Nelson
Soares dos Santos
Em
2010, três candidatos se apresentaram ao eleitorado como opções viáveis e
relevantes na disputa pelo cargo de presidente da república: Dilma, a eleita, e
sucessora de Lula; José Serra, do PSDB, e Marina Silva, ex quadro do PT,
concorreu pelo PV e teve mais de vinte milhões de votos. No final, Dilma venceu
Serra e hoje governa um país em dificuldades em um cenário que na época poucos
previam acontecer. Naquela época, José Serra perdeu muitos votos ao lidar com
questões caras ao cidadão e controversas como a questão do aborto, a questão do
meio ambiente, o papel do Estado e a questão da privatização, dentre outros.
Enquanto
se aproxima 2014, temos um cenário ainda nebuloso, mas aqueles que se
consideram jogadores movimentam-se de forma, as vezes desordenada e titubeante,
em um cenário pantanoso ou quando não, cheio de areias movediças. As crises da
economia, o barulho que vem das ruas são alguns dos elementos que torna o
embate do ano seguinte incerto e perigoso para quem ousa se movimentar demais
agora.
É
neste cenário que aparece, pelo menos, cinco candidatos que possa vir a ser
considerados relevantes na disputa. Eduardo Campos ( PSB), Dilma ( PT), Marina
Silva ( Rede), Aécio Neves ( PSDB), e José Serra ( ainda no PSDB, mas que pode
concorrer pelo PPS). Os mais prováveis de se confirmar é Aécio Neves (PSDB), e
Dilma Roussef ( PT). O primeiro pela tradição do PSDB, desde o Governo FHC,
apresentar candidato majoritário; segunda, pela lógica do processo da
reeleição. Marina Silva Ainda enfrenta as incertezas da formação do seu “novo”
partido novo, e José Serra, vendo-se sem apoio no PSDB, resta-lhe a opção de
deixar o partido para tentar viabilizar-se por outra sigla, e o que está disponível
é o PPS.
Serra
como Político.
A
questão é: tendo disputado a eleição por três vezes, estaria o eleitor disposto
a votar em Serra novamente e dar-lhe o papel de se contrapor a situação vigente
como fez nas últimas eleições, tornando-o o segundo mais votado?
As
eleições de 2014 podem se tornar o ano da reinvenção da política nos processos
eleitorais do Brasil, e assim, será viável para concorrer, o político que
souber se reinventar. A biografia de José Serra tem elementos que permite vê-lo
como um quadro digno de participar deste momento histórico, mas para isso, o
mesmo terá que recuperar um aspecto de sua jornada política já quase não
lembrada – o tempo da militância estudantil.
O
tempo de hoje é do diálogo com as
multidões em todas as suas formas. As redes sociais virtuais precisam tornar-se
reais para que todas as redes de sociabilidade se interliguem e a sociedade
possa se impor por sobre os grupos que a par de defender os próprios interesses
se apresentam como defensores dos interesses de toda a sociedade. Contra a
filosofia do consumismo e do volátil, sobreviverão aqueles que conseguirem incorporar
a ideia da durabilidade nas relações e nos projetos que serão apresentados.
Errará
quem vier a considerar que as manifestações que estão nas ruas são tudo o que a
sociedade reivindica e até perigoso pensar assim. O silêncio daqueles que nada
dizem deve ser ouvido tanto quanto os gritos multifacetados e estridentes, por
vezes agressivos e violentos. Errará quem considerar que nos processos vividos
de convulsão social os mecanismos de controle postos em disputas são apenas
internos e locais. O processo de globalização já espalhou seus últimos males e
as disputas locais estão atreladas a interesses globais em disputa, em um
momento em que as riquezas mais promissoras vêm da existência de fartos
recursos humanos e naturais.
O
quadro pede profunda preocupação com a construção de infraestrutura para o
país, mas não a infraestrutura faraônica, e sim, aquela regida por intensa
preocupação com o desenvolvimento humano e a democracia. É o desenvolvimento
humano que regerá os movimentos oscilatórios da vontade da coletividade. E
pensar o desenvolvimento humano significa pensar em meios de melhorar com rapidez
a situação da saúde, da Segurança, da Educação, da mobilidade urbana e da
sustentabilidade.
José
Serra poderá vir a representar todas estas demandas com legitimidade, se
assumir posições progressistas naquilo que a nossa democracia tem avançado,
para que se tenha a oportunidade de
diálogo com as classes que mais exercitam a cidadania política no país. Temas como
aborto, estado laico e direitos humanos devem ser discutidos com franqueza,
sinceridade, veracidade e prudência, sobretudo para que se passe a mensagem
correta sem desvios e ou contradições.
Serra
e o Patrimônio do PPS.
A
coluna dorsal que sustenta o PPS ainda é a tradição Pcebeista. No PPS Serra
deverá ter claro que, apesar de pequeno, o partido possui uma grande tradição e
um valor perante a sociedade que precisa ser respeita, sob o risco de sua
organicidade não digerir movimentos bruscos e estonteantes. O partido possui
quadros altamente preparados, como Rubens Bueno, Roberto Freire, Raul Jugmam, e
muitos outros em ascensão no Estado do Espirito Santo, Amazonas, Maranhão, etc.
Construir
um diálogo fundado na valorização desta tradição, significa respeitar o
processo da democracia interna, o processo congressual e o modus operandis de
construção de projetos necessários ao desenvolvimento do país. A valorização do
poder local é hoje um elemento importante na mentalidade ppsista e seu
principal instrumento de crescimento. A sustentabilidade, o diálogo em rede, a
abertura a todas as formas de participação cidadã, e, mais do que isso , um profundo
compromisso com o futuro das novas gerações.
Observado
estes quesitos, tenho certeza que a chegada de Serra ao PPS, e sua candidatura
a presidente do Brasil pela quarta vez, será uma contribuição para a construção
de um país mais justo, com desenvolvimento humano e avanço constante da democracia. As novas
gerações lembrará deste momento e muitos o observarão com o orgulho de dele
terem participado.