Nelson Soares dos Santos
Ultimamente
a presença de empresários na política é vista como um aspecto totalmente
positivo para sociedade. O discurso corrente é de que se a pessoa se deu bem na
iniciativa privada, se fez sucesso e construiu uma grande empresa está
capacitada para ser um bom prefeito, bom governador ou até presidente da
República. Tenho algumas divergências com este discurso e vou tentar expor nas
linhas que se segue.
Quem é Empresário?
Para
tal, basta que se consulte uma enciclopédia livre, um dicionário técnico para
que saibamos que “o empresário é o sujeito que exerce a empresa, ou seja,
aquele que exerce profissionalmente ( com habitualidade) uma atividade econômica ( que busca e gerar lucro) organizada ( que
articula os fatores de produção) para a produção ou circulação de bens ou
de serviços” ( Wikipédia – negritos nosso).
Há
que se colocar aqui o aspecto principal da atividade empresarial posto em
negrito na citação acima – atividade econômica que busca gerar lucro de forma
organizada e articula os fatores da produção. Esta é , portanto, a grande limitação do empresário.
Quanto mais competente e com sucesso é um empresário, mais difícil de se tornar
capaz de pensar algo diferente de desejar produzir o lucro. O Estado, que
sabemos não ter como objetivo centrar a produção do lucro não pode ser pois, um
lugar fácil para adaptação de um empresário.
Criou-se,
apesar dos argumentos acima de que o sucesso na gestão empresarial levaria o
gestor empresário a melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados a
sociedade pelo Estado, como por exemplo as áreas mais sensíveis que são a
Saúde, a Segurança, a Educação e a sustentabilidade. Nada mais contrassenso.
Nestas áreas a produção de resultados vem da capacidade de gestão política das pessoas, ou seja, da gestão de
pessoas, ou no melhor sentido grego da palavra – da política como capacidade de
liderar a pólis. Não é pois, assustador, ver estados geridos por empresários
viver problemas graves na saúde, na segurança e na educação, ou melhor ainda,
não é espanto que a Dilma, considerada uma grande gestora no campo empresarial
esteja sendo um fracasso como política.
Pior
ainda se considerados o que nos diz Fábio Ulhoa Coelho:
“Deve-se
desde logo acentuar que os sócios da sociedade empresária não são
empresários. Quando pessoas (naturais) unem seus esforços para, em sociedade,
ganhar dinheiro com a exploração empresarial de uma atividade econômica, elas
não se tornam empresárias. A sociedade por elas constituída,
uma pessoa jurídica com personalidade autônoma, sujeito de direito
independente, é que será empresária, para todos os efeitos legais. Os sócios da
sociedade empresária são empreendedores ou investidores, de acordo com a
colaboração dada à sociedade (os empreendedores, além de capital, costumam
devotar também trabalho à pessoa jurídica, na condição de seus administradores,
ou as controlam; os investidores limitam-se a aportar capital). As regras que
são aplicáveis ao empresário individual não se aplicam aos sócios da sociedade
empresária – é muito importante apreender isto. 3 ( Wikipédia)
Considerado neste sentido, não podemos afirmar
que muitos que se alardeiam empresários na verdade sequer são empresários ou
empreendedores no sentido strictu sensu do termo, uma vez que o sucesso não
depende jamais de apenas um individuo, e sim, de uma ideia visando o lucros
gerida por diversos indivíduos.
Ademais, temos de lembrar que a característica do
lucro ou da busca do lucro se assenta em algumas premissas básicas quais sejam:
1. Negociar o menor preço na compra e o maior preço na venda; 2. Considerar
todo e qualquer objeto ou coisa como mercadoria; 3. Retirar mais valia na
produção de serviços ( no caso do estado dos servidores públicos) com o
objetivo de aumentar o lucro. É claro que poderíamos citar diversas outras
premissas básicas, mas bastam estas para
percebermos, sem necessidade de argumentar razões pelas quais a político se
transformou em um balcão de negócios, os servidores públicos com salários ruins
e a política sendo tratada como um mercado onde o respeito pela vida e o ser
humano parece estar em último lugar. É o capitalismo se manifestando na sua forma
mais perversa e destruidora de vidas humanas.
Não é difícil concluir que as relações de
produção de serviços é a contraparte menor do papel do estado, e que, os
governantes e políticos tem a responsabilidade da governança de aspectos do
todo do tecido social que vai muito além da chamada competência técnica e eficiência administrativa. A gestão do estado torna-se, na
contemporaneidade, uma gestão de recursos humanos visando atender as demandas
dos cidadãos ( seres humanos com suas subjetividades mais profundas), que
buscam qualidade, sentido e significado para as suas vidas. É, pois, fácil de
concluir que a gestão de um ente assim qualificado não se coaduna com o perfil
definido de empresário que busca o lucro ( muitas vezes a qualquer custo).
(
continua no próximo post desenvolvendo o conceito de ser político e o conceito
de estado).
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