Nelson
Soares dos Santos[1]
Nas
últimas semanas convivemos com as pílulas de propaganda partidária na televisão
do PMDB e do PTB. A Tônica de ambas foi a ideia da renovação e as palavras de
ordem foram “ Probidade, decência e competência para fazer direito”. O que
quero aqui dizer é que o PMDB perdeu uma boa oportunidade de dialogar com a
sociedade no ânimo que tem de se contrapor a Marconi Perillo. Mesmo que tenham
se esforçado, ( e a propaganda foi leve e sutil), perderam-se no emaranhado da
história como se o povo não tivesse memória. O PMDB não consegue perceber que o
diálogo que é necessário ter com a sociedade não é dizê-la que o adversário não
faz bem, e sim, que é necessário a sociedade refletir sobre si mesma e as relações
estabelecidas com o mercado. Sem isso, as palavras perdem o significado e
tornam-se como folhas secas levadas ao vento.
Probidade e decência.
A
palavra probidade é sinônima de honestidade, honradez, inteligência e
capacidade de sentir e fazer acontecer à dignidade humana. Já decência é a
capacidade de estar de acordo com um sistema de crenças ou costumes de uma
determinada sociedade. O marketing do PMDB utiliza-se, pois, de duas palavras
que parecem complementares, mas que na essência dizem coisas diferentes. Talvez
seja por isso que o próprio PMDB esquece completamente a própria história (
caso astro gráfica, BEG, venda de Cachoeira dourada, etc), uma vez que tais
acontecimentos, explicariam para se defender, foram necessários e refletiram a época
na qual estiveram a frente da Administração.
De
outro lado, como o objetivo do PMDB é apenas atacar, aquele que considera
adversário, não se propõe a dialogar com a sociedade, que em sua essência tem
se mostrado violenta, corrupta, corrompida e corruptora, ao ponto de
desestimular os homens que se esforçam para viver com honradez e honestidade de participar da atividade
política. O PMDB tem o direito de pregar a
honradez, a decência, a probidade e mesmo a ética, - afinal, quem na política já foi Governador,
prefeito, deputado federal e ou estadual e ainda sente-se totalmente honesto
que jogue a primeira pedra – o que não se pode, é tentar fazê-lo ignorando as
condições reais, a sociedade na qual se vive, e o sistema na qual a política
está inserida. O PMDB fez demagogia, de forma tão barata que os mais leigos no
assunto foram capazes de perceber.
Competência pra fazer
direito.
A
política parece-me nos dias de hoje, um sistema de mundo a parte, um mundo onde
tudo é fluído e passageiro e a memória histórica inexistem. A participação de
Júnior do Friboi no programa do PMDB parece ser uma evidência desta questão. O homem
dos bois já migrou da base do governador a Oposição, passou de partidos da
direita aos partidos socialistas em uma forma jocosa de ignorar a realidade e
os costumes da sociedade na qual vive. A evidência mais forte de que é um homem
que ignora a realidade é atual situação do mesmo no PMDB, que ao decidir
concorrer a convenção ( com Iris que diz não ser candidato, mas é o mais
candidato dos candidatos), provoca uma divisão no PMDB utilizando como
instrumento sua dinheirama. Este homem afirma que com o dinheiro público pode
fazer muito mais e melhor. Eu entendi que ele estava explicando como
transformou a JBS em uma potência utilizando empréstimos do Banco Nacional de
Desenvolvimento Social.
Ora,
que a JBS, parece uma empresa de sucesso ( e digo parece por que é preciso ter
cautela, afinal, também Eike já estava a caminho de ser o homem mais rico do
mundo), não é discutível, porém dizer que por ter sucesso na iniciativa privada
vai fazê-lo um grande gestor público é uma grande demagogia que não se pode
aceitar. Sou defensor da tese de que um empresário por ter sucesso não lhe
garante competência para gerir o Estado, pois este tem objetivos, metas, e
resultados totalmente diferentes do Mercado ao qual muitas vezes se lhe deve
opor.
Competência para
perceber o ser humano.
Um
aspecto, o mais importante, ficou de fora das perspectivas e mensagens do PMDB
- Como produzir desenvolvimento humano e aprofundar a democracia em Goiás?
Tivesse respondido esta questão poderia ter estabelecido um diálogo com o
cidadão eleitor. Hoje mais do que nunca devemos e necessitamos discutir o que
está na origem do caos na saúde, na educação, na segurança. Não mudaremos a
realidade da Educação, saúde e segurança pública com promessas demagógicas, o
que precisamos é de um diálogo permanente com a sociedade, fortalecendo o poder
local, construindo a autonomia nos indivíduos e tornando a política parte da
vida banal de todos nós, o que significa entender que o preço do tomate, do
feijão e do arroz está profundamente ligado às decisões políticas mais
distantes.
Pelo
sim, ou pelo não ao esforçar para resolver o problema da data-base dos
servidores, fazer avançar o projeto que dá autonomia a UEG, aumentar os
investimentos na Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Goiás ( sobretudo
nas pesquisas de empreendedorismo e inovação), o Governador Marconi fez aquilo
que a sociedade espera – endireita os rumos do governo no sentido de fazer
avançar a democracia e o desenvolvimento humano no Estado. É este diálogo
permanente, de mão dupla com a sociedade, no sentido de fazer os investimentos
produzirem resultados na vida banal que fará as mudanças necessárias para que a
sociedade avance.
[1]
Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e
Mestre em educação Brasileira. É filiado ao Partido Popular Socialista e
Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira – Goiás.