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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Desenvolvimento Humano e Democracia: O que os Políticos podem fazer já.


Nelson Soares dos Santos[1]

Tenho repetido exaustivamente de que o Estado de Goiás, e o Brasil, precisam de ações que visem e estimulem o Desenvolvimento humano e a Democracia. Para darmos um passo nesta direção há algumas questões que são complexas, outras que de tão simples e óbvias não merecem a atenção dos políticos. Enumero neste artigo algumas ações que se realizadas poderia muito contribuir para fazer nosso país dar um novo passo.
A primeira questão que os políticos deveriam pensar seriamente é na mudança da lógica que move as negociações da política, sobretudo na corrida pré-eleitoral e da qual os eleitores em geral não participam. Tal processo começa imediatamente após o término de uma eleição e o início de um novo mandato. A costura da ocupação de cargos no executivo tem sido feita por duas lógicas: a força dos partidos no pós-eleitoral ( quantidade de parlamentares eleitos), e a construção de base para a eleição seguinte. Assim feito, o próprio debate político fica prejudicado pois não se leva em conta como os novos eleitos vão se comportar no exercício do poder. Muitos projetos políticos são completamente desvirtuados e modificados neste momento, pois o projeto escolhido pelo povo é modificado para “acolher” as contribuições dos novos aliados.
A segunda questão são as negociações para composição no processo eleitoral futuro, que, mormente, começa também um dia depois do eleitor fazer suas escolhas. Aqui a questão é mais danosa.  A lógica que a rege quase sempre é baseada na força. E a força é definida pela quantidade de dinheiro que cada pretendente possui para colocar em jogo, ou a capacidade de se “levantar” dinheiro  para gastar no processo eleitoral. Se todo dinheiro movimentado produzisse alguma coisa para o bem estar do eleitor, tudo bem, mas este dinheiro é a fonte na qual os políticos se enriquecem; e, pior, parece que nos últimos anos também a fonte de profunda corrupção e assassinatos. Em vez de a fonte ser o dinheiro de cada um, deveria ser as ideias, ou o que cada líder defende como sendo os rumos para os quais a sociedade deve-se dirigir. Neste sentido, após a eleição iniciar-se-ia um rico debate político sobre as questões mais prementes: aborto, Estado laico X Estado Religioso, Racismo, Relações Internacionais, Transporte Público, Sustentabilidade, Saúde, Segurança, Educação, para citar apenas aqueles que tem frequentado constantemente a mídia como anseios de que devem ser melhorados por parte do cidadão eleitor.
Pode parecer uma tamanha obviedade, mas se estas mudanças fossem assumidas muita coisa poderia ser modificada. Outro dia ouvi que nos dias atuais o maior patrimônio na política não é mais ideias ou mesmo dinheiro: é Ser “dono” de partido ou de uma igreja, uma vez que muito indivíduo tem negociado cargos tendo a chantagem como fundamento do tipo: olha, tenho tanto mil fiéis no estado ou você me atende ou falo mal de ti para todos; olha, tenho tantos no meu partido, tanto tempo de televisão, etc, ou me atende, ou tornarei adversário. A qualidade de vida das pessoas nunca é discutida, as possibilidades de se tornar melhor o lugar onde se vive nunca é lembrado.
Tornar este sistema de negociação mais barato significa as lideranças tentarem o diálogo direto com eleitor, e manter-se fiel ao desejo da população de dias melhores.  É claro que vejo um risco alto de se perder a vida e a reputação defendendo posições tais. Afinal, a lógica que rege a política é a do mercado e da empresa. E na lógica do mercado e da empresa o que vale não são os meios, são os fins, e os fins é constituído de apenas um – o lucro.



[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira. É filiado ao PPS Goiás.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

E os cubanos descobriram o Brasil.


