Nelson Soares dos Santos[1]
Na
última semana o debate em torno da saúde pública no Brasil chegou aos píncaros.
O grande problema é que o método não foi o mais adequado. Os médicos e a
direita ensandecida e raivosa ficaram todo tempo bradando e pouco explicou, a
esquerda, a maior parte dela refém do Governo Lula assumiu uma posição
maniqueísta no sentido de que tudo que Lula propõe é bom, e quem é contra é do
mal. No final, pede a informação e a construção da cidadania. No caso dos
médicos cubanos, o programa de Lula tem algo de bom, a julgar pelas declarações
dos primeiros que chegaram ao Brasil.
O
incidente engraçado se deu em Fortaleza. Lá, um dos magos cubanos que pretende
transforma a saúde do Brasil em coisa do primeiro mundo resolveu visitar um
hospital, e claro, se deparou com a realidade que todos os brasileiros estão
acostumados e já sabem, quer seja: ou se investe na infraestrutura dos
hospitais públicos ou nenhuma magia vai resolver o problema da saúde no
Brasil. Descobriu-se o óbvio que dito e
ouvido pelos lábios de uma direita ensandecida ninguém quis ouvir, como se
verdade dita se apequena por ser dita mesmo que pelo diabo.
O
que disse o médico cubano ao ser questionado se tinha condições de mudar a
saúde no Brasil só com mais médicos é o lógico e natural, a questão é que foi
dita por médicos cubanos. Outra questão que salta aos olhos é que na mesma
reportagem os médicos dizem não estar aqui só pelo salário, mas por vocação. Em
contradição a isso uma dos elementos da atual política econômica é o estímulo
ao consumo. Se tivesse estimulado os brasileiros a buscarem suas vocações e não
ao consumo desenfreado que endividou grande parte das famílias brasileiras
talvez, até mesmo a saúde, já estaria melhor, afinal, o estímulo a busca de si
mesmo teria levado muitos a investir na própria saúde em vez de comprar carros
e eletrodomésticos.
A
verdade é que passada a euforia inicial, a realidade começa a bater a porta do governo Dilma. OU se enfrenta o
modelo de política econômica que privilegia o capital rentista, os bancos, etc,
e se investe em Educação, Saúde e Segurança Pública, ou não terá mágica que
faça este país funcionar. Por enquanto, poderia se dizer que 500 anos depois
dos portugueses, os cubanos descobriram o Brasil. Não mais um Brasil de índios
nus, mas um brasil sem estrutura mínima para cuidar da saúde do seu povo.
[1]
Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Pedagogo, Mestre em Educação
Brasileira e Filiado ao PPS.
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