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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desenvolvimento Humano e Democracia: O que os Políticos podem fazer já.


Nelson Soares dos Santos[1]

Tenho repetido exaustivamente de que o Estado de Goiás, e o Brasil, precisam de ações que visem e estimulem o Desenvolvimento humano e a Democracia. Para darmos um passo nesta direção há algumas questões que são complexas, outras que de tão simples e óbvias não merecem a atenção dos políticos. Enumero neste artigo algumas ações que se realizadas poderia muito contribuir para fazer nosso país dar um novo passo.
A primeira questão que os políticos deveriam pensar seriamente é na mudança da lógica que move as negociações da política, sobretudo na corrida pré-eleitoral e da qual os eleitores em geral não participam. Tal processo começa imediatamente após o término de uma eleição e o início de um novo mandato. A costura da ocupação de cargos no executivo tem sido feita por duas lógicas: a força dos partidos no pós-eleitoral ( quantidade de parlamentares eleitos), e a construção de base para a eleição seguinte. Assim feito, o próprio debate político fica prejudicado pois não se leva em conta como os novos eleitos vão se comportar no exercício do poder. Muitos projetos políticos são completamente desvirtuados e modificados neste momento, pois o projeto escolhido pelo povo é modificado para “acolher” as contribuições dos novos aliados.
A segunda questão são as negociações para composição no processo eleitoral futuro, que, mormente, começa também um dia depois do eleitor fazer suas escolhas. Aqui a questão é mais danosa.  A lógica que a rege quase sempre é baseada na força. E a força é definida pela quantidade de dinheiro que cada pretendente possui para colocar em jogo, ou a capacidade de se “levantar” dinheiro  para gastar no processo eleitoral. Se todo dinheiro movimentado produzisse alguma coisa para o bem estar do eleitor, tudo bem, mas este dinheiro é a fonte na qual os políticos se enriquecem; e, pior, parece que nos últimos anos também a fonte de profunda corrupção e assassinatos. Em vez de a fonte ser o dinheiro de cada um, deveria ser as ideias, ou o que cada líder defende como sendo os rumos para os quais a sociedade deve-se dirigir. Neste sentido, após a eleição iniciar-se-ia um rico debate político sobre as questões mais prementes: aborto, Estado laico X Estado Religioso, Racismo, Relações Internacionais, Transporte Público, Sustentabilidade, Saúde, Segurança, Educação, para citar apenas aqueles que tem frequentado constantemente a mídia como anseios de que devem ser melhorados por parte do cidadão eleitor.
Pode parecer uma tamanha obviedade, mas se estas mudanças fossem assumidas muita coisa poderia ser modificada. Outro dia ouvi que nos dias atuais o maior patrimônio na política não é mais ideias ou mesmo dinheiro: é Ser “dono” de partido ou de uma igreja, uma vez que muito indivíduo tem negociado cargos tendo a chantagem como fundamento do tipo: olha, tenho tanto mil fiéis no estado ou você me atende ou falo mal de ti para todos; olha, tenho tantos no meu partido, tanto tempo de televisão, etc, ou me atende, ou tornarei adversário. A qualidade de vida das pessoas nunca é discutida, as possibilidades de se tornar melhor o lugar onde se vive nunca é lembrado.
Tornar este sistema de negociação mais barato significa as lideranças tentarem o diálogo direto com eleitor, e manter-se fiel ao desejo da população de dias melhores.  É claro que vejo um risco alto de se perder a vida e a reputação defendendo posições tais. Afinal, a lógica que rege a política é a do mercado e da empresa. E na lógica do mercado e da empresa o que vale não são os meios, são os fins, e os fins é constituído de apenas um – o lucro.



[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira. É filiado ao PPS Goiás.

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