Nelson Soares dos Santos[1]

Na última semana o debate em torno da saúde pública no Brasil chegou aos píncaros. O grande problema é que o método não foi o mais adequado. Os médicos e a direita ensandecida e raivosa ficaram todo tempo bradando e pouco explicou, a esquerda, a maior parte dela refém do Governo Lula assumiu uma posição maniqueísta no sentido de que tudo que Lula propõe é bom, e quem é contra é do mal. No final, pede a informação e a construção da cidadania. No caso dos médicos cubanos, o programa de Lula tem algo de bom, a julgar pelas declarações dos  primeiros que chegaram ao Brasil.
O incidente engraçado se deu em Fortaleza. Lá, um dos magos cubanos que pretende transforma a saúde do Brasil em coisa do primeiro mundo resolveu visitar um hospital, e claro, se deparou com a realidade que todos os brasileiros estão acostumados e já sabem, quer seja: ou se investe na infraestrutura dos hospitais públicos ou nenhuma magia vai resolver o problema da saúde no Brasil.  Descobriu-se o óbvio que dito e ouvido pelos lábios de uma direita ensandecida ninguém quis ouvir, como se verdade dita se apequena por ser dita mesmo que pelo diabo.
O que disse o médico cubano ao ser questionado se tinha condições de mudar a saúde no Brasil só com mais médicos é o lógico e natural, a questão é que foi dita por médicos cubanos. Outra questão que salta aos olhos é que na mesma reportagem os médicos dizem não estar aqui só pelo salário, mas por vocação. Em contradição a isso uma dos elementos da atual política econômica é o estímulo ao consumo. Se tivesse estimulado os brasileiros a buscarem suas vocações e não ao consumo desenfreado que endividou grande parte das famílias brasileiras talvez, até mesmo a saúde, já estaria melhor, afinal, o estímulo a busca de si mesmo teria levado muitos a investir na própria saúde em vez de comprar carros e eletrodomésticos.
A verdade é que passada a euforia inicial, a realidade começa a bater a  porta do governo Dilma. OU se enfrenta o modelo de política econômica que privilegia o capital rentista, os bancos, etc, e se investe em Educação, Saúde e Segurança Pública, ou não terá mágica que faça este país funcionar. Por enquanto, poderia se dizer que 500 anos depois dos portugueses, os cubanos descobriram o Brasil. Não mais um Brasil de índios nus, mas um brasil sem estrutura mínima para cuidar da saúde do seu povo.



[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira e Filiado ao PPS.

domingo, 25 de agosto de 2013

A barbárie de ontem e de hoje



Nelson Soares dos Santos[1]

A primeira vez que tive contato com o que se chama de barbárie foi estudando sobre a segunda guerra mundial. Lembro que chorei ao ouvir as descrições de como eram mortos os dissidentes de Hitler, principalmente judeus, mórmons, e outros. Na época assisti o filme a Lista de Schindler e novamente derramei lágrimas de dor. Desde então, dediquei-me a estudar o que levam os homens a crimes tão bárbaros. Sinceramente nunca encontrei uma resposta que de fato pudesse explicar tais absurdos.
Esta semana as imagens de filas de corpos mortos por ataque de armas químicas na síria, o grande número de mortos no Egito e o avanço da violência, inclusive no Brasil, novamente trouxe ao debate a questão da barbárie. E quando o discurso toma o campo do emocional pouco se faz para de fato entender o que está acontecendo com o mundo. Menos divulgado, as imagens de soldados americanos estuprando e torturando muçulmanos podem ser colocadas tranquilamente no rol de crimes bárbaros cometidos contra a humanidade. Afinal, são apenas estas as formas que tais absurdos se apresentam? E o que os  motivam?
Quando analisou a questão da segunda guerra mundial, Adorno colocou-nos uma questão que de certa forma, foi tida como verdade para grande parte dos intelectuais. Em diversos de seus textos, Adorno afirma que apenas a educação para emancipação poderia evitar futuras atrocidades como as que ocorreram na Alemanha. Ao analisar a questão da indústria cultural o autor da Escola de Frankfurt tenta mostrar que a dificuldade obter uma consciência elevada da realidade, ou da capacidade de interpretação do real leva a um tipo de alienação que torna a razão humana irracional e leva aos piores cataclismos.
O problema é que nos dias de hoje, diferente da Alemanha de Hitler, as decisões não me parecem representar uma alienação da maioria, afinal, a maioria das grandes decisões referentes a guerras são tomadas por especialistas, e a grande maioria, sequer possui condições de compreender os elementos que compõe a situação. No caso do Egito, Síria e Estados Unidos, a democracia não representa a vontade e a consciência do povo, uma vez, que em sua grande maioria o povo destes países não conhece os entremeios dos bastidores da diplomacia internacional.
De outro lado, não creio que os chamados especialistas responsáveis pelas lutas que se estabelecem nos bastidores não tenham uma formação humana, ou pelo menos, não tenha tido oportunidade de obtê-la. Então a questão que se deve colocar é outra, mesmo a questão do bem e do mal e como esta dicotomia se apresenta nos seres humanos. Temos a responsabilidade de investigar tal questão para além das dicotomias ideológicas, ou estaremos condenados a conviver com outros mortos, outros campos de concentração e outras calamidades.
Desta, forma, pensar a barbárie de hoje significa repensar a sociedade que vivemos, o modelo desta sociedade, das relações que existem entre sociedade, mercado e estado  para que possamos compreender as dificuldades vividas pelas instituições consideradas tradicionais, como a família, as religiões, etc; e quais novas instituições podem estar surgindo destas novas realidades. O sonho de um mundo pacífico não parece estar próximo, e se parece que a educação pode contribuir para o desenvolvimento  da consciência humana, as condições para que o homem escolha fazer sempre o bem ao seu semelhante pode não ser apenas uma questão da evolução da consciência e aquisição da Autoconsciência. É necessário que repudiemos tais acontecimentos grotescos, mas que isso é importante refletir sobre o que motiva as escolhas de cada um de nós.





