pessoas que almejam esses cargos tanto por eleição, quanto por indicação, fraude eleitoral, hereditariedade, etc.” ( Wikipédia)
Pela definição acima, pode se
depreender que, naturalmente há empregados que são políticos, aliás,
depreende-se que o bom gestor mesmo na iniciativa privada precisa de compreender
a arte da política no seu sentido mais strictu sensu de ser. Precisa compreender,
sobretudo, a dinâmica dos grupos sociais, como se movimentam, mesmo que com
objetivo de produzir o lucro para a sua empresa.
Além disso, para se compreender
melhor a linha de raciocínios aqui adotada devemos entender que o estado moderno, e portanto o
estado capitalista abdicou, em uma expressão marxiana do processo de
escravização diretas transferindo este processo para o mercado, ou para as
chamadas relações de mercado na forma sutil definida como extração da mais
valia. Sendo assim, o papel do estado passou de explorador direto das classes
dominadas a reguladora das relações entre as classes o que fez abrir
perspectivas para o sonho burguês da revolução por Liberdade, Igualdade e
Fraternidade que encontrou sua expressão mais significativa nas revoluções
ocorridas na França e nos Estados Unidos da América.
Assim, a gestão do estado em vez
de estar focado no processo de exploração, estaria focada no processo da busca
do equilibro entre o mercado, onde se dá as relações entre dominantes e
dominados e a sociedade civil, ou o munda da vida onde vive todos os homens. Neste
sentido um estudioso da Gestão Do Estado na contemporaneidade afirmar que:
“Grandes mudanças no aparelho do Estado
requerem – mais do que recursos
financeiros e a revisão do modo como funcionam as instituições como um todo –
um corpo de funcionários públicos preparados. Novos modelos de gestão do
Estado, que dêem conta das mudanças cada vez mais rápidas nas demandas dos
cidadãos e na forma de atender a essas demandas, devem contar com profissionais
com perfis mais flexíveis, em carreiras que absorvam essas mudanças e que
permitam aos funcionários aprender e desenvolver-se continuamente”. Marconi,
Nelson. A gestão do Estado torna-se na contemporaneidade, uma gestão de recursos humanos
visando atender as demandas dos cidadãos ( seres humanos com suas
subjetividades mais profundas), que buscam qualidade, sentido e significado
para as suas vidas. É pois, fácil de concluir que a gestão de um ente assim
qualificado não se coaduna com o perfil definido de empresário que busca o
lucro ( muitas vezes a qualquer custo). Veja que há aqui uma diferença
substancial entre o papel de gerir o estado e de gerir uma empresa, o que nos
leva a conclusão de que competência técnica para gerir uma empresa pode não
necessariamente significar competência técnica para gerir o estado, e que, mais
ainda, os conhecimentos necessários para gerir o estado não são os mesmos
utilizados na gestão de uma empresa.
Dizer
pois, que um empresário é mais competente para gerir o estado que um político é
semelhante o que se diz de um médico para gerir um hospital, como se
compreendendo da arte médica fosse suficiente para compreender o cotidiano de
todo um hospital. O aprendizado da técnica de gestão se dá no curso de
Administração e o da arte política, possivelmente em um curso de ciência
política. A gestão pública atual, como já afirmei no artigo “O Técnico e o
Político” necessita conjugar na mesma pessoa a competência técnica e o
compromisso político, o que nos leva a entender que o problema atual é mesmo a
falta de um estadista, ou seja, aquele político que acima de tudo é capaz de
sentir e compreender os mistérios das aspirações humanas a felicidade.
Referências Bilbliográficas.
[1] Nelson Soares dos Santos é técnico em
Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira.
Excelente mestre!!
ResponderExcluirMuitos ainda não entendem a diferença de gerir uma empresa à um estado, mas quem ler este post, com certeza revolucionará seus conceitos arraigados em uma crença alienada à uma sociedade pragmática ao senso comum, sem nenhum senso de responsabilidade e ética.