Nelson Soares dos Santos[1]
Tenho
repetido exaustivamente de que o Estado de Goiás, e o Brasil, precisam de ações
que visem e estimulem o Desenvolvimento humano e a Democracia. Para darmos um
passo nesta direção há algumas questões que são complexas, outras que de tão
simples e óbvias não merecem a atenção dos políticos. Enumero neste artigo
algumas ações que se realizadas poderia muito contribuir para fazer nosso país
dar um novo passo.
A
primeira questão que os políticos deveriam pensar seriamente é na mudança da
lógica que move as negociações da política, sobretudo na corrida pré-eleitoral
e da qual os eleitores em geral não participam. Tal processo começa
imediatamente após o término de uma eleição e o início de um novo mandato. A costura
da ocupação de cargos no executivo tem sido feita por duas lógicas: a força dos
partidos no pós-eleitoral ( quantidade de parlamentares eleitos), e a
construção de base para a eleição seguinte. Assim feito, o próprio debate
político fica prejudicado pois não se leva em conta como os novos eleitos vão
se comportar no exercício do poder. Muitos projetos políticos são completamente
desvirtuados e modificados neste momento, pois o projeto escolhido pelo povo é
modificado para “acolher” as contribuições dos novos aliados.
A
segunda questão são as negociações para composição no processo eleitoral futuro,
que, mormente, começa também um dia depois do eleitor fazer suas escolhas. Aqui
a questão é mais danosa. A lógica que a
rege quase sempre é baseada na força. E a força é definida pela quantidade de
dinheiro que cada pretendente possui para colocar em jogo, ou a capacidade de
se “levantar” dinheiro para gastar no
processo eleitoral. Se todo dinheiro movimentado produzisse alguma coisa para o
bem estar do eleitor, tudo bem, mas este dinheiro é a fonte na qual os
políticos se enriquecem; e, pior, parece que nos últimos anos também a fonte de
profunda corrupção e assassinatos. Em vez de a fonte ser o dinheiro de cada um,
deveria ser as ideias, ou o que cada líder defende como sendo os rumos para os
quais a sociedade deve-se dirigir. Neste sentido, após a eleição iniciar-se-ia
um rico debate político sobre as questões mais prementes: aborto, Estado laico
X Estado Religioso, Racismo, Relações Internacionais, Transporte Público, Sustentabilidade,
Saúde, Segurança, Educação, para citar apenas aqueles que tem frequentado constantemente
a mídia como anseios de que devem ser melhorados por parte do cidadão eleitor.
Pode
parecer uma tamanha obviedade, mas se estas mudanças fossem assumidas muita
coisa poderia ser modificada. Outro dia ouvi que nos dias atuais o maior
patrimônio na política não é mais ideias ou mesmo dinheiro: é Ser “dono” de
partido ou de uma igreja, uma vez que muito indivíduo tem negociado cargos
tendo a chantagem como fundamento do tipo: olha, tenho tanto mil fiéis no
estado ou você me atende ou falo mal de ti para todos; olha, tenho tantos no
meu partido, tanto tempo de televisão, etc, ou me atende, ou tornarei
adversário. A qualidade de vida das pessoas nunca é discutida, as possibilidades
de se tornar melhor o lugar onde se vive nunca é lembrado.
Tornar
este sistema de negociação mais barato significa as lideranças tentarem o diálogo
direto com eleitor, e manter-se fiel ao desejo da população de dias
melhores. É claro que vejo um risco alto
de se perder a vida e a reputação defendendo posições tais. Afinal, a lógica
que rege a política é a do mercado e da empresa. E na lógica do mercado e da
empresa o que vale não são os meios, são os fins, e os fins é constituído de apenas
um – o lucro.
[1]
Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e
Mestre em Educação Brasileira. É filiado ao PPS Goiás.
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