[1]Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e filiado ao PPS Goiás.

sábado, 24 de agosto de 2013

Probidade, Decência e competência pra fazer direito.


Nelson Soares dos Santos[1]

Nas últimas semanas convivemos com as pílulas de propaganda partidária na televisão do PMDB e do PTB. A Tônica de ambas foi a ideia da renovação e as palavras de ordem foram “ Probidade, decência e competência para fazer direito”. O que quero aqui dizer é que o PMDB perdeu uma boa oportunidade de dialogar com a sociedade no ânimo que tem de se contrapor a Marconi Perillo. Mesmo que tenham se esforçado, ( e a propaganda foi leve e sutil), perderam-se no emaranhado da história como se o povo não tivesse memória. O PMDB não consegue perceber que o diálogo que é necessário ter com a sociedade não é dizê-la que o adversário não faz bem, e sim, que é necessário a sociedade refletir sobre si mesma e as relações estabelecidas com o mercado. Sem isso, as palavras perdem o significado e tornam-se como folhas secas levadas ao vento.

Probidade e decência.

A palavra probidade é sinônima de honestidade, honradez, inteligência e capacidade de sentir e fazer acontecer à dignidade humana. Já decência é a capacidade de estar de acordo com um sistema de crenças ou costumes de uma determinada sociedade. O marketing do PMDB utiliza-se, pois, de duas palavras que parecem complementares, mas que na essência dizem coisas diferentes. Talvez seja por isso que o próprio PMDB esquece completamente a própria história ( caso astro gráfica, BEG, venda de Cachoeira dourada, etc), uma vez que tais acontecimentos, explicariam para se defender, foram necessários e refletiram a época na qual estiveram a frente da Administração.
De outro lado, como o objetivo do PMDB é apenas atacar, aquele que considera adversário, não se propõe a dialogar com a sociedade, que em sua essência tem se mostrado violenta, corrupta, corrompida e corruptora, ao ponto de desestimular os homens que se esforçam para viver com honradez  e honestidade de participar da atividade política. O PMDB tem o direito de pregar a  honradez, a decência, a probidade e mesmo a ética,  - afinal, quem na política já foi Governador, prefeito, deputado federal e ou estadual e ainda sente-se totalmente honesto que jogue a primeira pedra –  o  que não se pode, é tentar fazê-lo ignorando as condições reais, a sociedade na qual se vive, e o sistema na qual a política está inserida. O PMDB fez demagogia, de forma tão barata que os mais leigos no assunto foram capazes de perceber.

Competência pra fazer direito.

A política parece-me nos dias de hoje, um sistema de mundo a parte, um mundo onde tudo é fluído e passageiro e a memória histórica inexistem. A participação de Júnior do Friboi no programa do PMDB parece ser uma evidência desta questão. O homem dos bois já migrou da base do governador a Oposição, passou de partidos da direita aos partidos socialistas em uma forma jocosa de ignorar a realidade e os costumes da sociedade na qual vive. A evidência mais forte de que é um homem que ignora a realidade é atual situação do mesmo no PMDB, que ao decidir concorrer a convenção ( com Iris que diz não ser candidato, mas é o mais candidato dos candidatos), provoca uma divisão no PMDB utilizando como instrumento sua dinheirama. Este homem afirma que com o dinheiro público pode fazer muito mais e melhor. Eu entendi que ele estava explicando como transformou a JBS em uma potência utilizando empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Social.
Ora, que a JBS, parece uma empresa de sucesso ( e digo parece por que é preciso ter cautela, afinal, também Eike já estava a caminho de ser o homem mais rico do mundo), não é discutível, porém dizer que por ter sucesso na iniciativa privada vai fazê-lo um grande gestor público é uma grande demagogia que não se pode aceitar. Sou defensor da tese de que um empresário por ter sucesso não lhe garante competência para gerir o Estado, pois este tem objetivos, metas, e resultados totalmente diferentes do Mercado ao qual muitas vezes se lhe deve opor.

