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sábado, 24 de agosto de 2013

Probidade, Decência e competência pra fazer direito.


Nelson Soares dos Santos[1]

Nas últimas semanas convivemos com as pílulas de propaganda partidária na televisão do PMDB e do PTB. A Tônica de ambas foi a ideia da renovação e as palavras de ordem foram “ Probidade, decência e competência para fazer direito”. O que quero aqui dizer é que o PMDB perdeu uma boa oportunidade de dialogar com a sociedade no ânimo que tem de se contrapor a Marconi Perillo. Mesmo que tenham se esforçado, ( e a propaganda foi leve e sutil), perderam-se no emaranhado da história como se o povo não tivesse memória. O PMDB não consegue perceber que o diálogo que é necessário ter com a sociedade não é dizê-la que o adversário não faz bem, e sim, que é necessário a sociedade refletir sobre si mesma e as relações estabelecidas com o mercado. Sem isso, as palavras perdem o significado e tornam-se como folhas secas levadas ao vento.

Probidade e decência.

A palavra probidade é sinônima de honestidade, honradez, inteligência e capacidade de sentir e fazer acontecer à dignidade humana. Já decência é a capacidade de estar de acordo com um sistema de crenças ou costumes de uma determinada sociedade. O marketing do PMDB utiliza-se, pois, de duas palavras que parecem complementares, mas que na essência dizem coisas diferentes. Talvez seja por isso que o próprio PMDB esquece completamente a própria história ( caso astro gráfica, BEG, venda de Cachoeira dourada, etc), uma vez que tais acontecimentos, explicariam para se defender, foram necessários e refletiram a época na qual estiveram a frente da Administração.
De outro lado, como o objetivo do PMDB é apenas atacar, aquele que considera adversário, não se propõe a dialogar com a sociedade, que em sua essência tem se mostrado violenta, corrupta, corrompida e corruptora, ao ponto de desestimular os homens que se esforçam para viver com honradez  e honestidade de participar da atividade política. O PMDB tem o direito de pregar a  honradez, a decência, a probidade e mesmo a ética,  - afinal, quem na política já foi Governador, prefeito, deputado federal e ou estadual e ainda sente-se totalmente honesto que jogue a primeira pedra –  o  que não se pode, é tentar fazê-lo ignorando as condições reais, a sociedade na qual se vive, e o sistema na qual a política está inserida. O PMDB fez demagogia, de forma tão barata que os mais leigos no assunto foram capazes de perceber.

Competência pra fazer direito.

A política parece-me nos dias de hoje, um sistema de mundo a parte, um mundo onde tudo é fluído e passageiro e a memória histórica inexistem. A participação de Júnior do Friboi no programa do PMDB parece ser uma evidência desta questão. O homem dos bois já migrou da base do governador a Oposição, passou de partidos da direita aos partidos socialistas em uma forma jocosa de ignorar a realidade e os costumes da sociedade na qual vive. A evidência mais forte de que é um homem que ignora a realidade é atual situação do mesmo no PMDB, que ao decidir concorrer a convenção ( com Iris que diz não ser candidato, mas é o mais candidato dos candidatos), provoca uma divisão no PMDB utilizando como instrumento sua dinheirama. Este homem afirma que com o dinheiro público pode fazer muito mais e melhor. Eu entendi que ele estava explicando como transformou a JBS em uma potência utilizando empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social.
Ora, que a JBS, parece uma empresa de sucesso ( e digo parece por que é preciso ter cautela, afinal, também Eike já estava a caminho de ser o homem mais rico do mundo), não é discutível, porém dizer que por ter sucesso na iniciativa privada vai fazê-lo um grande gestor público é uma grande demagogia que não se pode aceitar. Sou defensor da tese de que um empresário por ter sucesso não lhe garante competência para gerir o Estado, pois este tem objetivos, metas, e resultados totalmente diferentes do Mercado ao qual muitas vezes se lhe deve opor.

Competência para perceber o ser humano.

Um aspecto, o mais importante, ficou de fora das perspectivas e mensagens do PMDB - Como produzir desenvolvimento humano e aprofundar a democracia em Goiás? Tivesse respondido esta questão poderia ter estabelecido um diálogo com o cidadão eleitor. Hoje mais do que nunca devemos e necessitamos discutir o que está na origem do caos na saúde, na educação, na segurança. Não mudaremos a realidade da Educação, saúde e segurança pública com promessas demagógicas, o que precisamos é de um diálogo permanente com a sociedade, fortalecendo o poder local, construindo a autonomia nos indivíduos e tornando a política parte da vida banal de todos nós, o que significa entender que o preço do tomate, do feijão e do arroz está profundamente ligado às decisões políticas mais distantes.
Pelo sim, ou pelo não ao esforçar para resolver o problema da data-base dos servidores, fazer avançar o projeto que dá autonomia a UEG, aumentar os investimentos na Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Goiás ( sobretudo nas pesquisas de empreendedorismo e inovação), o Governador Marconi fez aquilo que a sociedade espera – endireita os rumos do governo no sentido de fazer avançar a democracia e o desenvolvimento humano no Estado. É este diálogo permanente, de mão dupla com a sociedade, no sentido de fazer os investimentos produzirem resultados na vida banal que fará as mudanças necessárias para que a sociedade avance.




[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em educação Brasileira. É filiado ao Partido Popular Socialista e Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira – Goiás.

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