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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que é o Político?


Nelson Soares dos Santos[1]

Recentemente publiquei uma artigo onde aponte alguns males provenientes do modelo empresarial que tem invadido a política brasileira e goiana. Desta feita, vou falar do que é o político em contraposição ao empresário. Não resgataremos a atividade política enquanto não compreendemos os limites e as características da atividade política. Também aqui não vamos exibir erudição. Basta uma breve consulta a enciclopédia virtual e podemos encontrar a seguinte definição:
Um político é um indivíduo ativo na política de um grupo social. Pode ser formalmente reconhecido como membro ativo de um governo, ou uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada por meio de conhecimentos sobre poder político e dinâmica de grupo. Essa definição inclui pessoas que estão em cargos de decisão no governo, e pessoas que almejam esses cargos tanto por eleição, quanto por indicação, fraude eleitoral, hereditariedade, etc.” ( Wikipédia)
Pela definição acima, pode se depreender que, naturalmente há empregados que são políticos, aliás, depreende-se que o bom gestor mesmo na iniciativa privada precisa de compreender a arte da política no seu sentido mais strictu sensu de ser. Precisa compreender, sobretudo, a dinâmica dos grupos sociais, como se movimentam, mesmo que com objetivo de produzir o lucro para a sua empresa.
Além disso, para se compreender melhor a linha de raciocínios aqui adotada devemos  entender que o estado moderno, e portanto o estado capitalista abdicou, em uma expressão marxiana do processo de escravização diretas transferindo este processo para o mercado, ou para as chamadas relações de mercado na forma sutil definida como extração da mais valia. Sendo assim, o papel do estado passou de explorador direto das classes dominadas a reguladora das relações entre as classes o que fez abrir perspectivas para o sonho burguês da revolução por Liberdade, Igualdade e Fraternidade que encontrou sua expressão mais significativa nas revoluções ocorridas na França e nos Estados Unidos da América.
Assim, a gestão do estado em vez de estar focado no processo de exploração, estaria focada no processo da busca do equilibro entre o mercado, onde se dá as relações entre dominantes e dominados e a sociedade civil, ou o munda da vida onde vive todos os homens. Neste sentido um estudioso da Gestão Do Estado na contemporaneidade afirmar que:
Grandes mudanças no aparelho do Estado requerem –  mais do que recursos financeiros e a revisão do modo como funcionam as instituições como um todo – um corpo de funcionários públicos preparados. Novos modelos de gestão do Estado, que dêem conta das mudanças cada vez mais rápidas nas demandas dos cidadãos e na forma de atender a essas demandas, devem contar com profissionais com perfis mais flexíveis, em carreiras que absorvam essas mudanças e que permitam aos funcionários aprender e desenvolver-se continuamente”. Marconi, Nelson. A gestão do Estado torna-se na contemporaneidade, uma gestão de recursos humanos visando atender as demandas dos cidadãos ( seres humanos com suas subjetividades mais profundas), que buscam qualidade, sentido e significado para as suas vidas. É pois, fácil de concluir que a gestão de um ente assim qualificado não se coaduna com o perfil definido de empresário que busca o lucro ( muitas vezes a qualquer custo). Veja que há aqui uma diferença substancial entre o papel de gerir o estado e de gerir uma empresa, o que nos leva a conclusão de que competência técnica para gerir uma empresa pode não necessariamente significar competência técnica para gerir o estado, e que, mais ainda, os conhecimentos necessários para gerir o estado não são os mesmos utilizados na gestão de uma empresa.
Dizer pois, que um empresário é mais competente para gerir o estado que um político é semelhante o que se diz de um médico para gerir um hospital, como se compreendendo da arte médica fosse suficiente para compreender o cotidiano de todo um hospital. O aprendizado da técnica de gestão se dá no curso de Administração e o da arte política, possivelmente em um curso de ciência política. A gestão pública atual, como já afirmei no artigo “O Técnico e o Político” necessita conjugar na mesma pessoa a competência técnica e o compromisso político, o que nos leva a entender que o problema atual é mesmo a falta de um estadista, ou seja, aquele político que acima de tudo é capaz de sentir e compreender os mistérios das aspirações humanas a felicidade.


Referências Bilbliográficas.
 O Político http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtico Retirado em 14/08/13
O Empresário http://pt.wikipedia.org/wiki/Empres%C3%A1rio Retirado em 14/08/13




[1] Nelson Soares dos Santos é técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira.

Um comentário:

  1. Excelente mestre!!

    Muitos ainda não entendem a diferença de gerir uma empresa à um estado, mas quem ler este post, com certeza revolucionará seus conceitos arraigados em uma crença alienada à uma sociedade pragmática ao senso comum, sem nenhum senso de responsabilidade e ética.

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