Competência para perceber o ser humano.

Um aspecto, o mais importante, ficou de fora das perspectivas e mensagens do PMDB - Como produzir desenvolvimento humano e aprofundar a democracia em Goiás? Tivesse respondido esta questão poderia ter estabelecido um diálogo com o cidadão eleitor. Hoje mais do que nunca devemos e necessitamos discutir o que está na origem do caos na saúde, na educação, na segurança. Não mudaremos a realidade da Educação, saúde e segurança pública com promessas demagógicas, o que precisamos é de um diálogo permanente com a sociedade, fortalecendo o poder local, construindo a autonomia nos indivíduos e tornando a política parte da vida banal de todos nós, o que significa entender que o preço do tomate, do feijão e do arroz está profundamente ligado às decisões políticas mais distantes.
Pelo sim, ou pelo não ao esforçar para resolver o problema da data-base dos servidores, fazer avançar o projeto que dá autonomia a UEG, aumentar os investimentos na Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Goiás ( sobretudo nas pesquisas de empreendedorismo e inovação), o Governador Marconi fez aquilo que a sociedade espera – endireita os rumos do governo no sentido de fazer avançar a democracia e o desenvolvimento humano no Estado. É este diálogo permanente, de mão dupla com a sociedade, no sentido de fazer os investimentos produzirem resultados na vida banal que fará as mudanças necessárias para que a sociedade avance.




[1] Nelson Soares dos Santos é Técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em educação Brasileira. É filiado ao Partido Popular Socialista e Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira – Goiás.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O que é o Político?


Nelson Soares dos Santos[1]

Recentemente publiquei uma artigo onde aponte alguns males provenientes do modelo empresarial que tem invadido a política brasileira e goiana. Desta feita, vou falar do que é o político em contraposição ao empresário. Não resgataremos a atividade política enquanto não compreendemos os limites e as características da atividade política. Também aqui não vamos exibir erudição. Basta uma breve consulta a enciclopédia virtual e podemos encontrar a seguinte definição:
Um político é um indivíduo ativo na política de um grupo social. Pode ser formalmente reconhecido como membro ativo de um governo, ou uma pessoa que influencia a maneira como a sociedade é governada por meio de conhecimentos sobre poder político e dinâmica de grupo. Essa definição inclui pessoas que estão em cargos de decisão no governo, e pessoas que almejam esses cargos tanto por eleição, quanto por indicação, fraude eleitoral, hereditariedade, etc.” ( Wikipédia)
Pela definição acima, pode se depreender que, naturalmente há empregados que são políticos, aliás, depreende-se que o bom gestor mesmo na iniciativa privada precisa de compreender a arte da política no seu sentido mais strictu sensu de ser. Precisa compreender, sobretudo, a dinâmica dos grupos sociais, como se movimentam, mesmo que com objetivo de produzir o lucro para a sua empresa.
Além disso, para se compreender melhor a linha de raciocínios aqui adotada devemos  entender que o estado moderno, e portanto o estado capitalista abdicou, em uma expressão marxiana do processo de escravização diretas transferindo este processo para o mercado, ou para as chamadas relações de mercado na forma sutil definida como extração da mais valia. Sendo assim, o papel do estado passou de explorador direto das classes dominadas a reguladora das relações entre as classes o que fez abrir perspectivas para o sonho burguês da revolução por Liberdade, Igualdade e Fraternidade que encontrou sua expressão mais significativa nas revoluções ocorridas na França e nos Estados Unidos da América.
Assim, a gestão do estado em vez de estar focado no processo de exploração, estaria focada no processo da busca do equilibro entre o mercado, onde se dá as relações entre dominantes e dominados e a sociedade civil, ou o munda da vida onde vive todos os homens. Neste sentido um estudioso da Gestão Do Estado na contemporaneidade afirmar que:
Grandes mudanças no aparelho do Estado requerem –  mais do que recursos financeiros e a revisão do modo como funcionam as instituições como um todo – um corpo de funcionários públicos preparados. Novos modelos de gestão do Estado, que dêem conta das mudanças cada vez mais rápidas nas demandas dos cidadãos e na forma de atender a essas demandas, devem contar com profissionais com perfis mais flexíveis, em carreiras que absorvam essas mudanças e que permitam aos funcionários aprender e desenvolver-se continuamente”. Marconi, Nelson. A gestão do Estado torna-se na contemporaneidade, uma gestão de recursos humanos visando atender as demandas dos cidadãos ( seres humanos com suas subjetividades mais profundas), que buscam qualidade, sentido e significado para as suas vidas. É pois, fácil de concluir que a gestão de um ente assim qualificado não se coaduna com o perfil definido de empresário que busca o lucro ( muitas vezes a qualquer custo). Veja que há aqui uma diferença substancial entre o papel de gerir o estado e de gerir uma empresa, o que nos leva a conclusão de que competência técnica para gerir uma empresa pode não necessariamente significar competência técnica para gerir o estado, e que, mais ainda, os conhecimentos necessários para gerir o estado não são os mesmos utilizados na gestão de uma empresa.
Dizer pois, que um empresário é mais competente para gerir o estado que um político é semelhante o que se diz de um médico para gerir um hospital, como se compreendendo da arte médica fosse suficiente para compreender o cotidiano de todo um hospital. O aprendizado da técnica de gestão se dá no curso de Administração e o da arte política, possivelmente em um curso de ciência política. A gestão pública atual, como já afirmei no artigo “O Técnico e o Político” necessita conjugar na mesma pessoa a competência técnica e o compromisso político, o que nos leva a entender que o problema atual é mesmo a falta de um estadista, ou seja, aquele político que acima de tudo é capaz de sentir e compreender os mistérios das aspirações humanas a felicidade.


Referências Bilbliográficas.
 O Político http://pt.wikipedia.org/wiki/Pol%C3%ADtico Retirado em 14/08/13
O Empresário http://pt.wikipedia.org/wiki/Empres%C3%A1rio Retirado em 14/08/13




[1] Nelson Soares dos Santos é técnico em Magistério, Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação Brasileira.

Caos na saúde, ato médico e Médicos Cubanos: Um pitaco a mais.



Nelson Soares dos Santos[1]

Estou acompanhando pela mídia, a polêmica envolvendo a história dos médicos estrangeiros, especialmente a possibilidade do convênio com Cuba tornar-se realidade e o Brasil receber quatro mil médicos cubanos. Para além das opiniões políticas e politizadas pus-me a ouvir todos os médicos que conheço sobre o problema. De outro lado, tentei entender outra polêmica: a questão do ato médico e o caos na saúde, afinal, parece-me que o fundamento de toda a polêmica é a existência do Caos na saúde pública brasileira, pois se esta, não houvesse, não haveria médicos cubamos, nem mais médicos, e talvez nem mesmo o tal ato médico.

O Caos Na Saúde.

Não creio que seja necessário delongar aqui sobre o caos na saúde pública. Este é um fato tão real que até os cegos começaram a vê-lo. O interessante notar é que só agora médicos que são políticos e políticos que são médicos resolveram entrar no mérito da questão. Afinal, qual a razão fundamental da existência do Caos na saúde pública no Brasil?
Arrisco a resposta de que a questão não é falta de verba, nem tão pouco falta de médicos. A questão é que a cultura brasileira ( aqui todos incluídos, médicos, políticos, etc) é uma cultura da desigualdade social. Quero dizer com isso que nós, todos nós, legitimamos todo tempo a questão da desigualdade social no Brasil. Até aceitamos que as pessoas possam mudar de classe, mas não corroboramos com a ideia de combater ou mesmo erradicar a desigualdade social extrema, e mesmo a fome ao nosso redor. É a cultura da desigualdade social que faz um médico achar normal ser pago para trabalhar 6 horas no SUS, e trabalhar apenas duas, atendendo dez pacientes e indo embora, muitas vezes, trabalhar o restante das horas em hospital particular. Uma vez questionei um médico por que fazia isso, e ele disse que no SUS ganhava pouco demais, no que respondi para ela deixar o SUS e ficar só no Particular. Ele tomou como ofensa minha resposta.
A verdade é que uma grande quantidade de médicos que trabalham no SUS ou em hospitais públicos não respeitam nem o povo cidadão nem o poder público. Sentem-se  e comportam como quase deuses. Sentem-se se assim por fazer parte de uma dita “elite” ( na verdade conheço pouquíssimos médicos que de fato fazem parte de uma elite cultural), quando na verdade o máximo é que são endinheirados, muitas vezes, dinheiro conseguido com tratamento desumano para com os seus semelhantes.

O Ato Médico.

Ouvi diversos médicos sobre a questão do ato médico. Aliás, fiquei sabendo que a profissão de médico não é regulamentada, e, confirmei que médicos também reclamam quando são submetidos a condições desumanas de trabalho. Quando questionei sobre a polêmica envolvendo os demais profissionais de saúde ( Psicólogos, nutricionistas, Fisioterapeutas, etc), a maioria gaguejaram. Não souberam explicar direito a gritaria que fazem quando se argumenta que é raro ver um médico fazer procedimentos que estes profissionais fazem.
A verdade é que o médico no Brasil, na saúde pública, raramente conversa com o paciente, muitas vezes sequer o toca ou olha no rosto. Quando começa a se argumentar sobre isso, a conversa se estende para o processo de formação, a cultura, etc. Entretanto, explicar por que o médico da saúde pública brasileira não ouve o paciente, não conversa e está sempre correndo, na maioria das vezes por que vai deixar de cumprir o horário de contrato no SUS para atender particular não resolve o problema do cidadão que morre todos os dias nas filas dos hospitais.
Há que se perceber que não há sentido na gritaria dos médicos quanto a relação com os outros profissionais. Duvido de que alguma coisa vá mudar no cotidiano dos hospitais. Na relação com as enfermeiras, por exemplo, na quase totalidade das vezes são elas que aplicam as injeções. O médico, quando muito, passa no quarto do paciente uma vez ao dia, para ler o prontuário e averiguar o efeito dos medicamentos, pelo menos, é isso que as visitas as doentes em hospitais e acompanhamentos me ensinou. Assim sendo, colocar tais serviços como privativo dos médicos os faria ainda mais exigentes quanto a questão salarial, no sentido de torna-los uma classe ainda mais privilegiada.

O “Mais Médicos” e os Médicos Cubanos.

Eu não tenho dúvida de que o programa “Mais Médicos” do PT é um programa político e com objetivos políticos cujo eixo central é tentar melhorar a imagem da presidente Dilma. Afinal, não faltam médicos no Brasil. O que falta é mudar a cultura da classe médica, quebrar a cultura dos grandes laboratórios, e, o estado cumprir o seu papel de regulador das relações sociais.
Também não tenho como concordar com a história dos médicos cubanos. Se tais médicos vão viver no Brasil, o mínimo que devemos aceitar é que tenham os mesmos direitos dos médicos brasileiros e deles sejam exigidos cumprir os mesmos deveres. Utilizar de razões e acordos políticos para que os salários destes homens sejam utilizados para sustentar uma elite política que deixa duvidoso se realmente governam com justiça social é no mínimo ideológico e, sem generosidade uma estupidez. Diante disso, coloco abaixo algumas ideias que podem ajudar os políticos a pensarem em soluções para a saúde pública no Brasil:
1.    Um programa intenso de educação em saúde visando investir em saúde preventiva.
2.    Regularização da profissão do profissional de Saúde, unificando o piso salarial de todos os profissionais de saúde e construindo plano de carreira de estado, de acordo com a complexidade do trabalho de cada um de suas especializações;
3.    Proibição de acumulação de cargos para profissionais da saúde que trabalharem no setor público.
4.     Construção de um sistema nacional de dossiê dos pacientes que pudesse ser consultado em qualquer parte do país.
Parecem mudanças simples, mas tenho certeza, revolucionaria o a saúde pública no Brasil. E, mudaria definitivamente o papel do  médico na sociedade, pois este deixaria de existir, e o que passaria a existir seria o profissional de saúde com função de cuidar deste ou daquele aspecto do tratamento da saúde dos pacientes.
Quanto ao “Mais Médico” do PT? Bom, a sugestão que todo Brasil se una e diga não. Não seremos nós os responsáveis por escravizar pessoas em pleno século XXI, em nome de se defender uma ideologia que não se sustenta mais.






[1] Nelson Soares dos Santos é  Técnico em Magistério, Pedagogo e Mestre em Educação. É filiado ao PPS em Goiás.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Memórias de Aldo Arantes: "Alma em Fogo" de um guerreiro sereno


Nelson Soares dos Santos
Estou acompanhando pelos jornais e mídias sociais as notícias do lançamento das memórias do ex-deputado federal Aldo Arantes. A obra já lhe rende críticas positivas, como era de se esperar pela qualidade da trajetória do biografado. Conheci Aldo Arantes, pessoalmente, no ano de 1998. Era campanha de Marconi Perillo ao governo e o momento flertava com a mudança. Apresentado por seu Ranulfo naquele segundo turno, no ano seguinte, eu me tornava membro do diretório Estadual do PC do B, quando tive a honra de por cinco anos conviver e ouvir as posições políticas de Aldo Arantes.
Caso me fosse pedido uma sugestão para o título de sua memórias, eu não sugeriria “Alma em Fogo”, e sim “Guerreiro Sereno”. Aldo é um daqueles homens raros que possui em si a alma do guerreiro. Em um homem assim, as causas que defende e as ideias que professa estão sempre à flor da pele, expandem-se junto com a energia que vem do espírito e o alimento que o mantém vivo.
Conheci poucos homens como ele, em um momento no qual eu chegava a pensar que não valia mais a pena viver por ideal, Aldo Arantes foi uma das chamas que manteve minha chama acesa, e me fez continuar a acreditar que sempre vale a pena lutar por justiça, por um país onde os homens sejam tratados todos iguais e todos como seres humanos.
Não me esqueço de jamais de uma reunião que tivemos na sede da Câmara Municipal de Vereadores de Goiânia. O partido encontrava-se dividido. De um lado, Fábio Tokarski, que, por razões que até hoje não compreendo, defendia o rompimento com o governo Marconi. Do outro lado, Gilvane Felipe, então indicado secretário de Ciência e Tecnologia pelo PC do B, defendia que o partido deveria buscar uma forma de apoiar a reeleição de Marconi Perillo já no primeiro turno e não se alinhar ao PT. A reunião começou às 9 horas da manha, e, durante todo dia, debatemos a conjuntura nacional, a política local e todas as possibilidades possíveis, situando o que partido poderia contribuir para fazer avançar as reformas e a democracia.
Às 18 horas ainda não se tinha chegado a nenhum consenso. O grupo de Gilvane começava a ameaçar deixar o partido caso houvesse um rompimento com o governador. No meio do fogo cruzado, o Secretariado da Direção do Partido, do qual eu ocupava o posto de secretário de Comunicação e Propaganda, buscava uma tática que preservasse a unidade do partido e, ao mesmo tempo, pudesse fortalecer os avanços democráticos conquistados pelo governo Marconi. Como não era possível encontrar o consenso, foi decidido por um intervalo.
Aldo, que passara todo o dia praticamente em silêncio e impassível em sua cadeira, chamara minha atenção. Eu não conseguia entender como um homem de 60 anos conseguia passar o dia inteiro em uma reunião que, penso, para ele não tinha sentido algum, de forma silenciosa, praticamente sem opinar, calmo, ponderado e apenas ouvindo. Todos sabíamos que, daquela decisão, Aldo poderia ser o mais prejudicado. A decisão ali tomada, e da forma como fosse tomada, influenciaria diretamente processo de sua reeleição para deputado federal.
No intervalo para o lanche, não me contive e me dirigi até ele e perguntei como era possível que tivesse tanto autodomínio, em um momento no qual poderia sair como maior perdedor. Perguntei como alcançara tamanho domínio próprio e como poderia se manter tão calmo e impassível. Ele respondeu que o domínio próprio ele adquirira na prisão enquanto era torturado e nas coisas nas quais pensava após os momentos de tortura. Já a razão que o fazia ficar tão calmo é que ele não era deputado federal para afagar o próprio ego, que estava naquela reunião durante todo dia com um único objetivo: estava servindo ao país e às ideias de um mundo mais justo, e que se não fosse eleito, continuaria servindo ao país, de outras formas, em outras batalhas. De forma serena, pediu que eu nunca esquecesse minhas próprias raízes, que apenas manter-se ligado as próprias raízes pode nos fazer imunes as tentações do poder.
Até hoje, aquela tarde está em minhas reflexões. É por tudo isso, que “Alma em Fogo” pode até traduzir toda a força de luta que existe nele, mas o guerreiro sereno é a imagem que ficou em minha mente.
Nelson Soares dos Santos é professor universitário e integrante do PPS de Goiás.